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23 de Setembro de 2018

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Edição nº 887 / 2016

10/09/2016 - 07:39:17

Jorge Oliveira

Já vai tarde

Jorge Oliveira

Maceió – Dilma foi a última vítima da maldição de Santo André que atingiu o Lula. Todos aqueles que estiveram ao lado dele nos últimos anos foram amaldiçoados. Políticos, empresários e até seus familiares vivem dias de desespero e de angústia. Tudo começou com a morte do prefeito de Santo André, Celso Daniel, em 2002, sacrificado para que os petistas chegassem ao poder sem arranhões. De lá pra cá, os personagens envolvidos com a tragédia do prefeito vivem um calvário que já culminou com prisões, mortes e doenças ruins. E agora o Brasil assiste à derrocada final do partido com a destituição da Dilma, que será lembrada como a presidente mais atrapalhada da história do país.A queda da Dilma deixou o país menos corrupto. E menos esquizofrênico, é verdade.

Existe um adágio que diz “aqui se faz, aqui se paga”. E o PT está pagando caro pelos crimes de lesa pátria. Paga caro pelas mentiras, pela corrupção e pela roubalheira generalizada. Muitos de seus personagens, que ajudaram o Lula ao chegar ao poder, hoje vivem nos presídios, como os três tesoureiros do partido e o seu o principal estrategista Zé Dirceu, um homem amargurado e desolado, condenado pela segunda vez. Outros, como alguns empreiteiros, pagam caro pela amizade com Lula. Leo Pinheiro, da OAS, condenado, parceiro do ex-presidente, sofre também as consequências da amizade. Lula não só envolveu seus amigos nas maracutaias durante todo esse tempo como deixou que os filhos e a mulher também virassem alvos da polícia e da justiça. Quem esteve ao seu lado nas últimas décadas pagou um preço muito alto.

A presidente também é vítima da maldição de Santo André. Antes de ser candidata teve que se curar de um câncer. Elegeu-se à sombra de Lula para que ele governasse o país pela terceira vez. No segundo mandato, quando tentou carreira solo, foi atropelada pelo companheiro que mudou seu ministério e a obrigou a seguir suas orientações. Lula nomeou corruptos da sua lista para as empresas públicas com a recomendação de fazer caixa bilionário para manter o partido no poder. Durante o mandato, Dilma não passou de uma marionete manipulada por ele.

A presidente bem que poderia ter desconfiado das intenções de Lula, quando saiu das trevas da burocracia para virar candidata a presidente. Sabia das suas limitações e da sua incapacidade para tal tarefa, mas foi empurrada pela vaidade e pela sede de poder mesmo sabendo que seria uma coadjuvante no processo político do PT. Deixou-se levar pela república sindical, saqueadora dos cofres públicos, e virou cúmplice da bandalheira. Não adianta, portanto, dizer que é honesta. Ao deixar a presidência, entrega o país na mais profunda crise econômica e ética. Acumpliciou-se com os corruptos petistas e com eles governou até ser tragada pela maldição de Santo André.

A Dilma é o tipo da burocrata que se deixou ser usada pelos políticos vivaldinos. Lula tinha outros pretendentes dentro do partido, até mais qualificados, para sucedê-lo. Mas preferiu levá-la ao poder para continuar liderando a organização criminosa com empresários e políticos. Sabia que teria nela total e absoluta submissão às suas ordens por tê-la chefiado. Por isso, contrariou o partido quando a escolheu como sucessora. Por tal ousadia, hoje paga um preço caro: perdeu a sua presidente, está indiciado pela Polícia Federal e destruiu o partido que construiu com a intenção de moralizar o país. Paga o preço da suprema arrogância e do egocentrismo. 

Enterro

Lula leva à sepultura todos que o acompanharam. Leva também para a cova rasa o povo brasileiro ao enganá-lo com seus arroubos de ética e honestidade. Enganou os mais necessitados com a ampliação do Bolsa Família, e em seguida jogou-os na miséria quando aprofundou o país na mais aguda recessão econômica ao apoiar a sua sucessora e organizar o maior assalto aos cofres públicos de que se tem notícia no Brasil.

Maçaneta

Com a excomunhão do PT, Dilma viverá agora seus dias de agonia. Apeada do trono, começa a botar os pés no chão e abrir a maçaneta da porta, cortesia até então do séquito que a acompanhava. Sem a imunidade presidencial, estará sempre atormentada à espera da intimação que a levará á presença do juiz Sergio Moro para responder pelos crimes da Lava Jato. Moro vai exigir explicações dela sobre os 4,5 milhões de dólares que o marqueteiro João Santana recebeu da sua campanha e que, segundo o próprio denunciou em delação premiada, teriam sido roubados da Petrobras.

Cúmplice

A ex-presidente também terá que explicar por que autorizou a compra da refinaria de Pasadena, no Texas, por mais de 1 bilhão de dólares, uma sucata que não valia nada. Ao depor na operação Lava Jato, Nestor Cerveró, o diretor internacional da Petrobras, disse com todas as letras que ela sabia da negociata que mergulhou a estatal em um prejuízo monumental. A Dilma, portanto, deve responder por essas ações nefastas que afundaram o país e dilapidaram o patrimônio das empresas públicas.

Domínio

Dilma deslumbrou-se com o poder ao se aproximar de Lula que a prestigiou com todos os cargos. Maquiavelicamente a manteve sob o seu domínio para tentar se perpetuar no comando do país, pois ameaçava voltar à presidência para sucedê-la depois. No cargo de presidente, Dilma logo botou as unhas de fora. No tratamento com os funcionários mais humildes, seus auxiliares, mostrava-se arrogante, prepotente e grosseira. Com Lula, curvava-se, era submissa. Não contrariava o chefe por temê-lo. Achou que o poder era eterno. Agora, quando deixa a presidência, ouve a torcida silenciosa de seus auxiliares fazer o coro do “já vai tarde”.

Saudade?

Os brasileiros não sentirão saudades da Dilma. Não têm motivo para isso. Nem a história deverá ser generosa com ela. Será reconhecida pelas futuras gerações como a presidente que “foi sem ser”. Que sentou na cadeira da presidência como uma auxiliar do antecessor, que fechou os olhos para uma quadrilha de assaltantes que depenou as principais empresas púbicas, que provocou o maior dano à economia do país e praticou o maior estelionato eleitoral de que se tem notícia na república. 

Folclore

Dilma passará para história como um personagem do anedotário popular. O brasileiro nunca fez tanta piada com um presidente da República como fez com ela. Seus pronunciamentos à nação, quando não escritos por seus assessores, eram verdadeiros esquetes que faziam a felicidade dos nossos humoristas. Pedalava nas ruas e no governo. Virou personagem de livro. Escritores e pesquisadores até hoje tentam decifrar seu pensamento turvo e nebuloso. Suas frases delirantes e incompreensíveis estão catalogadas hoje no folclore político. Os brasileiros viviam sobressaltados com a suas viagens ao exterior. Sabiam que a qualquer momento a sua representante maior poderia envergonhar o país com os seus factoides alucinógenos e extemporâneos, típicos de quem certamente tinha um desarranjo mental.

Tarde

Com o afastamento definitivo da presidente, depois de seis anos perdidos, que me desculpem os dilmistas, mas, francamente, me permitam fazer coro com os auxiliares da ex-presidente: “Já vai tarde”.  

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