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24 de Setembro de 2018

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Edição nº 893 / 2016

17/10/2016 - 17:56:11

Educação como produção de riqueza

FERNANDO LIRA

O Brasil demorou muito a reconhecer que a saída da pobreza passa necessariamente pelo massivo investimento em educação de qualidade. Quando o mundo desenvolvido demonstrava a olhos nus que sua riqueza, extraordinária, tinha no seu núcleo de orientação o investimento em educação, o País tinha dificuldade de enxergar que o modo de produção global estava fundamentado na educação, pois só ela, com o poder de gerar novos conhecimentos, é capaz de produzir riqueza em abundância e, em consequência, erradicar a pobreza.

 Assim, esse reconhecimento tardio teve consequências desfavoráveis ao país, pois, a baixa produtividade da economia associada à pouca qualidade da mão de obra não permitiu que seu parque industrial, e particularmente o setor de serviços, tivesse aumento significativo da produtividade, bem como redução dos custos e diversificação dos produtos consumidos e exportados; que lhe permitisse aumento constante da riqueza e, por consequência, a melhoria das condições gerais e específicas de vida de sua população. 

Nessa perspectiva, essa visão atrasada no tempo e no espaço gerou um longo ciclo econômico pouco competitivo, frágil, que produziu posto de trabalho de baixa qualificação, inibindo a mobilidade social e, por conseguinte baixa redução da pobreza. Associado a isso, veio a concentração de renda a ausência de emprego de qualidade, a convivência pouco civilizada e a baixa qualidade das lideranças locais, regional e nacional. Nessa perspectiva, a economia nacional é incapaz de reduzir a brutal concentração de renda para a formação de uma ampla classe média.

A classe média que rompe com as barreiras da ignorância é de origem patrimonialista e não assalariada e o faz com investimento pesado em educação dos membros de sua família. Já os que vivem de renda do salário, mergulhados na ignorância, permanecem pobres sem futuro. Essa situação está especialmente presentes nas regiões Norte e Nordeste onde a educação pública carece de investimento de grande monta.

Dados consolidados do IBGE mostram claramente que o Nordeste brasileiro não deu a mesma atenção à educação dada pelo Sudeste do país, fazendo da educação um instrumento de produção de riqueza, ao passo que o Nordeste permanece na extração de riqueza pura, simples, rude, mau gerenciada e, portanto, gerando a pobreza de dimensão insustentável.

Essa distância da qualidade de vida entre o Nordeste e o Sudeste vem aumentando com o aprofundamento do processo de globalização cuja produção está ancorada no conhecimento produzido pela educação de excelência. 

As experiências globais demonstram que os investimentos produtivos são atraídos para os países cuja base educacional faz parte do seu principal eixo de progresso: sua mão de obra qualificada tem, entre tantas outras habilidades, o dever de dominar duas línguas e as operações básicas de computação. Aqueles que não possuírem esse nível de instrução estão fora do mercado de trabalho e é considerado analfabeto estrutural.

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