Acompanhe nas redes sociais:

26 de Setembro de 2018

Outras Edições

Edição nº 889 / 2016

19/09/2016 - 16:38:17

Jorge Oliveira

Porque não votar em Ciço

Jorge Oliveira

Brasília - O Brasil mudou com a queda da Dilma e do Cunha. Amanheceu menos corrupto depois da votação do impeachment e da cassação do deputado. Mas, infelizmente, essa mudança para melhor ainda não alcançou os programas políticos. Assisti diariamente o horário eleitoral dos candidatos a prefeito de Maceió. Confesso que fiquei espantado com a cara de pau de alguns deles, com as mentiras deslavadas e a mesmice que se repete todos os anos levando o eleitor cada vez mais a optar pela abstenção e pela rejeição aos nomes manjados da política alagoana. 

Não consigo entender, por exemplo, como alguns maceioenses de bem desfilam com o nome do Ciço em seus carros. Como toleram seus programas mentirosos, recheados de promessas e propostas irreais para quem ficou oito anos à frente da administração da prefeitura e abandonou a saúde e a educação à própria sorte. Mudou o traçado urbanístico de Maceió para beneficiar a especulação imobiliária e deixou para trás um rastro de corrupção que contaminou toda a administração. 

O último programa que assisti de Ciço (08/09) foi uma verdadeira baixaria, digno de quem apela porque não tem proposta para governar ou demonstra desespero diante das últimas pesquisas que mostram sua queda e a ascensão do Rui. Depois de mostrar uma senhora pobre da periferia que denunciava a falta de assistência às mulheres grávidas pela atual administração, a matéria finalizava com a acusação de que ela teria perdido o bebê por falta de assistência.Uma aberração, comportamento típico de um desajustado que tenta enlamear um concorrente apelando para as injúrias vis e infames por falta de argumento civilizado para disputar uma eleição. Por causa dessas e outras baixarias, a justiça eleitoral o puniu com a suspensão de alguns programas.

O pior de tudo não foi apenas o espetáculo deprimente e triste do vale tudo do programa. No final do depoimento da suposta vítima, que falava visivelmente constrangida, o candidato Ciço aparece assinando embaixo a farsa para dizer cinicamente que vai reabrir a maternidade Denilma Bulhões, cujo fechamento teria provocado a morte do prematuro. Um escárnio, uma denúncia vazia e irresponsável para um candidato que não fez o que promete hoje nos seus oito anos de mandato. Ciço parece desesperado e tem apelado para todo tipo de ofensa para desconstruir o Rui, difamar o candidato com leviandades, como se ele, Ciço, fosse o paladino da honestidade, um homem acima de qualquer suspeita.

Ora, ora, os maceioenses sabem que o Ciço responde a processo por corrupção no escândalo denominado “Máfia do Lixo”, quando 200 milhões de reais foram surrupiados na sua administração em um processo que envolveu não apenas ele, mas dezenas de outros parceiros. Pode, inclusive, ser condenado e cassado antes mesmo das eleições. Já foi sentenciado, inclusive, na operação Taturana. Criticar de forma covarde e caluniosa o adversário mostra que o ex-prefeito não olha para o próprio umbigo ou quer, com isso, trazer para o seu mar de lama o prefeito atual que faz uma administração séria, honesta e competente, como comprovam os moradores da cidade que começam a definir sua preferência pelo Rui nas pesquisas.

Lembra-se

O modelo do programa do Ciço é antigo. E o próprio candidato não está bem. Invariavelmente aparece na tela de cara amassada, feia, rancoroso. Ataca o adversário usando métodos retrógados em vez de apresentar propostas para governar Maceió, coisa que não fez com competência quando esteve à frente da prefeitura. Quem não se lembra que Maceió, na sua gestão, chegou a ser a terceira capital do mundo em violência? Quem não se lembra que as escolas e a saúde estavam abandonadas? Quem não se lembra dos escândalos de corrupção que mantinham Maceió nas páginas policiais? Quem não se lembra da briga do prefeito com o Ministério Público tentando reverter as acusações que pesavam contra ele na Máfia do Lixo? Quem não se lembra dos auxiliares de Ciço que deixavam a prefeitura acusando-o de irregularidades na administração?

Enriquecimento

Pois é, é este senhor que pretende mais uma vez voltar para Prefeitura de Maceió. O ex-cobrador de ônibus que enriqueceu com a política. O ex-deputado estadual que enganou os pobres com as clínicas fajutas nos bairros pobres da periferia até chegar à prefeitura. É este senhor que, como deputado federal, é invisível em Brasília, um zero a esquerda. Nunca apresentou um projeto de lei e nunca fez um pronunciamento na Câmara dos Deputados. Não jogue seu voto na lata do lixo quando outubro chegar.

Atabalhoado

Não conheço a turma que está fazendo a comunicação do Temer – melhor assim. Mas é evidente que ele está num mato sem cachorro. Orientado a contrapor o “Fora, Temer” com outros bordões de duvidosa eficácia, o presidente comete os erros mais infantis para combater os militantes petistas organizados em sindicatos e movimentos sociais que vão às ruas protestar contra a sua legitimidade no poder. Primeiro desdenha dos movimentos, depois aceita os insultos dos militantes quando devolve a provocação de “golpistas são eles”, dita pelo próprio Temer. Pasmem!

Visão

Se os comunicólogos do presidente tivessem a mínima intimidade com a história política do país, não fossem apenas um monte de alienados pendurados em cargos públicos, deveriam saber que os movimentos petistas datam das décadas de 1970/80, época em que Lula fazia passeatas contra a ditadura e arrastava uma multidão pelas avenidas de São Paulo com palavras de ordem das reivindicações trabalhistas. Portanto, levar multidões às ruas para protestar contra Temer é muito natural para um partido que mantém a maioria dos sindicatos – pelo menos os mais organizados – sob o seu domínio e ainda dispõe de uma central sindical, a CUT, abarrotada de dinheiro.

Movimentos

Se a CUT se rebelou até contra a política econômica da Dilma, aliada deles, o Temer não deve estranhar que eles se movimentem novamente contra ele, de quem têm ódio por considerá-lo oportunista, golpista e ilegítimo. A tendência é de que esses movimentos cresçam ao passo que o governo anuncie as medidas, muitas das quais impopulares, para tirar o país do caos econômico, como mexer na Previdência Social, por exemplo. 

Falência

O modelo econômico brasileiro faliu. É um país provedor, que sustenta uma das maiores folhas de pagamento de servidores públicos do planeta, que não incentiva a empresa privada, que vive emperrado numa burocracia paquidermiana e que passou doze anos dominado por uma república sindical, responsável pela criação da maior organização criminosa da história do país. Combater essa gente apenas com contra-bordões é aceitar a provocação e o bate-boca interminável entre uma galera organizada com seus militantes sindicais e partidários e um governo que precisa urgentemente tirar o país do atoleiro para conquistar o apoio da população com quem deveria, de fato, governar para se contrapor aos movimentos das ruas.

Ressentidos

Temer não vai ganhar o povo trocando farpas com os ressentidos, até porque o seu governo ainda não decolou e, portanto, não atraiu a confiança de ninguém. Não existe ainda nenhuma medida impactante que leve a sociedade a acreditar em sensíveis mudanças sociais e econômicas. Ele teve tempo, como itinerante, de pensar o país. Sabia como dois e dois são quatro que a Dilma tinha perdido a guerra, era só uma questão de tempo. Mesmo assim, não se preparou para apresentar um programa para corrigir o rumo do país. O que se observa é uma paralisia mental da sua equipe e uma conversa fiada recheada de indelicadezas dos grupos políticos que dividem a nação.

Chutômetro

A mediocridade da equipe de comunicação do Temer é o reflexo de um governo que nasceu atrofiado, carente de inteligência e criatividade. Tudo é feito no chutômetro, parece que nada é discutido ou planejado. A exemplo do governo esquizofrênico que saiu, não existe também nesse uma logística de comunicação. Tudo é no tranco como se faz com os carros velhos enguiçados no meio da rua. Os auxiliares, de uma maneira geral, são escolhidos por apadrinhamento, sem critério de qualidade, caso do advogado-geral da União Fábio Medina Osório, conterrâneo do Eliseu Padilha, que saiu atirando. 

Comunicação

Se esse governo não promover as reformas necessárias para destravar a economia, não criar um sistema de comunicação eficaz que dialogue com a sociedade e não fizer as reformas necessárias para modernizar a infraestrutura do país, os movimentos organizados vão continuar nas ruas. E ninguém sabe por quanto tempo, porque é do atraso e do subdesenvolvimento que eles se alimentam.


Comentários

Curta no Facebook

Siga no Twitter

Jornal Extra nas redes sociais:
2i9multiagencia