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Edição nº 895 / 2016

01/11/2016 - 09:16:29

Campanha foi a mais ofensiva dos últimos anos

Rui e Cícero transformaram guia eleitoral e redes sociais em mar de lama

Odilon Rios Especial para o EXTRA

Ponto em comum nas campanhas de Cícero Almeida (PMDB) e Rui Palmeira (PSDB): esta foi a campanha eleitoral mais baixa dos últimos anos em Alagoas. O nível dos dois palanques afundou. Superou até a eleição de Fernando Collor e Ronaldo Lessa, quando ambos disputavam o governo em 2002 e a fama “República das Alagoas” dominou o noticiário nacional.

Desta vez, os muros locais filtraram o mar de lama da campanha para os jornais do Sudeste. Em compensação, os QGs das duas campanhas notaram que o eleitor desligava a televisão na hora do guia eleitoral. Era o aviso aos marqueteiros, que insistiam no mantra “quanto pior, melhor”.

Foi assim nos três debates deste segundo turno. O último deles será na TV Gazeta - e não se imagina que será diferente.

“Temos uma história, graças a Deus, muito bonita no rádio, na televisão e na política. A nossa biografia não vai ser rasgada por qualquer menininho que entra agora na política e queira fazer isso. Um garoto mimado não vai fazer isso não. Além de eu exigir dele o respeito, tenho uma credencial da população alagoana”, disse Cícero Almeida.

Ele foi para o tudo ou nada após o Palácio República dos Palmares desistir de trabalhar com o marqueteiro Adriano Gehres e seu conhecido estilo MMA ou Vale Tudo.

E percebeu-se no ex-prefeito - hábil na oratória - a submissão a um regime espartano. Preparado para uma guerra, cada vez mais suja e com menos regras de civilidade.

Rui não ficou para trás. O ex-prefeito foi chamado de mentiroso, capacho do governador Renan Filho (PMDB) e do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB). Renan-pai, aliás, foi chamado por Rui de “campeão de inquéritos” no Supremo Tribunal Federal (STF).

Cícero revidava: Rui escondeu as publicações do Diário Oficial; superfaturou remédios; o prefeito foi ouvido nas investigações da Operação Lava Jato “de forma sigilosa”. Falou ainda que o juiz Sérgio Moro vem a Alagoas após as eleições.

Rui foi à Justiça e conseguiu 165 minutos de direito de resposta contra o peemedebista: 79 inserções de um minuto de direito de resposta para responder às acusações de que estaria nas investigações da Lava Jato, mais 86 minutos nas acusações de superfaturamento de remédios.

“O povo altivo de Arapiraca deu resposta. O povo de Maceió dará resposta a Renan Calheiros e Cícero Almeida”, respondia o prefeito.

Disse que o deputado federal vai ser julgado em novembro; citou a máfia do lixo; o “portal transparência era vedado com película fumê”, referência ao site que o então prefeito criou mostrando os gastos de sua gestão.

Cícero Almeida respondia que não existiam processos contra ele; Rui, após a eleição, enviaria pacotão da Previdência para a Câmara de Vereadores.

“Tem que tirar você da Prefeitura”, dizia Cícero. “Vem aí o varre Rui”, atacava.

Rui falava que Cícero iria passar os dias no Baldomero Cavalcanti ou na Papuda, famoso presídio federal.

Disse que Cícero Almeida negligenciou as línguas sujas em Maceió; Cícero disse ter feito o projeto de desassoreamento da Lagoa. “Ninguém aguenta mais tanta mentira”.

“O povo está cansado das suas mentiras”, dizia Rui. “O senhor deveria se envergonhar. O senhor foi cobrador de ônibus e abandonou eles ao relento”, dizia, ao lembrar dos terminais de ônibus que Cícero, segundo Rui, tinha abandonado. “Difícil debater com o Cícero. Não tem argumento”; “deixou o sistema de transporte de Maceió esbagaçado”.

Cícero Almeida cita Abrahão Moura, prefeito de Paripueira, que é o articulador político de Rui. Fala em “empresa que é esquema de empregos dele [Rui] e dos vereadores”. Chama o prefeito de arrogante; Rui chama Cícero de arrogante.

OS INTERESSES

Vencer para cada lado agrega muitos interesses. Rui deve renunciar à Prefeitura daqui a dois anos, para disputar o Governo ou o Senado. Assume Marcelo Palmeira, enteado do senador Benedito de Lira (PP), que deve ir à reeleição para ajudar ao filho, o deputado federal Arthur Lira (PP). Ambos estão enrolados nas investigações da Operação Lava Jato.

Já Cícero Almeida tem como suplente Val Amélio (PRTB), filho do conselheiro afastado do Tribunal de Contas, Cícero Amélio. A família do conselheiro não emplacou representantes para a Câmara de Vereadores na capital.

O vice de Cícero Almeida, Galba Novais, pode ser trabalhado como candidato a prefeito apoiado pelos Calheiros. Galba, aliás, nas eleições de 2012 para a Prefeitura, foi o terceiro colocado, com 41.615 votos. Bem distante dos 230.129 de Rui Palmeira.

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