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Edição nº 894 / 2016

24/10/2016 - 17:45:38

Sempre com o poder, desde quando o Brasil tinha rei

Desde o trisavô de rui, os Soares Palmeira sobreviveram a todas as mudanças políticas no país

Odilon Rios Especial para o EXTRA

O guia eleitoral de Rui Palmeira (PSDB) explora o “modelo perfeito” de família na cabeça do brasileiro. Rui, um jovem rico, branco, com ascendentes familiaresigualmente ricos e brancos, construindo herdeiros e um futuro na política que vai sendo projetado a partir da Prefeitura de Maceió, parecendo um caminho natural ou óbvio: o Governo de Alagoas.

Não é apenas um modelo ou uma obviedade. É confirmado na prática. Apesar do discurso do “novo” na política alagoana, Rui segue uma lógica exposta por Belchior (“Ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais”). Neste caso, avós, bisavós, trisavós. Ele é herdeiro de uma família que tem envolvimento direto na política local e nacional sempre ao lado do poder e desde quando o Brasil estava nas mãos de um rei: Dom Pedro II.

É um ciclo de 158 anos quase ininterruptos na política alagoana, contando apenas os ascendentes diretos do atual prefeito (excluindo tios e primos). É tanto tempo que o primeiro “Soares Palmeira” registrado na política alagoana¬-trisavô de Rui¬ virou deputado provincial, em 1858, quando o Brasil nem era governado por um presidente da República, mas um rei: Dom Pedro II.

E foi pelas mãos de Dom Pedro que Miguel Soares Palmeira, dono do Engenho Prata, em São Miguel dos Campos, comendador, virou o “Barão de Coruripe”, em uma época em que os títulos significavam prestígio social, acesso direto ao imperador, e, por isso, comprados a peso de ouro. Para isso, bastava a posse de terras e uma fortuna em dinheiro.

O barão nasceu em 1830. Aos 28 anos, virou deputado provincial. Preparou um dos seus herdeiros: o bisavô de Rui, Miguel Soares Palmeira Júnior, filho do barão, que, já na República, estava à frente do Partido Democrata, seguindo a tradição do pai, um ex-senhor de escravos, dono de engenho.

O passado escravagista, porém, teimava em manchar a honra dos Soares Palmeira.

O Gutenberg, de 21 de agosto de 1887, traz uma denúncia contra o barão: ele tinha uma escrava, com dois filhos e dois netos dela, sem proclamar a liberdade deles.

A resposta veio no jornal O Orbe, edição de 2 de setembro de 1887, que publicou artigo de Miguel, o bisavô do atual prefeito: a preocupaçãodele para que a abolição no Brasil (que aconteceria um ano depois, em 13 de maio de 1888) não virasse “anarquia” mas uma “causa da abnegação, de verdadeira caridade”.

Já na Republica, proclamada com a queda do ex-aliado na política, o imperador, os Soares Palmeira se adaptaram aos “novos tempos”.

Em 12 de setembro de 1894, o Gutenberg traz uma ata de uma reunião do Partido Democrata, presidido por Miguel Soares Palmeira, o bisavô de Rui, fechando uma questão: o apoio do partido ao candidato ao Governo, o Barão de Traipu, e do vice-governador, o coronel José Vieira de Araújo Peixoto.

No mesmo ano, ele foi eleito deputado estadual, ao lado do futuro governador Euclydes Malta.

Entre os filhos de Miguel nasceu Rui Soares Palmeira, em São Miguel dos Campos (2 de março de 1910). Também foi preparado para ser um vencedor na política.

Em 1940, o Departamento Municipal de Estatística da Prefeitura de Maceió publica relatório mostrando onde estava o avô de Rui: secretário da municipalidade, quando Alagoas tinha um interventor federal: Osman Loureiro. E o prefeito da capital era Eustáquio Gomes de Melo.

Disputou o Governo em 1947, mas perdeu para Silvestre Péricles. Não deixou a política. Três anos depois, virou deputado federal; em 1954, senador. Disputou novamente o Governo, contra Muniz Falcão, e perdeu a votação.

O avô de Rui chegou a ser senador e fundador do diretório estadual da UDN, com o fim do Estado Novo (acabou em 23 de outubro de 1945; o Brasil era governado por Getúlio Vargas).

Antes de morrer, em 1968, aos 58 anos, Rui Palmeira preparou dois homens para a política: Vladimir Palmeira (líder em 1968 da passeata dos 100 mil, maior protesto contra a ditadura logo após o golpe, em 1964) e Guilherme Palmeira.

Guilherme- pai do prefeito Rui- entrou na política no mesmo ano da morte do pai. Nem morava em Alagoas. Antes de ser preparado para ser um vencedor em Alagoas, morava com a família pelas bandas do Rio de Janeiro (formou-se em 1963 em Ciências Jurídicas pela Universidade Federal do Rio de Janeiro); de volta a Alagoas, em 1966 foi eleito deputado estadual pelo Arena, partido que apoiava o regime militar. Seguiu-se reeleito em 1966, 1970 e 1974, indicado governador (não havia eleição) com ajuda de Divaldo Suruagy, poderoso nome dos militares em Alagoas, em 1978, tendo como aliado o senador Arnon de Mello. Guilherme, em paga, ajudou a indicar um jovem Fernando Collor como prefeito de Maceió.

Guilherme Palmeira foi prefeito de Maceió, governador de Alagoas, senador, ministro do Tribunal de Contas da União.

Na ditadura, Guilherme e Divaldo Suruagy davam as cartas políticas em Alagoas. Guilherme mandava na Arena. Depois, a Arena virou PFL, e Guilherme seguiu a mudança. O ciclo de Guilherme encerrou-se em 1997, no TCU.

Foi quando os Soares Palmeira voltaram para a política, com Rui, dez anos depois, em 2007, na Assembleia Legislativa. 

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