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13 de Novembro de 2018

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Edição nº 890 / 2016

26/09/2016 - 18:57:57

Soberba, arrogância, cinismo e estultice

CLÁUDIO VIEIRA

Denunciando o ex-presidente Lula da Silva, como resultado das investigações da Lava-a-jato, o Ministério Público Federal agiu da forma esperada pela Nação. A surpresa ficou por conta do excesso despropositados dos procuradores da República na coletiva concedida aos órgãos de comunicação.

É certo que o Ministério Público, nas ações criminais incondicionadas, como aquela, é parte, ou melhor, presenta a parte ofendida, ou seja, o Estado. Certo, também, que a parte, por essa mesma natureza, pode e deve ser parcial, não lhe sendo vedadas declarações públicas de sua opinião no processo. No entanto, de promotores e procuradores da República, por presentarem o Estado, espera-se comedimento na linguajem, em respeito aos princípios constitucionais. Em suma, não é aceitável que tais autoridades vão além da função persecutória aos autores de delitos; não devem eles adjetivarem os denunciados de forma tão contundente e excessiva que possa induzir a sociedade a julgamento precipitado e escárnio do acusado, olvidando que o objetivo do processo penal é a busca da verdade dos fatos. Esperemos que o excedimento não venha a favorecer a impunidade.

A atitude dos procuradores, por sua vez, ensejou mais um destempero do ex-presidente Lula. A quem se proclamou o homem mais honesto do Brasil, quiçá do mundo, nada custa comparar-se a Jesus Cristo. E foi o que ele fez sem contrição, na maior cara-de-pau. Defender a política corrupta, e considerar os políticos, por mais ladrões que sejam, aprovados pelo povo em eleições, não está fora da natureza petista-lulista, desde que o conceito, ao fim e ao cabo, seja benéfico aos seus próprios ladrões. Menosprezar o servidor público, aquele que através de concurso obtém o direito de ocupar um cargo de Estado, é até natural em quem usa da retórica para louvar a sua própria ignorância. Nesse particular, concedamos, não é ele o único, pois a quase totalidade dos políticos brasileiros, mesmo aqueles que tiveram o privilégio do aprendizado nos bancos escolares, estimam-se pessoas superiores ao pobre mortal que estuda horas sem fim para enfrentar um concurso público e, após, labora com dedicação a serviço do Estado e da população, o mais das vezes sujeitando-se a governantes que, por conveniência populista, ou talvez inveja, negam-lhe o aumento anual de salários, mera reposição de valores defasados.

Observando esse verso e reverso da mesma moeda – procuradores e o denunciado Lula – vemos nos primeiros soberba e arrogância talvez agitadas pela juventude dos mesmos; quanto ao ex-presidente, sem dispensar tais más-qualidades, acrescente-se cinismo e estultice, essas duas últimas imperdoáveis. Bem, talvez possa-se perdoá-las, por resultarem da embriaguez do populismo.

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