Acompanhe nas redes sociais:

19 de Novembro de 2018

Outras Edições

Edição nº 888 / 2016

11/09/2016 - 17:04:54

A polícia que a gente não precisa

Jorge Morais

Domingo, no espetáculo proporcionado pelo CSA no estádio Rei Pelé, garantindo com uma vitória a sua passagem para a Série C em 2017, contra o Ituano/SP, não podemos dizer que tudo foi festa, alegria e satisfação para a sua imensa torcida. Mesmo que poucos fatos tenham sido registrados, em nome de um futebol de paz e respeito ao próximo, dentro e após o jogo pelas ruas próximas, não posso ficar calado, silencioso, diante de uma arbitrariedade cometida.

Peço desculpas aos leitores para me referir a um caso envolvendo um irmão meu, que agora, em setembro, está completando 60 anos de idade, um cidadão educado, respeitador, amigo, leal, do qual tenho inveja de não ser assim. Esse cidadão foi desrespeitado, revistado e algemado por alguns integrantes de uma guarnição do BOPE, escalada para o trabalho dentro do estádio, comandada pelo tenente-coronel Bolivar, por desacato a autoridade policial.

Ao tomar conhecimento do fato, liguei para o comandante daquele policiamento – tenente-coronel Bolivar – para que o mesmo intercedesse como oficial responsável pela segurança, afirmando que meu irmão seria incapaz de agir com desacato a quem quer que seja. Recebi como resposta que teria sido desacato e que não poderia fazer nada. Que ele teria sido entregue à delegacia de plantão no estádio para a lavratura de um Termo Circunstanciado de Ocorrência Policial.

Diante do delegado, durante o depoimento do policial envolvido na questão, foi dito e esclarecido que se tratava, apenas, de uma desobediência a uma determinação de acesso às arquibancadas do estádio, quando o meu irmão, sem prestar atenção, invadiu uma faixa de isolamento de área feita pelo policiamento. Só por isso, a discussão natural do viu não viu, gerou um trauma como esse.

Tenho certeza absoluta que o coronel Marcos Sampaio, comandante da Polícia Militar, um homem de bem, não recomenda aos seus comandados esse tipo de coisa ou arbitrariedade. Muitos menos o coronel Lima Júnior, secretário de Segurança Pública, outro homem de bem. Acredito que o jovem e competente governador Renan Filho cobra dos seus auxiliares respeito à sociedade e tratamento, no mínimo, educado para seu povo.

Não entro no mérito principal da questão de quem tinha mais ou menos razão nesse episódio. Acho apenas que nem todos que estão no estádio de futebol podem ser tratados como bandidos, serem algemados e levados para uma delegacia. É por isso que defendo a ideia e a proposta que os honrados policiais de Alagoas estejam garantindo a segurança da população nas ruas e não em espetáculos privados e pagos, como show e estádio de futebol.

Tenho parentes e grandes amigos na Polícia Militar do Estado de Alagoas. Todos são unânimes em dizer que os policiais escalados para um estádio de futebol vão revoltados. Eles gostariam de estar junto da família, em um domingo de folga, e não sendo escalados para enfrentar multidões, chegando entre 12h e 13h, recebendo as instruções, enfrentando sol e chuva, sem condições de assistir ao jogo e, ainda, de pé da hora que chegam até às 19h. Em troca, eles recebem um sanduíche e um refrigerante, como lanche. Quem gosta de uma coisa dessas.

Finalizo pedindo desculpas a quem não tem, diretamente, nada com o assunto. Mas, ao mesmo tempo, acho que o homem de bem tem que se preocupar com essas coisas, porque a gente não sabe o dia de amanhã. Só sei de uma coisa: não devemos ficar calados nessa hora.

Comentários

Curta no Facebook

Siga no Twitter

Jornal Extra nas redes sociais:
2i9multiagencia