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19 de Setembro de 2018

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Edição nº 891 / 2016

07/10/2016 - 06:22:28

Um pastoril diferente

Alari Romariz Torres

Tenho acompanhado o guia eleitoral pela TV em Maceió e me divirto com as promessas dos candidatos.

São dois partidos principais: o do Rui e o do Cícero. Cada um mais engraçado do que o outro. Parece um pastoril das festas natalinas.

A mestra é o Rui (apesar do uso da cor azul): fala como uma pequena criança, com cara de choro, mas se utiliza de boas músicas e uma boa estratégia. Mesmo sendo jovem, está cercado de velhos políticos, unidos contra o clã dos Calheiros.

O Biu de Lira, padrasto do vice, empenhou-se de corpo e alma na campanha do 45, apesar de parecer amedrontado com as denúncias que correm na mídia contra seu partido, o PP, nas delações da Lava Jato.

O Nonô, secretário de Saúde do Município, é outro padrinho do jovem prefeito. Meio decepcionado com pleitos anteriores, tem boa visão política, faz um bom trabalho na sua pasta, mas não é simpático e se julga o mais inteligente do grupo. Tem uma vantagem: nunca se envolveu em escândalos; apoiado pelos usineiros, controlava bem as finanças de suas campanhas.

O Téo saiu do governo meio desgastado, vive perseguido por alguns processos, mas apoia o Rui com o olhar nas próximas eleições. 

Ronaldo Lessa, ex-muita coisa (vereador, deputado estadual. prefeito, governador), hoje deputado federal, foi bem votado nas eleições passadas, mas também sofre os fantasmas de alguns processos.

O pai do Rui, Guilherme, político remanescente da época Suruagy, exerceu vários cargos políticos e se aposentou como ministro do Tribunal de Contas da União. Tem uma grande qualidade: sabe ser amigo dos amigos.

Esse grupo todo se juntou para apoiar o Rui, puxando votos para o cordão da mestra; tornou-se uma grande salada política, que está dando certo.

A contra-mestra do pastoril (cores azul e amarelo) é o Cícero 15. Ganhou o apoio dos Calheiros, que se posicionaram contra tudo e contra todos. 

O “Ciço”, assim chamado pelo povo, é deputado federal. Já foi vereador, deputado estadual e prefeito de Maceió. Seu calcanhar de Aquiles são os processos que o perseguem: o da “Máfia do Lixo” e dos “Taturanas”. Não foi um mau prefeito, pois resolveu um dos problemas crônicos da cidade: o Lixão. Não solucionou o Salgadinho, mas é querido pelos servidores municipais. Apoia-se inteiramente no Renan Filho, pois já visualizam os dois as eleições de 2018; isto é, se o Rui ganhar, será o opositor do jovem governador no pleito.

A Diana do pastoril está dando dor de cabeça à mestra e à contra-mestra: é o JHC. Político moço, enfrentou a turma sabida da Assembleia Legislativa, provocando o afastamento da Mesa Diretora chefiada por Fernando Toledo. Foi o deputado federal mais bem votado, entretanto nunca foi executivo. O pai, ex-deputado João Caldas, atrapalha um pouco a carreira do filho.

E o Paulão, do PT, virou pastor: aquela figura que vem atrás das pastoras, com um cajado na mão. Não está convencendo o eleitorado por causa dos escândalos nacionais em que seu partido se envolveu. Falar em Lula e Dilma só o atrapalha, pois, além de tudo, é “taturana”.

Vocês vão pensar que me esqueci do Collor: investigado em processos da Lava Jato, ensaiou sair candidato, desistiu e apoiou o Memória, que pode ser considerado o outro pastor.

E aí o eleitor fica pensando em quem deveria votar nesse espetáculo folclórico, complicado, que se desenhou em Maceió neste ano de 2016. Lembro o seguinte fato: alguém vai querer que Maceió vire uma nova Murici? O estado já está nas mãos dos Calheiros; vamos entregar também a capital?

Dos males o menor: vote na Mestra do pastoril.

E que Deus nos acuda!!!

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