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18 de Setembro de 2018

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Edição nº 894 / 2016

20/10/2016 - 20:00:44

Cícero Almeida aposta em milagre; Rui segue em vantagem

Ex-prefeito acredita em virada nas ruas; tucano encarna imagem da ‘família perfeita’

Odilon Rios Especial para o EXTRA
Faltando pouco mais de uma semana para a votação, Cícero luta para reverter vantagem de Rui

Apenas um milagre pode salvar a campanha de Cícero Almeida (PMDB) que, de acordo com os números do Ibope, está a 29 pontos percentuais de Rui Palmeira (PSDB), um jovem que encarna o ideal da família perfeita: rico, branco, belo aos 40 anos (parecem menos), casado com a linda Tatiana, dois filhos-herdeiros dos bens e do sobrenome “Soares Palmeira”, tradicional desde quando o Brasil era governado por Dom Pedro II.

É hoje o principal rival do governador Renan Filho (PMDB) ou mesmo do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB), que conhece tudo e todos e pode ter em Rui um rival à altura em busca de sua vaga ao Senado, em 2018.

Enfrentar Rui tem sido uma tarefa difícil para Cícero Almeida, um homem divorciado, que mostra pouco a família (foi avô recentemente), não tem sobrenome aprovado pela elite alagoana, mas foi duas vezes prefeito e ao sair da chefia do Executivo, em 2012, tinha mais de 80% de aprovação, mas sem conseguir eleger seu sucessor, Ronaldo Lessa, que teve o registro de candidatura negado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Revolta

Quando a TV Gazeta divulgou o resultado do Ibope, no dia 17, o QG de Cícero Almeida revoltou-se. “O que vemos nas ruas é diferente do que apontam os números da pesquisa”, disse um dos aliados de Cícero.

Estranho é que os almeidistas aguardam uma surpresa nas eleições, semelhante à que aconteceu em Arapiraca, na vitória de Rogério Teófilo (PSDB). Apoiado pelo ex-governador Teotonio Vilela Filho (PSDB), ele venceu o deputado Ricardo Nezinho (PMDB) - incapaz de explicar a própria presença na vida pública. E Nezinho era apontado por todas as pesquisas como vitorioso nas urnas. Dormiu prefeito; e acordou na sarjeta da política.

O deputado era apoiado pelos Calheiros - ou melhor, pelo vice-governador Luciano Barbosa (PMDB), aliado desde sempre de Célia Rocha (PTC), a prefeita que deixa a vida pública para entrar na história dos gestores impopulares, fracassando no combate à crise devastando todas as cidades (e o prestígio dos prefeitos).

O milagre que elegeu Rogério é esperado para Cícero.

Devoto de “Nosso Senhor Jesus Cristo”, como sempre repete, o ex-prefeito tem retirado o herói do Cristianismo de seus discursos. Tarefa para seu marqueteiro, Adriano Gehres. A devoção quase infantil lotou as redes sociais com memes dizendo que a praia de Pajuçara foi obra de Cicero, não de Deus; ou o Coliseu romano também foi obra do ex-prefeito.

A devoção fez Cícero confundir-se com Jesus. Para desmontar uma possível arrogância, fala menos do Além e mais do concreto: Jesus foi citado uma única vez no debate da TV Pajuçara esta semana - o primeiro confronto entre os dois candidatos neste 2º turno.

Ibope

A mais recente pesquisa oficial para a Prefeitura de Maceió é a do Ibope, divulgada no dia 17 pela TV Gazeta.

Na espontânea, mostra que Cícero tem 24% dos votos contra esmagadores 51% de Rui.

Cícero tem mais votos entre eleitores mais jovens, entre 16 e 24 anos; Rui tem mais vantagem entre os mais velhos - acima de 65 anos. Explicação para isso pode estar na presença do pai, o ex-governador Guilherme Palmeira, na campanha, e possíveis eleitores da era Guilherme.

Maioria dos eleitores de Cícero tem ensino médio; os de Rui, até a 4ª série do Ensino Fundamental.

Interesses                     em jogo

A vitória de Rui Palmeira ou Cícero Almeida carrega muitos interesses nos dois lados.

Rui deve renunciar à Prefeitura daqui a dois anos para disputar o Governo ou o Senado. Assume Marcelo Palmeira, enteado do senador Benedito de Lira (PP), que deve ir à reeleição para ajudar ao filho, o deputado federal Arthur Lira (PP). Ambos estão enrolados nas investigações da Operação Lava Jato.

Biu de Lira e Rui têm uma ponte em comum, no mundo dos negócios. É Givago Tenório, suplente de Biu, um milionário, representante dos usineiros, sobrinho de João Tenório, um dos sócios do Sistema Pajuçara de Comunicação (Rede Record em Alagoas). A família de Rui também é sócia do Sistema Pajuçara.

Benedito de Lira tem 74 anos. Se vencer as eleições ao Senado, terá 76, concluindo o mandato aos 84 anos, hipótese quase remota, abrindo espaço para Givago, assim como seu tio, o João, que ficou com a vaga de Teotonio Vilela Filho quando ele ganhou as eleições ao Governo de Alagoas, em 2006.

Já Cícero Almeida tem como suplente Val Amélio (PRTB), filho do conselheiro afastado do Tribunal de Contas, Cícero Amélio. A família do conselheiro não emplacou representantes para a Câmara de Vereadores na capital.

Em ação que pede a troca de relator, no Tribunal de Contas, na análise das contas de 2007 (quando era prefeito) Cícero Almeida (PMDB) admitiu a existência de um acordo entre ele e o conselheiro afastado do TC, que passa pelas eleições em Maceió. Segundo Almeida disse na ação, a briga entre os conselheiros do TC, Anselmo Brito (atual relator das contas do ex-prefeito) e Cícero Amélio prejudicava o filho dele, Val Amélio, hoje suplente de deputado federal.

O vice de Cícero Almeida, Galba Novais, pode ser trabalhado como candidato a prefeito apoiado pelos Calheiros. Galba, aliás, nas eleições de 2012 para a Prefeitura, ficou em terceiro colocado, com 41.615 votos. Bem distante dos 230.129 de Rui Palmeira.

Porém, a força de Renan Filho e Renan-pai pode ser um divisor de águas (se Cícero Almeida ganhar as eleições no dia 30 de outubro, hipótese quase improvável).

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