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26 de Setembro de 2018

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Edição nº 887 / 2016

01/09/2016 - 19:07:09

Rui Palmeira e Cícero Almeida disputam legado

Prefeito e deputado federal viram escudos dos principais caciques alagoanos; 2o turno é inevitável

Odilon Rios Especial para o EXTRA
Rui Palmeira ainda enfrenta dificuldades junto ao eleitor mais carente, o nicho de Almeida

A polarização da disputa entre Rui Palmeira (PSDB) e Cícero Almeida (PMDB) se torna ainda mais renhida na TV e no rádio. A troca de acusações se espalha. Esta semana o assunto foi saúde. Cícero era acusado por Rui de abandonar postos na capital; Rui era acusado por Cícero de fechar a maternidade Denilma Bulhões, no bairro do Benedito Bentes.

Nenhum dos dois, porém, procurou explicar o poder dos vereadores da capital alagoana sobre a vida e a morte dos maceioenses, na hora dos atendimentos pelo SUS. O mistério permanece.

Empatados na disputa em todas as pesquisas, Cícero e Rui brigam para mostrar quem fez mais. O atual prefeito fala que, em quatro anos, ergueu mais casas que nos oito anos de Cícero; e Cícero chama a administração Rui de vagarosa.

Neologismos a parte, a situação de guerra entre os lados era esperada por ser uma disputa entre os dois personagens mais conhecidos nesta eleição.

Pesam também as chapas mais numerosas de vereadores, o tempo maior de rádio e TV, e o volume de campanha, realizada mesmo antes da convenção.

Outro elemento explica essa polarização: os dois representam os grandes grupos políticos estaduais em disputa pela principal prefeitura de Alagoas, peça chave para as eleições de 2018.

Polarização

A eleição está polarizada, de um lado, com o PMDB de Renan Filho, recebendo apoio de mais onze partidos; do outro, o PSDB, com o apoio do PDT de Ronaldo Lessa, do PP de Biu de Lira e mais quatro pequenas legendas.

Cícero Almeida, afirmam as pesquisas, tem forte rejeição nos públicos A e B do eleitorado maceioense, mas tem ampla aprovação nos públicos C e D, os moradores da periferia; Rui Palmeira é o contrário: vence facilmente nos bairros mais ricos e apresenta dificuldades junto ao eleitorado mais pobre e menos escolarizado.

Cada um tem 39% dos votos válidos. Imprensados no meio dessa disputa, temos mais cinco candidatos com poucas possibilidades de irem para o segundo turno.

O terceiro colocado nas pesquisas, bem distante dos dois candidatos mais fortes, João Henrique Caldas, o JHC (com 14% dos votos válidos), do PSB, tenta ser a oposição a Rui Palmeira, com estilo diferente de Cícero Almeida.

JHC com apoio de mais quatro partidos nanicos, sabe que, para ser uma alternativa concreta e sair do patamar atual, deverá bater na gestão atual, fazer críticas a Rui para, assim, poder polarizar com o prefeito, usando uma linguagem menos tradicional, trabalhando os segmentos mais esclarecidos do eleitorado, diferenciando-se de Cícero. Apesar de herdar a imagem pouco positiva do ex-deputado federal João Caldas, seu pai, e das denúncias contra ele (o que ajuda a explicar sua alta rejeição), JHC é um bom orador, com imagem jovial, que poderá 

Ronaldo e Heloísa em rumos diferentes 

Dois importantes personagens na disputa eleitoral tomaram rumos diferentes. O ex-governador Ronaldo Lessa (PDT) se desentendeu logo cedo com Renan Filho pelo pouco espaço do PDT no Governo Estadual. E resolveu antecipar sua insatisfação apoiando a reeleição de Rui Palmeira, em troca de duas secretarias na Prefeitura de Maceió.

Lessa seria um nome capaz de desequilibrar as eleições, com chances de derrotar Rui Palmeira, para quem perdeu a última disputa.

Surpreendentemente, Lessa declarou voto a Rui, de quem era adversário, e deixou os partidos mais próximos, PT e PCdoB, sem muitas alternativas.

O PCdoB, que faz parte do governo Renan Filho, fechou com o PMDB no apoio a Cícero, integrando-se na chapa proporcional, buscando eleger um vereador.

Ao PT, sem poder apoiar Rui, do PSDB, ou Cícero, que votou pelo impeachment de Dilma Rousseff, restou o lançamento do deputado federal Paulo Fernando dos Santos, o Paulão, que apresenta uma campanha de forte conteúdo nacional, tentativa de se reaproximar do antigo eleitorado mais à esquerda.

Com pouco recursos e tempo de TV, uma chapa limitada, com o maior nível de rejeição, sem contar nem mesmo com seu mais tradicional aliado, o PCdoB, Paulão apenas marcará presença (está com 4% dos votos válidos), mas terá um ganho de imagem para sua reeleição em 2018.

A ex-senadora Heloísa Helena, a mais votada vereadora da história, depois de uma passagem sem muito brilho na Câmara Municipal de Maceió, abandonou o PSOL e foi para a Rede Sustentabilidade, o partido de Marina Silva.

O PSOL, mesmo com Heloísa, nunca deixou de ser uma pequena legenda, e a Rede praticamente inexiste em Alagoas, ainda assim lançou sete candidatos a Câmara, sem apresentar candidato a prefeito.

Figura nacional, Heloísa está sendo convidada a se candidatar, em 2018, em outros estados e mesmo em Brasília. Distante das eleições locais, ela deverá pedir votos para seus amigos próximos, que estão em vários partidos.

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