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14 de Novembro de 2018

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Edição nº 892 / 2016

10/10/2016 - 17:22:21

Grandes elefantes, pequenos ratos

Alari Romariz Torres

Faço tudo para não escrever sobre a Assembleia Legislativa de Alagoas, mas a Mesa Diretora insiste em perseguir servidores inativos e burlar a lei.

Vocês devem estar lembrados do antigo ministro Paulo Bernardo, esposo de uma senadora do PT, que foi preso porque ganhou dinheiro enganando os inativos da área federal, trambicando com empréstimos sob consignação. Pois bem, em Alagoas há casos semelhantes e os criminosos estão soltos.

Existe um convênio firmado entre a Assembleia Legislativa de Alagoas e a Caixa Econômica Federal, cujo objeto é o duodécimo da ALE/AL ser depositado num dos bancos oficiais, isto é, a Caixa. Os servidores e deputados podem tirar empréstimos e o pagamento é descontado no salário das vítimas.

De vez em quando, ocorre um fato curioso: o valor sai da renda mensal e não chega à conta do banco. Ou seja, a Mesa Diretora fica com o dinheiro. Aí os pobres coitados começam a receber cobranças pelo telefone. Quando o fato está consumado, os dirigentes começam a negociar coma Caixa.

As soluções são as mais variadas: bloqueio da parcela já descontada na conta corrente do servidor ou o último pagamento passar a ser o penúltimo no contrato assinado; e mais um desconto aparece. Então, claro, os servidores pagam mais uma prestação e o banco conveniado aceita a maracutaia. O que foi descontado e não repassado, fica com a Mesa Diretora.

A mais recente negociação foi feita com os aposentados: no primeiro mês que foi repassada a folha dos velhinhos para o Alagoas Previdência, o 1º secretário não pagou as consignações. No mês seguinte, a Previdência, obedecendo à lei aprovada pelos deputados, começou a reter os valores consignados e pagar os empréstimos com um mês de atraso. O velhinho fica recebendo ligações de cobrança de um dinheiro que já saiu de seu salário. Mais uma vez, a Mesa Diretora segura o que não é dela

O problema deve ser levado à presidência da Caixa Econômica em Brasília.

Isto está sendo feito, também, com a Unimed. Existe uma dívida na empresa que já foi paga pelos inativos e não foi devidamente repassada. O companheiro que administra nosso plano de saúde já está com os cabelos brancos de tanto tentar resolver o caso.

Eu pensei que a mente fértil para o mal era da Mesa anterior, mas a atual está sendo muito mais sabida do que ela.

No mês de setembro foram pagos os 4,3% de um acordo judicial. Correram boatos de que não seriam pagos por culpa do sindicato. O impasse foi resolvido, mas, misteriosamente, 157 inativos não receberam o “enorme reajuste”. “Culpa da Elógika (firma que confecciona os contracheques); vão ser pagos no mês seguinte”, diz a Mesa. Tudo mentira! Foi de propósito para sobrar dinheiro.

Um companheiro, do quadro efetivo, lotado no gabinete de um parlamentar, não recebeu o terço de férias. Foi ao “seu deputado” pedir solução. Resposta: “Não posso; sairá da minha cota”. 

E os absurdos vão acontecendo: salários cortados, salários sumidos, descontos efetuados não repassados, férias pagas de maneira completamente errada, processos retidos na mesa do 1º secretário. É um susto atrás do outro! O pagamento do salário é motivo de apreensão! Ninguém sabe o que vai acontecer naquele mês! Não conseguimos viver em paz!

O Ministério Público Estadual tem lutado fortemente para punir os culpados, mas a Justiça é lenta! E os dirigentes continuam cometendo erros gravíssimos! As ações judiciais se sucedem contra a Assembleia Legislativa de Alagoas, entretanto, aparecem sempre estratégias deles para retardar o cumprimento das leis.

Sentimo-nos, nós, servidores do Poder Legislativo de Alagoas, pequenos ratos sendo esmagados por grandes elefantes!

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