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17 de Novembro de 2018

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Edição nº 893 / 2016

17/10/2016 - 18:13:16

Deus não quis!

CLÁUDIO VIEIRA

Certa feita, filho de um candidato derrotado nas eleições em Alagoas indagou-me sobre a razão de havermos perdido o pleito. Respondi-lhe, sem delongas: porque o adversário ganhou!

A resposta, propositadamente simplória, era misericordiosa naquele momento de desencanto, pois, na substância dizia: porque fomos incompetentes; porque o nosso candidato não tinha propostas sérias e viáveis, e se as tinha, não convenceu; porque o povo não quis!

Eleições sempre me fazem voltar à memória aquele acontecimento. Esse pleito que acaba de encerrar o seu primeiro turno não foi diferente, com algumas especialidades. O candidato Cícero Almeida, pretendendo influir na população que considera menos esclarecida, sacou do seu bornal declaração que sempre faz, para justificar as suas pretensões: Deus me escolheu!

Sobre ser isto certa maluquice, e independentemente de o candidato do PMDB revelar nuanças de mitomania, é sem dúvida um grave pecado, um sacrilégio, um desrespeito ao 3º Mandamento do Senhor, que proíbe usar o nome de Deus em vão.  Aliás, não só ele comete esse pecado, mas todos aqueles que, para amealhar votos, fingem-se contritos, obedientes devotos a Deus e aos santos à luz do Sol, enquanto nas sombras da noite corrompem e são corrompidos, usam o erário em benefício próprio, roubam o Estado e a Nação.

Deus, afinal, deixou bem claro não o ter enviado em especial e exclusiva missão nesta Terra, mais do que enviou a todos nós, que somos Seus filhos por igual. A pífia votação que mereceu, apesar dos apoios poderosos – alguns dizem que negativos - do governador e do presidente do Senado Federal, demonstram claramente que o Senhor Deus não pretendeu impor castigo a Maceió, punindo apenas o apóstata, embora, em Sua Grande Misericórdia, tenha-lhe concedido uma segunda chance de penitência com um próximo segundo turno.

O resultado das eleições em Maceió – voltemos às coisas terrenas – propiciando ao prefeito Rui Palmeira substanciosa votação, embora não lhe tenha permitido a reeleição em primeiro turno, é prenunciadora da vontade do povo que, segundo o provérbio popular, é também a voz de Deus. E essa voz do povo castigou o candidato Cícero Almeida, impondo-lhe a humildade que deveria ser virtude de vida de quem se autoproclama temente a Deus.

Perder no segundo turno servir-lhe-à de catarse.


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