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22 de Novembro de 2018

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Edição nº 889 / 2016

19/09/2016 - 16:49:52

Educação de qualidade como solução sustentável

FERNANDO LIRA

A educação é um instrumento poderoso quando seus efeitos transformadores alcançam toda população e tem qualidade de excelência nos diversos níveis considerados,e/ou oferecidos. Mas quando não apresenta essas qualidades, se sobressai a ignorância assistida que gera gastos elevadas e inúteis, resultando em desenvolvimento medíocre do Município, do Estado e ou do País, bem como no atraso e pobreza de sua população, não permitindo a mobilidade social capaz de produzir uma sociedade civilizada, com instituições saudáveis.

O estado, onde sua grande maioria não tem essa qualidade de ensino, é um estado classificado como estruturalmente analfabeto ou de alfabetização precária. Assim os resultados daí derivados não atendem as demandas do mercado de trabalho, individuais ou coletivas por mais simples que seja o posto de trabalho oferecido, pois, ao terminar o segundo grau, o formado não sabe ler ou interpretar dois dos parágrafos aqui escritos. Essa situação alcança, em maior ou menor grau, todo o Nordeste brasileiro. A nossa elite sempre desejou formar seus filhos doutores e deixar as famílias pobres no analfabetismo.

Isso se sustentou por muito tempo, porque a forma de contratação de mão de obra seguia de perto a cultura do trabalho escravocrata.  Esse é o caso de Alagoas que, mesmo depois da libertação formal dos escravos, o trabalho tinha característica escravocrata, que se prolonga até o início do século XX.

Desse modo, Alagoas começa a diferenciar-se do Nordeste brasileiro, com práticas de produção que, como escravo, qualquer pobre braço e livre não necessita de caneta e ou lápis para executar seu trabalho, mas basicamente do machado para cortar a árvore, da foice para colher a cana e da enxada para fazer outras tarefas. Era um trabalho de produtividade zero e produção extensiva, portanto, de profundo atraso econômico, social, educacional, elevada concentração de renda, onde os ricos eram donos da terra, meios de produção e de toda colheita; já as famílias  pobres e analfabetas não ganhavam o suficiente para se manterem vivas por muito tempo, pois o trabalho duro, a fome e a ignorância ceifavam muitas vidas infantis e jovens. Nessas condições, poucos eram os que alcançavam os 45 anos de vida, situação que perdurou até primeira metade do século XX.

Mas é na segunda metade do século XX que o Nordeste começa a perceber uma das várias faces do poder da educação de qualidade, chegando ao ponto da oferecer bolsa de estudos, pois para sair da produtividade zero e do flagelo da fome necessitava que os trabalhadores fossem alfabetizados e os produtores abandonassem superstições e adotassem métodos e práticas novas apreendidos com a educação.

Em Alagoas, essa nova visão não sensibilizou as elites e tão pouco os governantes que temiam perder o controle político daqueles que fossem alfabetizados. Mesmo no funcionalismo público, o analfabetismo estrutural era predominante a ponto dos trabalhadores do Estado serem empregados e galgarem postos sem avaliação do seu saber educacional. Sem concurso formal, adotou-se, então, o critério político com indicador seletivo, mas mesmo assim o funcionário também tinha produtividade zero e até negativa, quando se tratava de empregado que não tinha posto de trabalho definido e, na sua grande maioria, não eram obrigados a comparecer ao trabalho.

A partir da iniciativa e esforço da Sudene em alfabetizar o Nordeste, toda região passou a receber vultuosos recursos para aplicar em educação. Alagoas, por seu apoio incondicional à ditadura militar, recebia relativamente mais  do que outros estados, mas ignorou a educação, aplicando  os recursos em outras áreas e deixando o povo literalmente sem alfabetização.

Daí em diante não faltou recursos; no entanto, o que foi utilizado não passou de 5% do montante anualmente recebido, sendo que, sistematicamente, eram devolvidos recursos para Brasília por absoluta incapacidade e interesses na aplicação desses recursos, já que a educação em nenhum momento da história do desenvolvimento de Alagoas foi tida como prioridade universal, mas apenas prioridade para os ricos, que eram poucos, demandando 95% de todos os recursos aplicados e o restante era utilizado para pagamentos de funcionários, sobrando montante significativos que eram devolvidos a Brasília que recebia com elogios.

Esse quadro de analfabetismo, ou seja, ausência de educação qualificada para todos em todos os níveis, coloca Alagoas como importadora de mão de obra qualificada e é assim que os melhores e médios postos de trabalho ficam com pessoas do Sudeste particularmente de São Paulo, mas bem qualificadas.

A partir dos anos 90 e, principalmente, dos anos 2000 o processo de globalização pressionam todos a ter Educação de qualidade como prioridade, pois na ausência dela mergulhariam em estado de pauperização regressiva, voltando ao que era início no século XX .

Percebendo e recebendo essa pressão, Alagoas começa tratar a educação como projeto de curto prazo e de segunda linha abrindo escolas em todos os espaços, mas como não pode ser tratada por acaso, os indicadores federais, estaduais e municipais revelam que nosso sistema não é competitivo, nem a nível local, muito menos regional e, sobretudo nacional. Formamos mentes vazias para enfrentar um mundo excessivamente complexo, competitivo e de excelência.

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