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21 de Setembro de 2018

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Edição nº 891 / 2016

07/10/2016 - 06:23:30

Quem tem medo dos pardais?

CLÁUDIO VIEIRA

Pode parecer estranho para grande maioria dos leitores, mas deleito-me assistindo ao programa eleitoral gratuito, mesmo que veja como desnecessária essa benesse que o Estado brasileiro concede aos políticos. Ao meu deleite, não se diga que dito programa é necessário à democracia, pois oportuniza aos candidatos a revelação das suas propostas de governo. Esse é malvado engodo, porquanto, salvo raras exceções, o que menos se vê ali são propostas, e menos ainda as sérias.

Sendo pessoa que gosta de aprender, mesmo quando não se pode “tirar leite de pedra”, diligencio, no período eleitoral, para não perder aqueles momentos de invasão às casas dos eleitores. Nesta eleição, alguns candidatos têm feito a minha alegria, face as bobagens que produzem. Um deles, em particular, argui contra o atual prefeito, candidato à reeleição, a implantação de pardais e limitação de velocidade na Fernandes Lima. Para mim, só pode ser falta do que dizer, de propostas a apresentar. Afinal, os ditos pardais são inegáveis benefícios à cidade e aos cidadãos, e se causam multas àqueles motoristas que transgridam a lei, fá-lo muito bem e, ao contrário da estapafúrdia opinião do ilustre pretendente ao cargo de prefeito, merece elogios por trazerem um pouco mais de segurança à população. Há muito mais obras a testemunharem a seriedade currículo do atual prefeito, o que certamente o credenciam ao voto da reeleição. 

Bobagens iguais à do combate aos pardais ouve-se amiúde nesse tal horário eleitoral gratuito, e como disse antes, quase não serve ele às proposições sérias. 

A quem me vê escrever sobre a minha dedicação em assistir o horário eleitoral, certamente há de se indagar porque o faço. Como já disse, sou aprendiz contumaz. Vou além: tenho a esperança de encontrar mais políticos sérios, com proposições também sérias, para que eu possa gritar mais vezes o meu EUREKA! Espero, também, que, pelo voto, possamos implantar a verdadeira reforma política de que o Brasil precisa, elegendo mais políticos honestos, execrando os mercadores do templo, aqueles que pelo seu comportamento rapineiro desmerecem o voto. Esses são aqueles que mais se adjetivam de honestos; mais se apresentam contritos e tementes a Deus, engambelando o povo crente com uma religiosidade que não possuem. O tipo faz-me pensar no sermão do Bom Ladrão, proferido pelo Padre Antônio Vieira, em 1655, quando o grande orador sacro implorou ao Rei dos Reis para que inspirasse os reis (em nosso caso, o Povo) a não elegerem ladrões, impedindo os furtos futuros. Essa parte da proposta de Vieira em tal sermão compete a nós, pois a outra, aquela em que prognostica que aos ladrões deve ser exigida a devolução dos furtos passados, a medida deve ser atribuída à Lava Jato e a outras prenunciadas.

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