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26 de Setembro de 2018

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Edição nº 895 / 2016

01/11/2016 - 09:21:59

Caminhos complicados

Alari Romariz Torres

Vivemos num país cheio de matas, florestas, rios, mares, lugares paradisíacos. Mas os habitantes daqui inventaram o jeitinho brasileiro de ser, de resolver algo.

Quando alugamos uma casa num condomínio, o certo seria receber instruções de como são as regras determinadas pelas leis e pelo condomínio. E lá vamos nós, cheios de alegria e vontade de viver. Pessoas chegam de madrugada e ligam o som. Por mais que recebam reclamações, insistem no erro. Existem leis determinando a altura do som, mas poucos as respeitam. Esquecem-se os barulhentos que moram ali outras pessoas.

Já deixei de frequentar vários salões de beleza em Maceió. São formados grupos de clientes antigas. E beijinhos pra cá, beijinhos pra lá, elas passam na frente dos outros. Verdadeiro desrespeito.

As leis determinam que não se pode esperar tantos minutos nas filas de banco, principalmente idosos. De nada adianta! Se vamos reclamar, vem a resposta: “O banco nunca mais fez concurso; há poucas pessoas atendendo; culpa do governo!” E fica nisso mesmo.

Consultório médico é outro sofrimento: ou o doutor atrasa, ou a atendente protege os amigos. Se reclamamos, ele finge que nos dá razão, mas a atendente continua. Já deixei de ir a um clínico por causa disso.

Lojas de Maceió, grandes lojas, não têm caixas prioritários; ou se têm, nem sempre o funcionário está a postos em determinados instantes. Movimento fraco, respondem os outros atendentes da loja.

O funcionário público tem seu direito legal. Reclama administrativamente. A entidade tem trinta dias para responder. Quase nunca acontece. Há casos de processos que duram anos, anos e anos. E não é só no Poder Legislativo. Na Ufal, um professor me disse que seu processo dorme esplendidamente na sala de um companheiro de outro partido!

Seguir as leis, obedecer às regras, no Brasil é difícil. Se alguém precisa resolver algum problema num órgão público, deve procurar saber quem indicou o chefe de lá e logo conseguirá seu intento. Se for pelos caminhos normais, ficará a “ver navios”.

Há algum tempo atrás, tínhamos um apartamento comprado pela Caixa Econômica. O valor mensal subia assustadoramente. Tentamos resolver pelos canais competentes e não conseguimos. Descobrimos que um amigo nosso era o “dono da Caixa”. Falamos com ele e o problema foi sanado em 15 dias.

Certa feita, uma garota do interior passou num concurso de Defensora Pública. Na sua vez para ser nomeada, o chefe de Gabinete disse: “Você não vai ser aproveitada; fez o concurso da OAB, mas não recebeu o comprovante oficial; só o provisório”. A menina nova, inexperiente, ficou nervosa e foi chorar nos braços de uma promotora de quem foi estagiária. E eu, amiga da madrinha, tomei conhecimento, e tentei resolver o caso. A moça foi nomeada e descobrimos que o filho do chefe de Gabinete era o próximo da lista após a vítima.  

Estive num laboratório médico para meu marido fazer exames. A guia do plano de saúde veio errada e a atendente me disse: “Volte amanhã”. Fiquei irritada, ele estava em jejum há doze horas. Respondi então: “Não volto. Faça o exame e vou pegar nova guia”. Liga pra cá, liga pra lá e a moça disse: “Ele vai fazer o exame, mas se a guia não chegar até às 10 horas, os exames não serão analisados”. Tudo saiu como pedi e a guia voltou certinha, certinha.

Em nosso estado, em nosso país, nada ou pouca coisa se resolve pelos caminhos normais. É sempre necessário o jeitinho, falar com alguém, ligar para amigos.

A Justiça é lenta, os bancos só protegem quem tem muito dinheiro, os planos de saúde viraram SUS, os processos administrativos dependem do bom humor do chefe, a educação está cada dia mais fraca, a corrupção virou praga no Brasil, os direitos elementares do cidadão não são respeitados.

E lá vamos nós, velhinhos das Alagoas, sofrendo para resolver nossos problemas. E os atendimentos prioritários são lentos e desrespeitados.

Só Deus na causa!

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