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Edição nº 890 / 2016

23/09/2016 - 06:49:36

Na terra da miséria, vereadores multiplicaram patrimônio

Em quatro anos, GANHOS chegaram a crescer mais de 2000%

Odilon Rios Especial para o EXTRA

Dezoito dos 21 vereadores em Maceió buscam a reeleição. E estar no mandato é viver num planeta à parte, de privilégios e riquezas, no terceiro estado mais pobre do Brasil. Num país em crise e sob a pior onda de desemprego dos últimos anos, quinze vereadores na capital alagoana declararam, à Justiça Eleitoral, estarem muito mais ricos que nos últimos quatro anos.

Líder em crescimento de sua pequena fortuna está a Silvânia Barbosa (PRB). De 2012 a 2016, seu patrimônio cresceu 2.466,3%. Há quatro anos ela tinha uma casa, no bairro da Ponta Grossa, valendo R$ 21,4 mil.

Agora, ela não tem mais a casa, mas comprou um carro (R$ 178 mil) e aplicou R$ 371,6 mil, em dinheiro, nos bancos. Bastante religiosa, Silvânia segue à risca o texto do Evangelho de Mateus, capítulo 25, versículo 27: “Devias então ter dado o meu dinheiro aos banqueiros e, quando eu viesse, receberia o meu com os juros”.

E os juros são incríveis. Apesar de desvantajosos para a maioria esmagadora dos brasileiros, nunca foram tão bons para a vereadora. Tanto que seu patrimônio cresceu e hoje acumula R$ 549,2 mil.

Em segundo lugar, no crescimento do patrimônio, vem Wilson Júnior (PDT). Ele disputa a primeira reeleição. Quando entrou na Câmara, em 2012, tinha R$ 57,9 mil - a maioria em investimentos. Cresceu 1.336,6% em 2016, segundo declarou para a Justiça Eleitoral: R$ 831,9 mil, divididos em investimentos, ações junto ao Banco do Brasil, Vale do Rio Doce e Petrobras, mais um apartamento no bairro da Ponta Verde, no valor de R$ 439,2 mil.

Há diferenças entre as riquezas de Silvânia Barbosa e Wilson Junior. Ela é exclusivamente vereadora; ele é um dos comunicadores mais conhecidos de Alagoas, há 30 anos no mercado publicitário. Hoje, também trabalha na TV Mar e Rádio Gazeta, ambas da Organização Arnon de Mello.

Tereza Nelma (PSDB) vem em terceiro na lista dos que tiveram maior crescimento no patrimônio em quatro anos: 579,5%. Em 2012 ela declarou ter dois carros e aplicações em bancos. Somando tudo: R$ 77,1 mil.

Em 2016, declarou três carros, uma casa no bairro da Pajuçara e aplicações bancárias. Conta: R$ 524,2 mil.

Líder do prefeito Rui Palmeira, Eduardo Canuto (PSDB) viu seu patrimônio crescer 221,3% em quatro anos. Tinha uma casa, um terreno, uma caminhonete e investimentos em 2012. Total: R$ 151,1 mil.

Em 2016, não tem mais carro, comprou mais uma casa além de investimentos e quotas em empresas. Total: R$ 482,4 mil.

Os mais ricos

Mais rico entre todos os vereadores, Antônio Holanda (PMDB) tem vasta carreira política e ainda presenteou Alagoas com um exemplo: seu filho, Dudu Holanda (PSD), na Assembleia Legislativa.

Ele discursa pouco na Casa de Mário Guimarães mas é um hábil articulador. E bem sucedido na arte de fazer dinheiro. Quando entrou na Câmara, há quatro anos, declarou patrimônio de R$ 946,8 mil, divididos em quatro carros e muitos, muitos investimentos e dinheiro em poder dele e de sua esposa. Em quatro anos, vendeu os dois carros e sua fortuna foi distribuída entre terrenos, investimentos e um apartamento. Resultado: R$ 2,3 milhões.

A segunda vereadora mais rica é Fátima Santiago (PP). Seu patrimônio cresceu 22,47%. Não é exclusivamente vereadora, mas médica. Declarou R$ 1,3 milhão (em 2012, pouco mais de R$ 1 milhão) distribuídos em três fazendas, um ônibus, três terrenos, quotas de capital, muitos investimentos.

Terceiro mais rico é Davi Davino (PP). Nunca discursa, treme ao falar nos palanques, quase nunca é lembrado na estranha arte de fazer politica. Porém, está quase à beira do seu primeiro milhão. Em 2016, disse ter, em bens, R$ 925,2 mil contra os R$ 453,5 declarados em 2012, na Justiça Eleitoral. 104,01% de crescimento. Um número da sorte.

OS MAIS POBRES 

Na outra ponta, estão os candidatos à reeleição que parecem ter sentido o baque da crise. Silvânio Barbosa (PMDB) - o eterno prefeito comunitário do Benedito Bentes -  tinha R$ 101,8 mil em bens; quatro anos depois, R$ 89,3 mil.

Guilherme Soares - antes PSOL hoje PSDB - teve menos sorte ainda. Tinha R$ 170 mil em bens. Declarou zero em 2016.

Pior entre todos é o médico Cléber Costa (PP). Declarou em 201, pouco mais de R$ 1 milhão; em 2016, R$ 24,1 mil. Quase 100% em perdas.

Todos seguem na busca pela reeleição. Uns com mais vantagem (no bolso); outros, nem tanto. 


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