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14 de Novembro de 2018

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Edição nº 889 / 2016

19/09/2016 - 16:51:51

Simbolismo e realidade

CLÁUDIO VIEIRA

Pela vez primeira, ao que me lembro, “Sua Excelência, o Povo” recebeu de uma autoridade precedência e homenagem sinceras. Não mais precedentes salamaleques lisonjeiros a presidentes da República, do Senado Federal, da Câmara, e outros. O Povo, a verdadeira autoridade republicana, esse foi reverenciado antes de todos pela recém-empossada Presidente do Supremo Tribunal Federal. 

Há anos dedico-me, sempre que posso, a assistir às sessões do STF. Faço-o por curiosidade profissional, mas também com o fito de aprendizagem e atualização. Durante essa atividade prazerosa, normalmente proveitosa, raras vezes maçante, passei a admirar a Ministra Carmen Lúcia. Sua figura aparentemente frágil, descobri esconder uma magistrada determinada a fazer valer o seu mister de distribuir Justiça, desvestida do fogo das vaidades tão comum na Corte. Seus julgados diretos, sem circunlóquios, subterfúgios e esnobismos, têm revelado sólidas cultura jurídica e geral. Ilha de Saber simples no meio de arquipélago de retóricas bombásticas, a Ministra exsuda firmeza e profundidade nos conceitos que emite, umas vezes de alguma brusquidão, outras teimosamente suave. São razões porque se deve esperar da nova Presidente (não presidenta) uma gestão voltada para o jurisdicionado, ou seja, aquele Povo que ela teimou em homenagear na abertura do seu discurso de posse.

Razões outras, não menos importantes, são aquelas que fazem o seu modo de vida despojado das honrarias e dos gozos das benesses do cargo. Vão desde a dispensa do simbólico carro oficial, enquanto ministra, até as festas e libações do poder, vaidades tão comuns aos nossos representantes, estejam eles na Ilha da Fantasia brasiliana, ou nos Estados e Municípios brasileiros. Alguns, aqueles que têm em si arraigados esses desfrutes, podem até dizer que essas coisas são bobagens, nada representam, pois o status de autoridade exige mordomias, e a plebe ignara respeita submissa as revelações de poder. Enganam-se, pois representam, tais gestos da Ministra, atitudes virtuosas, o étimo virtude aqui usado no sentido de força moral.

Observando o comportamento despretensioso da Ministra Carmem Lúcia, fica conosco a certeza de que se, para ela o Povo é símbolo de poder, o cidadão é a autoridade real a ser ouvida e respeitada.  

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