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16 de Dezembro de 2018

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Edição nº 891 / 2016

30/09/2016 - 09:19:08

Testemunha contesta versão do pai

Morador do condomínio relata discussão entre delegado aposentado e jornalista no dia em que ela foi encontrada morta

Vera Alves [email protected]
Márcia, em foto de fevereiro postada na capa de seu Facebook

Um mês e meio após a jornalista e consultora de marketing Márcia Rodrigues Farias, 48 anos, ter sido encontrada morta com dois tiros na casa do pai no Condomínio Porto di Mare, em Paripueira, litoral norte de Alagoas, o caso permanece ainda sem resposta.  Enquanto não chega a Alagoas o resultado da perícia realizada no local e dos exames residuográficos, permanece a dúvida: homicídio ou suicídio, versão sustentada pelo delegado aposentado da PF Milton Omena Farias, o pai, mas que é contestada por um morador do condomínio e amigo da família há cerca de quatro anos.

No último dia 14 – exatamente 30 dias após a morte de Márcia – em entrevista ao EXTRA, Omena afirmou que desconhecia o paradeiro de sua pistola, uma 765, similar à arma encontrada junto ao corpo da jornalista. Disse não se recordar se a levara para o condomínio quando para lá se mudou definitivamente, e garantiu que não a manuseava há anos. Ocorre que há menos de um ano ele a entregou a João Monteiro da Costa, um oficial reformado do Exército e que possui uma casa no Porto di Mare, para que ela fosse limpa, já que estaria guardada há muito tempo.

Costa revela ter levado a pistola a um profissional de Recife, especializado em limpeza de armas, e a ter devolvido poucos dias depois para Omena, que pagou R$ 80 pelo serviço.

Mas não é só: no dia 14 de agosto, por volta das 6h30 da manhã, Costa disse que caminhava pelo condomínio com o objetivo de ir à praia quando ouviu uma calorosa discussão entre um homem e uma mulher na casa de Omena. “Não entendi sobre o que discutiam, mas ela estava com a voz bastante alterada”, afirma.

Foi a 14 de agosto, domingo Dia dos Pais, que Márcia Rodrigues foi encontrada morta no quarto e na cama do pai. Na versão dele, a filha passava por um momento de depressão, o que também é contestado por Costa: “Ela era uma pessoa cheia de vida, muito espiritualizada e que sempre se despedia das pessoas com  palavras de otimismo e menção a Deus”. É o mesmo perfil traçado por amigas da jornalista com as quais o EXTRA conversou 15 dias após a morte dela e que refutam igualmente a tese de suicídio, sustentada pelo pai. 

Costa rebate, ainda, as insinuações do delegado aposentado da PF de ter sido vítima de calúnia por parte da ex-esposa, Carminha Rodrigues Farias. Segundo o oficial reformado do Exército, que já foi síndico do condomínio, ela jamais se referiu de forma depreciativa ao ex-marido, “a despeito de tudo o que passou com ele”. Afirma, também, que, ao contrário do que Omena declarou ao semanário, permanecia conflituosa a relação entre pai e filha.

“A Márcia estava revoltada com ele desde que ele roubou a namorada do filho dela”, disse.

ATITUDE SUSPEITA

Para o oficial reformado do Exército há outros pontos contraditórios na versão de Milton Omena, o mais grave deles, a seu ver, é não ter socorrido a filha quando “supostamente” a encontrou baleada. Ele também considera suspeito o fato de o delegado aposentado da PF ter se ausentado do local antes da chegada da Polícia, “uma atitude totalmente incoerente por parte de alguém que é profundo conhecedor da rotina policial”.

E é sobre o lapso de tempo em que Omena esteve ausente – levado por um amigo para o qual ligou – que ele lança dúvidas sobre a eficácia do exame residuográfico que deve definir quem atirou de fato. “Não me surpreenderia se, com a experiência que possui, ele tratou de limpar as mãos”.

Assinala, ainda, que, em sendo verdadeira a versão de Omena de que a filha estava deprimida a ponto de suspeitar que um acidente de carro ocorrido 19 dias antes da morte dela tivesse sido provocado por ela, como se explica que ele deixasse uma arma tão exposta e acessível.

As investigações

Com previsão inicial de 30 dias, o inquérito policial sobre a morte de Márcia Rodrigues foi prorrogado por mais um mês, devendo ser concluído no final de outubro, já que a Polícia ainda aguarda a chegada dos laudos da perícia no local em que a jornalista foi encontrada e dos exames residuográficos feitos em pai e filha, cuja análise está a cargo de um laboratório fora de Alagoas. As investigações são conduzidas por três delegados, o de Paripueira, Tarcizo Vitorino, Fábio Costa, coordenador da Delegacia de Homicídios da Capital (DHC), e Lucimério Santos, também da DHC. 

Mais de 10 pessoas, entre familiares e amigos da jornalista e moradores do condomínio Porto di Mare já foram ouvidas. A fase de depoimentos, inclusive, já está encerrada, podendo contudo ser retomada em função do resultado dos exames e da perícia e/ou fatos novos que possam ajudar no esclarecimento do caso. Dentre os ouvidos está uma psicóloga com quem Márcia Rodrigues, que também ministrava palestras motivacionais, estava fazendo terapia.

Procurada pelo EXTRA, a família de Márcia reafirmou que só vai se pronunciar publicamente após a conclusão do inquérito policial.


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