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15 de Novembro de 2018

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Edição nº 887 / 2016

01/09/2016 - 19:20:23

Coqueiro Seco segue abandonado pelo poder público

Prefeitura gasta R$ 600 mil em festa junina e descumpre pedido do MP e TC

João Mousinho [email protected]
Tadeu gastou mais de R$ 600 mil com festejos juninos, como mostram os empenhos

A cidade de Coqueiro Seco, que fica na Região Metropolitana de Maceió, tem pouco mais de 5.800 moradores, segundo as estimativas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Mesmo fazendo divisa com a capital é uma das cidades alagoanas mais pobres e carentes do poder público. De tão esquecida até o acesso é por estrada de barro, que causa transtorno durante o inverno.

A população de Coqueiro Seco também sofre com a falta de opções de lazer e emprego e reclama do serviço prestado na saúde, com a falta de médicos e medicamentos.

Sobre emprego a salvação para alguns é Maceió ou o Polo José Aprígio Vilela, que pertence a Marechal Deodoro. Mas a maioria da população está desempregada ou nunca conseguiu uma oportunidade. A situação, com a ausência do poder público, só não é maior porque muita gente vive da pesca do sururu ou da própria arte. Coqueiro Seco, inclusive, é um celeiro de artesãos, que sofrem com a falta de apoio da Prefeitura, que tem Tadeu Fragoso como prefeito pela terceira vez.

Tadeu, que foi preso junto com o pai, Renato Tadeu, acusado de participar do brutal assassinato do vereador Renildo, em 1993, está no segundo mandato e apoia Carla Fragoso, sua prima, para sucedê-lo.

DENÚNCIAS

Sobre a geração de oportunidade de emprego o prefeito deixará a Prefeitura sem realizar concurso público nos três mandatos. Os cargos em comissão, segundo a denúncia recebida pelo Extra, são loteados para vereadores de sua bancada na Câmara e familiares, a exemplo da pernambucana Carla Fragoso, que era uma das contratadas pelo município, na Secretaria de Saúde.

O EXTRA recebeu, do Fórum Nacional de Combate a Corrupção Eleitoral (FNCCE), cópia da representação protocolada na Polícia Federal e no Ministério Público, denunciando Tadeu Fragoso de cometer uma série de crimes, que vão desde improbidade administrativa e formação de quadrilha, a compra de votos através de repasses com dinheiro da prefeitura a centenas de moradores da cidade.

Um dos documentos da representação do FNCCE chama a atenção pelo valor gasto pelo município com os festejos juninos deste ano. Coqueiro Seco, inclusive, não atendeu a solicitação do Tribunal de Contas do Estado (TCE) e do Ministério Público Estadual (MPE) para que os municípios alagoanos evitassem festas com dinheiro público em meio à crise financeira, que castiga localidades como Coqueiro Seco, onde a prefeitura depende praticamente dos recursos do Fundo de Participação dos Municípios (FPM).

Fugindo da solicitação do TCE e MPE a Prefeitura de Coqueiro Seco gastou R$ 603 mil nos festejos juninos deste ano, conforme os empenhos de nº 2016060000151, no valor de R$ 254 mil, pagos à empresa Vas Promoções e Eventos LTDA ME, e R$ 353 mil, empenho nº 2016060000131, pagos à empresa A de Vasconcelos Santana – ME. A primeira tem endereço de Colônia de Leopoldina e a segunda, em Rio Largo.

Para a presidente em exercício do FNCCE, Salilean Lino Damião, a representação feita ao Ministério Público e Polícia Federal está robusta de provas da malversação do dinheiro público. “Recebemos a denúncia e ficamos abismados com a farta documentação. Entregamos tudo aos órgãos competentes para que apurem”, disse.


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