Acompanhe nas redes sociais:

17 de Novembro de 2018

Outras Edições

Edição nº 890 / 2016

26/09/2016 - 18:43:14

Secretaria de Saúde de Minador prescreve exames ginecológicos para homens

Médico que teve CRM usado garante que não trabalha no município; enfermeira Nielly Cardoso Ferro também solicita exames

Da Redação
Nielly Ferro prescreve exame como médica

Solicitações de exames de ultrassonografias transvaginal e pélvica ginecológica para pacientes do sexo masculino são apenas algumas das irregularidades cometidas pela secretaria Municipal de Minador do Negrão, município localizado no agreste alagoano, a 169 km de Maceió. Outro agravante é que a solicitação foi feita pelo médico Hélio Luiz Lima de Moraes, que prestou serviço ao município há cerca de 10 anos e diz desconhecer o caso. 

A fraude é federal e ainda não se sabe o rombo aos cofres públicos. Como se não bastasse, a filha da prefeita Socorro Cardoso, enfermeira Nielly Cardoso Ferro prescreve exames aleatoriamente. Prova disso foi o de endoscopia digestiva  (nº 25.837) solicitado em julho desse ano para L. F. S. pela “Drª Nielly”, conforme laudo. O título de doutora também é visível no mesmo exame que aponta  o nome do Pac (paciente) e em seguida, Med (médica) Drª Nielly Cardoso. Mas, segundo a legislação contida no exercício da profissão, exames prescritos pelo enfermeiro devem constar no protocolo pré-estabelecido pela instituição que atua ou pelo Ministério da Saúde e endoscopia não faz parte. 

A reportagem do jornal EXTRA manteve contato com o Dr. Hélio Moraes, que disse surpreso com a informação, mas que há mais de oito anos não trabalha para aquele município e que não mantém qualquer vínculo.  Indignado, ele informou a fraude ao Conselho Regional de Medicinal de Alagoas (Cremal), além do que a denúncia será encaminhada à Polícia Federal.  

“Fiquei surpreso ao tomar conhecimento do caso. É uma falta de respeito para com o povo e também com o profissional. Não sei como estão utilizando meu nome. Provoquei o Cremal e toda essa questão será levada à polícia”, garantiu.

O profissional fez questão de dizer que sua vida profissional é marcada pela honestidade e que jamais participaria de qualquer ato contra a administração pública. Ele espera que justiça seja feita e que os responsáveis pelo crime sejam identificados e punidos. Já a assessoria do Cremal informou que o Conselho tem conhecimento da denúncia e que vem prestando assistência ao médico. 

 O suposto paciente que “no papel” teria se submetido no dia 21/06/2016, às 18 horas, aos exames de ultrassonografias pélvica (ginecológica) e transvaginal, R.S.S, 32 anos, mostrou-se indignado e questionou de como poderia ter feito um exame desse se é homem. “Esse é meu nome, mas nunca estive em Minador solicitando exame, ainda porque isso é de mulher, né?”, reclamou.  No entanto, confirmou que todos os dados na ficha, inclusive nome completo, data de nascimento, nome da mãe e telefone são dele. E esclarece que nem reside no município. 

O outro paciente, L.M, de 15 anos, que na terça-feira, 21/06/ 2016, às 14 horas, teria se submetido aos exames de ultra-sonografias transvaginal e abdominal total, reside na zona Rural do município, mas a reportagem do jornal EXTRA não conseguiu falar com a mãe do adolescente para saber se o mesmo teria realizado algum exame naquela data e qual seria sua posição ao saber que o filho, pelo menos na guia, teria realizado um exame para pessoas do sexo feminino. Já o padrasto disse que não sabia informar porque sai de casa cedo para trabalhar. Nos dois casos, o solicitante teria sido o DR. Hélio Moraes.

“Se o jornal publicar vai passar vergonha”

A secretária de Saúde do município, Luziana Barros, após pedir para ligar “daqui há um minuto” atendeu a ligação e disse que tudo isso não passa de denúncia falsa e que “é só questão política para nos expor e nos denegrir”. Após pedir algumas informações como nome de médico solicitante dos exames, cartão do SUS dos pacientes e outros dados, a secretaria afirmou que não tem conhecimento desses casos e que não iria marcar esse tipo de exame para homens.  Segundo ela, só pode ter sido erro de digitação e que é secretária no município há quatro anos e não conhece o médico. No entanto, se irritou ao ser questionada se com as informações em mãos iria dar um retorno ao jornal. Apenas acrescentou que “se o jornal publicar vai passar vergonha.”

O EXTRA manteve, ainda, contato com algumas clínicas que realizam esse tipo de exames para saber valor. A ultrassonografia transvaginal custa R$ 128,00; abdominal total R$ 163,00 e endoscopia digestiva R$ 500,00. No entanto, não foi possível saber quanto o município recebe do SUS por cada procedimento e quanto é repassado para os locais que fazem os exames. A reportagem não conseguiu falar com Nielly Cardoso Ferro.

Comentários

Curta no Facebook

Siga no Twitter

Jornal Extra nas redes sociais:
2i9multiagencia