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21 de Novembro de 2018

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Edição nº 888 / 2016

11/09/2016 - 17:05:33

Palavras ao vento

Alari Romariz Torres

Bela tarde de setembro. O barulho do mar e do vento serve de fundo musical para minha cabeça, reforçando minha inspiração. 

Além daquele horizonte está a África e depois dela a Ásia, com a China.

Um grupo de políticos ligado ao presidente se encontra na China, com despesas pagas por nós, eleitores. O Temer diz que vai negociar com os chineses, tentando incentivar o mercado brasileiro. A comitiva deve ter sido grande, mas a figura mais ilustre é o presidente do Senado, responsável por uma bela rasteira no novo “dono do Brasil”.    

Aqui as eleições estão a pleno vapor. Candidatos cheios de processos tentam conseguir o voto do eleitor. Prometem mundos e fundos, mas a população está vendo a Justiça atrás de alguns. Não temem a voz do povo, da imprensa, mas continuam num processo sujo, procurando votos.

Quase todo dia, ouvimos no rádio, ou assistimos na TV, notícias de que o Ministério Público e a Polícia Federal catam novos candidatos a ficha suja. Nomes famosos são destacados por envolvimento em outros escândalos. É uma sucessão de notícias escabrosas.

As mais recentes dão conta de que os planos de aposentadoria (Previ, Postalis, Funcef, etc) estão falidos e os responsáveis depondo na Polícia Federal. Houve uma época em que o dinheiro arrecadado era tanto que foi dividido com os associados. Depois, parte do pagamento foi sustado. Agora, a verdade: faliram os fundos de previdência. Inacreditável!

Em Alagoas, o Fundo Previdenciário do Alagoas Previdência foi usado pelo governador, com autorização dos deputados, para pagar o décimo terceiro salário do pessoal do Poder Executivo, em 2015. E lá se foram economias de dezenas de anos, resultado de desconto no salário dos servidores. 

Hoje, escutei no rádio, que alguns “taturanas” podem ser condenados nesta semana e se tornarão inelegíveis. É um processo só entre outros tantos. No meio deles vai o Banco Rural, reduto de grandes negociatas elaboradas pela Mesa Diretora de nossa querida Assembleia Legislativa das Alagoas. O esquema era o seguinte: o Banco emprestava o dinheiro, o parlamentar recebia e a Assembleia pagava.

Não se fala, no entanto, em devolver o dinheiro, fato muito mais importante. Os transgressores envolvidos no escândalo continuam ostentando vida de rico: moram à beira mar, possuem carros caríssimos, fazendas e outras “coisitas más”. 

Os candidatos a prefeitos e vereadores, que esperavam pelos padrinhos vindos de Brasília com muito dinheiro, estão assustados. A fonte está secando.

O presidente do Senado, “dono de mais de 80 municípios”, já avisou aos afilhados que será preciso criatividade. O dinheiro será muito pouco.

Deus queira que voltemos ao passado. As eleições eram limpas e o dinheiro público não era usado indevidamente.

O PT devolveu setenta cargos em Alagoas ao governador Renan Filho. Como o Estado consegue sobreviver negociando com os partidos políticos dessa maneira? Qual a necessidade de manter centenas de comissionados apenas para satisfazer a base aliada? 

As eleições são uma verdadeira troca de favores, um “é dando que se recebe”, você me ajuda e eu, eleito, pago com cargos de assessoramento.

Olho bem para os políticos indiciados, investigados, que estão há tantos anos nesse esquema sujo e imagino o que dizem para seus familiares.

Tomemos como exemplo um deles qualquer. Casado, com filhos e vários netos, respondendo na Justiça a alguns processos contra ele. Mas continua com mandato eletivo, poderoso e manipulando os companheiros. Ao chegar em casa, o filho pergunta: “Pai, é verdade tudo o que dizem sobre você?” Vai ter que mentir, ficar em silêncio ou mandar desligar todos os rádios e TVs de sua própria residência, pois atitudes não se apagam e palavras o vento leva!

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