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21 de Setembro de 2018

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Edição nº 888 / 2016

11/09/2016 - 17:01:57

Senistro

Luiz de Gonzaga Mendes de Barros

Os presidentes do Senado da República e do Supremo Tribunal Federal protagonizaram um magnífico espetáculo ao exibirem, no plenário do Senado como palco, um ato político da maior responsabilidade, executado ao molde de peça teatral.

O cenário, assim como os atores, determinados pela Constituição da República Federativa do Brasil, e a plateia, restrita aos convites do chefe do Poder Legislativo Federal, legalmente pronto, deu-se início aos trabalhos em palco disposto em dois planos.

No plano superior os presidentes do Senado e do Supremo Tribunal Federal, este, dirigente do espetáculo e, no plano inferior, os reais atores responsáveis pela execução do “script”.

O tal “script” era o roteiro do último ato do processo de impeachment instaurado para cassar o mandato da presidente da República (ou presidenta, como ela se auto intitulava) Dilma Vana Rousseff.

O diretor do espetáculo, ministro Ricardo Lewandovski, comportou-se impecavelmente durante os debates quando se ouviu manifestações brilhantes, em poucas ocasiões, ao lado de exagerado número de opiniões cretinas, idiotas, canalhas, despidas de qualquer dignidade e com o único objetivo de agradar a denunciada, na busca de vantagens inconfessáveis.

Todavia, é de se assinalar que os deslizes mais significativos couberam aos competentes dirigentes, quando o presidente do Senado, um gênio político consagrado, adiante do presidente do Supremo Tribunal Federal, respondendo um insulto de uma senadora envolta, com o marido, em processo crime por corrupção, declarou haver conseguido, por via extra judicial, que a mais elevada Corte de Justiça do país não adotasse as medidas cabíveis contra ela e o cônjuge, em procedimento ilegal e, sem dúvida, carente da moral indispensável a uma Corte de Justiça.

Para não ficar em posição inferior, o presidente do Supremo Tribunal Federal, que tão bem se tinha havido até então, aceitou “dividir” o julgamento, alegando, ao sugerir, que a Suprema Corte poderia receber, em Mandado de Segurança, pedido para anular a decisão do Senado que cassou o mandato da então presidente da República, Dilma Rousseff.

Como visto, o presidente do Senado, interferindo em decisões da Suprema Corte com a mesma facilidade com que propõe a divisão de uma matéria constitucional já consagrada, no mesmo plenário, ou palco, merece um novo título para que o possa identificar como bandeira a tremular em ambos os lados da Praça dos Poderes de Brasília, qual seja senistro - meio senador e meio ministro.

Por oportuno sugiro às elegantes, gentis, educadas, simpáticas, bonitas e cultas senadoras do PT que divulguem uma regra gramatical que consagre a linguagem partidária relativa ao gênero, a exemplo da “presidenta inocenta”, na seguinte forma: o chefe do poder Executivo nacional: sendo homem, presidento, sendo gay, presidento-a, sendo mulher, presidenta, sendo lésbica, presidenta-o.

Post scriptum: considerando a mulher a obra prima da natureza, posto que a única criatura capaz de ser mãe, com raciocínio, Deus que ilumine as ministras presidentes do Superior Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal Federal para que Suas Excelências, mantendo a dignidade do Poder Judiciário, possam resgatar a qualidade do gênero feminino bastante desgastada com as atuações de Dilma Rousseff, no Executivo, e das senadoras do PT, no Legislativo.

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