Acompanhe nas redes sociais:

15 de Novembro de 2018

Outras Edições

Edição nº 889 / 2016

19/09/2016 - 16:50:34

A campanha da mídia

Jorge Morais

A minha impressão inicial quanto ao processo eleitoral era a de que o clima seria transferido para as ruas e que as cidades ficariam só respirando política. Com praças e avenidas sujas, poluição visual e sonora, e gente trabalhando feito um louco, dia e noite, tremulando bandeirinhas para eleger seus candidatos, com a esperança de ganhar um emprego no futuro.

Mas, analisando as mudanças impostas na lei eleitoral, a conclusão que se chega é outra. Com a proibição de muita coisa, tudo isso foi reduzido para bem menos da metade do que se viu no último pleito. Com a definição de quanto cada candidato pode gastar para prefeito e vereador, ficou impossível colocar o bloco na rua. Como justificar depois uma campanha rica, por exemplo?

Faltando 17 dias para a eleição (2 de outubro), a cidade está deserta nesse aspecto. Três ou quatro “gatos pingados” que se arriscam a colocar a cara de fora pela cidade. A “cara” da eleição está passando longe. Voltamos a fazer campanha como antigamente: gastando sola de sapato. É no corpo-a-corpo que os candidatos estão pedindo voto. Conversam com o povo e desaparecem na mesma velocidade que o diabo foge da cruz.

Então, como saber se a campanha existe e se o candidato está indo bem? Além da sola de sapato, a mídia está sendo um lado positivo dessa campanha, seja pelo Guia Eleitoral, curto nesse processo atual, ou pelas redes sociais, mesmo que muita coisa não esteja regulamentada, mas como ainda não ouve recriminação por parte da justiça eleitoral, está correndo frouxo.

Se depender do Guia Eleitoral no rádio e na televisão, os principais candidatos à Prefeitura de Maceió – Rui Palmeira e Cícero Almeida – com um tempinho a mais, estão na mesma balada, e não poderia ser diferente, dizendo o que fizeram, apresentando propostas e falando um do outro o que as produções dos programas pedem para que eles digam. Isso dá voto ou tira voto? Quanto aos demais candidatos, se viram nos 30.

A sorte deles é que aquele tempo perdido no horário do Guia Eleitoral foi dado nas inserções diárias, o que é bem melhor para transmitir seus recados. Vocês já pararam para pensar que o dia todo entrando na casa do eleitor, a gente não tem tempo de desligar a TV? Eu mesmo gosto de ouvir as propostas e conhecer um pouco mais de cada um. Agora, tem gente que não gosta.

Por outro lado, as redes sociais estão “bombando”. Centenas de vídeos estão sendo mostrados. Viralizou, de verdade. Virou uma febre na capital e no interior. Não existe mais ninguém bobo nesse processo novo e o caminho é rápido, de baixo custo e de grande acesso e aceitação. Quem começou há mais tempo, vai levar vantagem. Quem buscou os recursos agora, está tentando tirar o prejuízo. Consegui enxergar muita coisa boa e ruim também.

Deixando tudo isso de lado, qual é a preocupação? Ainda a compra do voto. Se a eleição não pode ser além dos recursos estabelecidos em lei, mesmo faltando dinheiro e as empresas querendo distância, quem tem está com ele guardado para o cadastro e o dia da eleição, para a compra do voto. É como, dentro da ilegalidade, pode ser feito, e todos sabem disso, porque não precisa declarar. Lamentavelmente, bondade, serviço prestado e amizade não resolvem.  

Comentários

Curta no Facebook

Siga no Twitter

Jornal Extra nas redes sociais:
2i9multiagencia