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Edição nº 890 / 2016

26/09/2016 - 18:56:43

A festa é no interior

Jorge Morais

No artigo da semana passada destaquei a importância da mídia e das redes sociais na campanha eleitoral desse ano. Durante toda essa semana, a mídia nacional trouxe como destaque em seus noticiários jornalísticos a informação de que as cidades estão mais limpas e menos poluídas pelo lixo eleitoral verificado em eleições anteriores, reduzindo o trabalho de quem limpa e cuida das cidades todos os dias.

Essas mudanças foram atribuídas, também, às novas regras estabelecidas pela legislação eleitoral, quanto à proibição de ajuda financeira por empresas e pelo comportamento dos candidatos esse ano, fruto da ajuda financeira pequena, quase insignificante, em relação a outras eleições. Com isso, esse impedimento possibilitou, pelo menos, uma redução em 6 bilhões de reais nos gastos com a campanha eleitoral. Um dinheiro que deixou de circular no País, de forma lícita ou não, e a gente já sabe como é devolvido. Com obras e superfaturamentos.

Pois bem. Apesar de todas essas medidas em boa hora da justiça e das mudanças verificadas, me parece que esse quadro ainda não atingiu diretamente algumas cidades no interior. Quando o lugar é pequeno e o dinheiro é mais difícil de chegar, é o corpo-a-corpo que funciona. O candidato tenta conquistar o voto na boa conversa e, às vezes, no grito mesmo.

Quando a cidade do interior já tem um status maior, funcionam os carros de som em alto volume, bem acima do que é permitido em lei; a distribuição de panfletos; cartazes em lugares proibidos; carreatas; caminhadas; aperto de mão; compromissos futuros; promessas que não serão cumpridas; denúncias vazias; e, até que seja provado o contrário, todo mundo está eleito. Ou seja, teria que ser construída uma prefeitura para cada candidato.

Essa situação, consegui enxergar no final de semana do feriado da Emancipação Política no Estado de Alagoas. Viajei do Agreste ao Sertão alagoano, passando por cidade, às vezes, quase desertas, mas que sofriam uma verdadeira transformação nos finais de tarde e períodos noturnos. Ficava imaginando de onde saíram tantas pessoas para gritar e agitar bandeiras de seus candidatos. Pagos ou não para isso, eles estavam lá gritando os nomes e números de seus candidatos.

Diferente das últimas pesquisas feitas nas capitais brasileiras, por exemplo, quando o povo ainda não sabe quem são os candidatos a vereador, no interior é tudo muito mais fácil e diferente. Pergunte e ele responde na hora: é o fulano do Bode; é o sicrano da Pedra Lascada; ou o beltrano do sítio Redondo. É sempre assim. Se ele vai cumprir isso mesmo diante da urna, impossível saber. Como diria uma velha raposa da política: “Na hora H, dá uma vontade de trair”.

É assim, então, como caminha a nossa eleição majoritária e proporcional. No interior, diferente da capital, é só festa, cachaça, alegria, tapinhas nos ombros; beijos e abraços. A turma do já ganhou entra em campo com toda força e a certeza da vitória. Vai contrariar essa gente. Quer comprar uma briga, pelo menos de brincadeira, diga que o “fulano” não tem chance de se eleger.

Participei, como curioso, até de algumas carreatas. Ouvi comentários dos mais absurdos, sendo obrigado a concordar com todos, a favor ou contra. Mesmo sem conhecer alguns desses candidatos, cheguei a engrossar o discurso e os gritos de já ganhou. Vocês acham que sou louco em discordar de quem tem ideia fixa? É por isso que o inferno está cheio dessa gente. Por mim, no interior, é só festa.

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