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Edição nº 894 / 2016

24/10/2016 - 17:50:15

Bem perto da liberdade

Jorge Morais

Recentemente, um tema comentado nesse espaço foi o comportamento do ex-ministro e amigo pessoal, homem de confiança e assessor mais direto e da maior confiança do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o famoso José Dirceu. Escrevi que este cidadão era um túmulo. Igualzinho ao seu chefe, nunca fez nada de errado, nunca se envolveu em esquemas - mesmo já condenado em alguns -, e como não fez delação premiada, não entregou ninguém e, calado, segue sua vidinha na cadeia.

Na oportunidade, cheguei a escrever que José Dirceu ficaria o tempo que fosse possível na cadeia e que, depois, passaria a usufruir da riqueza acumulada, fruto de desvios de verba em obras, sobra de campanhas, dinheiro sujo de empreiteiras e empresários, em nome de um partido que caiu em desgraça pelo país afora, comprovado com os resultados vistos nas últimas eleições.

Escrevi, também, que em pouco tempo, o homem de confiança do Lula estaria solto e passaria a viver uma vida de “rei”. Como sempre negou tudo e não fez a delação premiada que todos queriam e esperavam, José Dirceu não precisou devolver nada, guardou o seu “rico e suado dinheirinho” em um lugar que só ele sabe, para viver os seus dias de caviar em um futuro bem próximo.

Essa previsão feita, aqui, há poucos dias, começou a se concretizar. Um ministro do Supremo Tribunal Federal concedeu a José Dirceu a suspensão do restante de sua pena das acusações de desvios do Mensalão. Se José Dirceu não estivesse preso por outras acusações, estaria solto, em casa ou viajando, gastando o dinheiro por ele surrupiado. Dinheiro que poderia ter sido empregado na saúde, na educação, na segurança, no saneamento básico e em outros serviços públicos.

Como José Dirceu, o segundo na hierarquia da quadrilha que se instalou no Palácio do Planalto - o primeiro era o Lula -, está envolvido, e ainda não condenado, em quase todas as fases da Operação Lava Jato, vai continuar preso, porque é um túmulo, não abre o jogo e prefere ficar trancafiado agora a ter que devolver o dinheiro que roubou e a entregar a quem ele servia nesses esquemas durante tanto tempo e operações.

Agora, só falta se livrar das últimas acusações, que não deve demorar muito. Será ou já foi condenado, cumpre as penas impostas pela justiça e, depois, sai pela porta da frente, sorrindo, levantando o braço direito com punho fechado (marca e gesto dos petistas), se achando um homem perseguido, isolado pelos companheiros e, ao mesmo tempo, um herói que não entregou ninguém, não disse quem presta e quem não presta nessa história toda e vai para casa curtir a vida junto com dinheiro guardado.

Como já sei o capítulo final dessa história, que mais parece a novela das 8h, longa e às vezes enfadonha, mesmo achando que o caminho é esse mesmo, vamos continuar apostando e torcendo pelo trabalho duro e sério do juiz Sérgio Moro e da Polícia Federal. Pelas últimas notícias, o foco vai sair do PT, até porque todos já foram citados ou indiciados, inclusive Lula e Dilma, agora novos personagens deverão fazer parte desse enredo nos próximos capítulos.

Durante toda a semana, a mídia nacional deu destaque às futuras investidas que podem chegar a personagens e figurões do PMDB e do PSDB, hoje os dois mais importante partidos políticos da Nação. Acredito que vai chegar a muita gente. As denúncias são bem parecidas com as que estamos acostumados a acompanhar pelos noticiários. Recursos públicos desviados para campanhas em todos os níveis, enriquecimento ilícito e a mesma desculpa: tudo foi declarado à justiça eleitoral.

Que foram declarados, ninguém tem dúvida disso, mas o que o juiz Sérgio Moro quer continuar investigando é como esse dinheiro chegou aos partidos e candidatos; de onde foi desviado; quem participou dos esquemas; quem pagou a quem; o que é certo e o que chegou atravessado. Esse é o X da questão toda para a justiça. Fora disso, é jogar conversa fora.

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