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14 de Novembro de 2018

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Edição nº 891 / 2016

07/10/2016 - 06:27:19

Educação como ilusão

FERNANDO LIRA

A educação que vamos tratar aqui não é aquela que, entre tantos fatores, considera a expectativa e a perspectiva de vida no território vivenciado, a exemplo da França, Alemanha, EUA, etc. Na verdade, não se poderia chamar de educação, no sentido mais amplo, visto que não considera a formação para o mercado e tampouco para a vida, ou seja, não ensina entender a resolver problemas passados, presentes e futuro, simples e complexos. Nesse sentido, estamos falando de uma modelo elitista de educação integradora para alguns e excludente, para outros. 

Para os pobres, são práticas de ensino celebradas de forma incompleta, de conteúdo frágil, onde o saber não está inserido, em qualquer contexto que permita enxergar a realidade, se constituindo, portanto, em verdadeiro exercício de ilusão e de atraso mental. Já para os ricos, são moldadas à excelência do mercado para posição superior no sistema produtivo capitalista. E os pobres? Continuaram pobres formados, porém excluídos.

Engessados por esse modelo mercantilista, não são poucos os formados que praticamente perderam sua infância, adolescência e quase toda sua juventude ao frequentar os estabelecimentos educacionais, sentados em cadeiras fixas, a perder tempo em apreender o lá, lá, lá..., que ele não reconhece, mas é obrigado a colocar na mente, e o faz na forma mais triste, que é decorando. Pois, não sendo objeto do exercício da realidade vivida, ele decora ilusões exigidas apenas na avaliação, ou seja, na chamada prova. 

Prova essa, que não tem qualquer semelhança com a realidade dura e complexa, que a própria mente no exercício e necessidade de saber mais, nas suas diversas formas de manifestação, expulsa o que realmente foi decorado, porque em lugar disso, deseja colocar conteúdos mais palpáveis.

Essa educação em uso no território nacional, particularmente no Nordeste e especialmente em Alagoas, ocorre por falta absoluta de um método e condições gerais e específicas de ensino que exercite as mentes infantis, infanto-juvenil e jovem no enfoque crítico fundamentado na realidade do conhecido, sem expressar estranheza diante do desconhecido e tampouco transformá-ló em bicho de sete cabeças, numa demonstração equivocada e atrasada diante do desconhecido e da sociedade científica como um todo.

Transformar o seu conteúdo em bicho de sete cabeças, a ser analisado pelo professor, significa dizer, que só poucos alcançaram o privilégio de conhecer os seus movimentos e segredos e a maioria pobre continua ignorante. Nesse sentido, foram criadas nas modalidades: de pré-escola, de fundamental, de colegial, e de Universidade, uma pequena fração de estabelecimentos de excelência para acomodar os privilegiados, chamados de bem dotados, também, de inteligência genial ou superdotados ou gênios, e excluir os menos dotados. Em outras palavras, os alunos de alto poder aquisitivo terão escolas de excelência, e para os pobres, escola de má qualidade, desestruturadas, e conteúdo apostilado para ser decorado, numa demonstração de ausência da essência do saber, comprovadas nas apostilas que o MEC faz crê que são livros raros e a escolha leva a culpa de desqualificada.

Não é difícil encontrar alguém formado nessas escolas, cujo diploma não é grife para sua apresentação social, no mercado de trabalho, e ou até mesmo para concorrer a um nível mais avançado em cursos de especialização, mestrado e doutorado de outras instituições. Assim sendo, criam seus próprios mestrados e pasmem! Até doutorado. Nessa ilusão, continuada, não há apenas perda de tempo, mas, sobretudo decepção, desesperança e sonho não realizado, e, mais, fica a impressão que o culpado é o aluno, pois quem faz a escola é você.    

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