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20 de Novembro de 2018

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Edição nº 887 / 2016

10/09/2016 - 07:50:23

O culpado foi o Cunha

Jorge Morais

Durante o processo final de discussão e votação do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, algumas “pérolas” foram ditas em plenário pelos senadores que votaram pelo afastamento. Achei curiosa a expressão “das pedaladas a ciclovia”, em relação ao pedido de empréstimo financeiro em bancos oficiais, sem autorização do Congresso Nacional.

Na oportunidade que recebeu para se defender, na segunda-feira (29), Dilma insistiu em dizer que é uma mulher honesta, que o processo foi político, que fez um governo de salvação para os pobres, que os estudantes tiveram mais vagas nas universidades, devido ao financiamento por meio do FIES, que criou o programa Pronatec, com vagas profissionalizantes, que contratou mais médicos e por aí vai. Tudo isso discurso de campanha. Para ela, nesse processo todo, o palanque não foi desmontado.

Como todos os outros que defendiam a permanência de Dilma Rousseff na Presidência da República, a ex-presidente também falou em golpe, deixando claro que o movimento era de pura articulação política. Em nenhum momento, a Dilma disse que cometeu o erro de improbidade administrativa quando se utilizou de um recurso sem a devida autorização de quem de direito, os congressistas.

Atentamente, fiquei na frente da televisão para acompanhar o discurso e as respostas da ex-presidente às perguntas feitas pelos senadores. Uma coisa patética, a defesa feita em benefício próprio e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e as acusações feitas aos ex-presidentes em relação ao comportamento deles em igual situação. Ela, cinicamente e repetidamente, se esqueceu de dizer que todos fizeram a mesma coisa, mas o fizeram autorizados pelas casas legislativas.

Acho que falar em “pedaladas e ciclovias” foi muito pouco para Dilma Rousseff. Diria que foi uma rodovia o que ocorreu. Uma BR-104, por exemplo, uma rodovia federal longitudinal do Brasil . Seu ponto inicial fica na cidade de Macau (Rio Grande do Norte) e o fim em Maceió (Alagoas). Passa pelos estados do Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco e Alagoas.

O que a Dilma Rousseff fez foi algo grandioso assim. Ela acha que, por causa de três decretos, foi afastada da Presidência da República, como um golpe na democracia do Brasil. Golpes, então, dados pelo Congresso Nacional, pelo povo brasileiro que queria que isso ocorresse e pelo Supremo Tribunal Federal, que rejeitou todas as tentativas do grupo pró-Dilma. Até para justificar a sua defesa e a busca pela salvação junto a OEA (Organização dos Estados Americanos), nos Estados Unidos, ela recorreu.

Pelo tamanho da sua defesa durante todo esse processo, desde a admissibilidade e votação pela Câmara dos Deputados, e pelos mesmos motivos no Senado Federal, sempre com o advogado José Eduardo Cardoso usando do termo golpe para justificar que a presidente não deveria ter aprovado o seu afastamento, o que não convenceu aos senhores deputados federais e senadores. A Dilma Rousseff foi afastada do Poder porque não governou o País. Deixou que o Lula e seus principais assessores decidissem os rumos do Brasil. No governo deles, o crime sempre foi dos outros, como, agora, do Eduardo Cunha.

Para finalizar esse artigo, gostaria de lembrar a figura do ex-presidente Lula na área reservada para aos aliados da Dilma Rousseff. O homem dava a impressão que estava ali como que obrigado. Tenho certeza, absoluta, que se fosse dado o direito a ele de escolher, preferiria ficar em casa, na frente de uma televisão, com uma garrafa de whisky de lado, se não comemorando a queda da Dilma, mas afastado da situação ridícula que ela lhe proporcionou. Lula, você recebeu o que plantou...

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