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16 de Novembro de 2018

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Edição nº 893 / 2016

17/10/2016 - 18:01:45

Ninho vazio

Alari Romariz Torres

A vida é um caminho difícil de percorrer. Dividida em fases, vai nos mostrando que há momentos felizes e outros difíceis, mas somos marcados pelos encontros e desencontros de vários anos. 

 Quando casamos, começamos a planejar nossa vida, imaginando um futuro sempre promissor, mas nem tudo é como queremos.

Meu período mais difícil foi a saída dos filhos para estudar e trabalhar, o que chamamos de “símbolo do ninho vazio”. Por mais de vinte anos dizia a mim mesma: “Estou preparada; criei filhos para a vida”. Mas a realidade é bem diferente.

Eles, os filhos, vão para outras cidades, casam com pessoas de costumes diferentes e, quando percebemos, viram pessoas estranhas.

Certa feita, ouvi de um filho: “Mãe, faz vinte anos que saí de casa; sou outra pessoa”. Assustada, respondi: “Mas não deixou de ser meu filho”. Na realidade, é outra pessoa totalmente modificada.

Não existe alegria maior para uma mãe do que o dia em que nasce sua criança. Nunca perguntei se era homem ou mulher, mas se vinha com saúde.

Eles vão crescendo, estudam, se formam e casam. Isto quando tudo corre normalmente. E, a partir daí, vão cuidar de sua família.

Posso dizer que sou uma mulher feliz; tive quatro filhos, mas, com 25 anos de casada, saíram todos, ficamos eu e meu marido. A sorte é que me voltei para o trabalho, para o sindicalismo e me ocupei bastante. Administrei bem o ninho vazio.

Conheço, entretanto, amigas que ficaram sós, umas viúvas, outras separadas e não souberam administrar a saída das crianças. Importante é que os agregados (genros e noras) sejam boas pessoas e procurem conviver bem com a nova família. Mas, nem sempre, tal fato é verdadeiro.

Uma amiga de longos anos veio me contar que nasceu o primeiro neto. “Estou indo todos os dias ajudar minha nora a cuidar do bebé”. Ri e aconselhei a criatura que se afastasse um pouco para evitar constrangimento. Eufórica com o netinho, não me ouviu. E, um belo dia, ouviu um pedido do filho para diminuir as visitas a sua casa. Entrou em depressão, brigou com a nora e deixou de ver o neto.

Outra ideia assustadora é o filho não ter condições de sustentar mulher e neto e ir morar na casa dos pais. Dificilmente dá certo! São hábitos diferentes e o amor filial não é idêntico ao amor do casal. Como a corda só quebra do lado mais fraco, sobra para a mãe a decisão da separação.

Quando o casal fica velho, os filhos começam a se assustar e querem morar juntos. Triste solução! Idoso é uma pessoa diferente: as pernas ficam fracas, a vista encurta, a surdez aparece, o sono encolhe. Só dá certo o casal continuar como antes; um administrando as dificuldades do outro. Os dois se entendem!

Viajei com a família de minha filha mais velha umas três vezes. Procurava não incomodar, não aborrecer e foi muito bom. Mas havia alguns programas que não acompanhava mais. Ficava no hotel, o fôlego era curto. Em São Paulo, o ônibus nos esperava para irmos a São José dos Campos. “Corra mãe”, dizia ela. E eu, sem poder correr, avisava: “Não posso, deixe o ônibus ir”. Rimos muito com a “Velhinha das Alagoas” de pernas amarradas.

Quando o casal tem a sorte de poder viver em sua própria casa é uma maravilha. Mas quando a doença aparece é demais. Algumas amigas estão caducando, ou o “alemão” perturbou o seu cérebro. Aí, amigos, viram verdadeiras crianças, perdem a noção do tempo e se esquecem de suas verdadeiras identidades.

Uma grande amiga minha tinha 4 filhos, ficou viúva e resolveu morar com a filha casada, que já tinha duas crianças. Diz ela que é muito bom; não alterou sua vida e se dá muito bem com a filha e com o genro. Que legal!

Queridos leitores, há dois tipos de ninho vazio: quando nossos filhos vão embora e quando as dificuldades da vida obrigam os velhinhos a abandonarem seus lares para conviverem com outras famílias. Duas fases difíceis!

Mas, como o segredo da vida é administrar problemas e tentar ser feliz, precisamos pedir a Deus que amanse nossos corações para aproveitarmos bem nossa passagem pela terra.

Só Deus na causa!

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