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21 de Novembro de 2018

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Edição nº 896 / 2016

08/11/2016 - 07:06:59

Jorge Oliveira

Viva o povo brasileiro!

Jorge Oliveira

Cascais, Portugal – A esquerda brasileira precisa repensar o seu papel na política se quiser continuar dando as cartas. As eleições municipais deste ano mostraram que o PT que, na década de 1980, se apresentou ao país com uma roupagem de vanguarda e defensor intransigente da ética na política, foi para o ralo da história. A população disse não à corrupção e condenou o partido e seus militantes ao ostracismo nessas eleições municipais. A direita – ou melhor, o centro – abocanhou as duas principais prefeituras do país: São Paulo e Rio de Janeiro, um sintoma de que o eleitor desaprovou os governos petistas e suas alianças à direita. Por essa amostragem eleitoral nas duas capitais mais importantes do país pressupõe-se que a campanha presidencial de 2018 caminha seguramente para uma vitória de um candidato conservador.

Os políticos não podem se queixar do eleitor brasileiro e nem dizer que ele não sabe votar, como disse Pelé em um de seus surtos antropológicos. Quando Sarney enterrou a economia como primeiro presidente civil da República, o eleitor respondeu elegendo Collor que parecia um caçador de marajás de verdade. Dois anos depois a desilusão veio com o impeachment dele e as acusações de corrupção no seu governo. O povo foi às ruas e o mandou para casa. Surgiu então Itamar Franco que deu a partida para a estabilidade econômica tendo à frente da economia o ex-senador Fernando Henrique Cardoso. O Brasil caminhou para a prosperidade e para a estabilidade econômica com a nova moeda. FHC ficou no governo durante dois mandatos sem grandes atropelos.

Durante esse período do troca troca de presidente depois da ditadura, o PT foi o partido que mais se destacou na oposição. Fez oposição cerrada a todos os presidentes. Para mostrar que pensava diferente dos demais políticos votou contra o novo modelo da Constituição. E mais: Lula, o líder da oposição, como deputado federal, abriu o verbo contra seus parceiros deputados, chamando-os de picaretas para o delírio dos brasileiros. Mas a boca dura não o levava a lugar nenhum. Algo faltava para que Lula emplacasse a sua candidatura a presidente da República, depois de três tentativas frustradas. E esse algo mais apareceu: a direita vestida de vice. José Alencar, o empresário da indústria têxtil de Minas Gerais, apareceu pelas mãos de Zé Dirceu para tirar o ranço incendiário do Lula e acenar com o apoio dos empresários e banqueiros que desconfiavam de um governo de Lula.

Assim, a esquerda pragmaticamente chegava à presidência sem assustar a elite que Lula tanto combatia. Zé Dirceu, com isso, vestia uma roupa nova no seu líder que logo se deslumbrou com o poder e juntou-se aos empresários e banqueiros para governar com estabilidade política e econômica. O apoio do parlamento veio em seguida com os acordos petistas com os políticos até então contaminados pela incompetência e rotulados de direita pela cúpula do PT. Não demorou muito, Lula logo se uniu a José Sarney, Collor, Maluf e outros próceres da política brasileira. E quando a corrupção invadiu o Palácio do Planalto foi desse pessoal que ele se socorreu no Congresso Nacional para que o mensalão não desabasse sobre a sua cabeça. 

Desconfiança

O eleitor, mas uma vez, reconduziu Lula à presidência da República, mas com certa desconfiança. Ao contrário de FHC, Lula só ganhou a reeleição no segundo turno disputando com Geraldo Alckmin, ex-governador de São Paulo, o maior colégio eleitoral do país, mas um político desconhecido, sem muito carisma. Aos trancos e barrancos, Lula terminou o mandato e elegeu seu sucessor. Conduziu ao altar a burocrata Dilma, que nunca se submetera a uma eleição. Nem de síndico. Mais uma vez, o eleitor fez a vontade de Lula, mas com ressalta: levou a Dilma para o segundo turno. Aguentou um mandato dela ainda respaldado pela estabilidade econômica desde a época do FHC. Mas a Dilma, coitada, entrou em parafuso. Era muito areia para o caminhão dela. Jogou fora a história, a firmeza nos princípios ideológicos e, a exemplo do Lula, foi buscar na direita o apoio para governar orientada por seu guru. Estaria até hoje no poder, se o eleitor não tivesse dissolvido essa aliança espúria indo às ruas para pedir o fim da corrupção e do seu governo que se agarrou aos conservadores de direita para insistir em ficar no poder.

Falácia

Como você pode ver, eleitor, essa coisa de esquerda no Brasil é uma falácia. Para governar, eles sempre se aliaram com a direita. Por isso, a maioria dos brasileiros, desprovida de ideologia, é o sabichão de toda essa história. Quando a coisa aperta no bolso eles vão às ruas e muda tudo. Foi assim com a ditadura militar, com o movimento das Diretas Já e, agora, com o PT. E assim sempre será, como dizia João Ubaldo: viva o povo brasileiro!

O Ciço

Veja o exemplo de Maceió. Ciço Almeida achava-se imbatível, campeão de votos. Vendeu ao PMDB os votos que não tinha e, por isso, foi apoiado pelos caciques do partido que não atentaram para a última eleição do ex-prefeito quando ele se elegeu deputado federal na lanterninha, no apagar das luzes.

Honestidade

Ciço achava que o povo já tinha esquecido do desastre que foi a sua administração, os escândalos da Máfia do Lixo, o favorecimento à especulação imobiliária, a falta de lealdade com seus auxiliares e o sucateamento nas áreas da saúde e educação. Achava que os mais carentes, os oprimidos, iriam correndo às urnas para reconduzí-lo à prefeitura. Caiu do cavalo. O maceioense entendeu que a praga da corrupção é responsável pela falta de comida na sua mesa, pela educação e saúde de má qualidade e pela falta de transporte público de qualidade e pela ausência de saneamento básico.

Lavada

O eleitor de Maceió também entendeu que Ciço não tem capacidade para administrar a cidade com honestidade e seriedade. Se lá chegou em outros tempos, deve-se principalmente à fraqueza dos seus concorrentes e o desgaste de seus antecessores que deixaram a cidade no caos administrativo.

Apoio

Rui deu uma demonstração inequívoca de como a honestidade pode vencer a desonestidade e a corrupção com a ajuda do povo ao vencer de lavada a reeleição para prefeito de Maceió. Respondeu a todos os ataques de Ciço com serenidade e segurança. Não deixou nada sem resposta. E diante de um programa eleitoral medíocre do seu adversário, deu a volta por cima e sagrou-se campeão de votos.

Choro

Ciço certamente vai chorar, como faz quando perde o controle emocional. Com esse fracasso nas urnas terá dificuldades para se recuperar e tentar se reeleger deputado federal, como ocorreu na última eleição quando chegou na lanterninha. Refeito da derrota, vai enfrentar os tribunais onde responde por vários processos de corrupção que vão desde a máfia do lixo à condenação dos taturanas. 

   

   

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