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23 de Setembro de 2018

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Edição nº 887 / 2016

01/09/2016 - 18:55:36

Polícia investiga caso da jornalista Márcia Rodrigues como morte violenta

Vera Alves [email protected]
Márcia teria ido à casa do pai para se reconciliar com ele

Apaixonada pelos dois filhos, dinâmica e espiritualizada. Este o perfil traçado por amigos da jornalista Márcia Rodrigues Farias,48 anos, encontrada morta no último dia 14 - o domingo do Dia dos Pais -, em uma residência no Condomínio Porto di Mare, em Paripueira, litoral norte de Alagoas. A casa, para onde ela fora na noite do sábado, pertence ao pai, o delegado aposentado da Polícia Federal Milton Omena Farias, com o qual pretendia tentar uma reconciliação, segundo contara a uma amiga. 

A morte de Márcia continua sob investigação da polícia, que tem pouca convicção de ter havido um suicídio, como afirma o próprio pai. A certeza, contudo, depende ainda dos laudos a serem entregues pela Perícia Forense, tanto que o inquérito se refere ao caso como de morte violenta, abrindo a perspectiva de que ela tenha sido vítima de homicídio. As suspeitas se agravaram depois que Milton Omena atribuiu à crise econômica por que passa o País o motivo pelo qual, na versão dele, a filha teria se matado. A tese, contudo, foi rechaçada por pessoas próximas a Márcia, segundo as quais ela não enfrentava dificuldades de ordem financeira, o que já foi inclusive confirmado pela polícia.

Duas semanas antes de morrer, a jornalista e consultora de Marketing havia ido à Secretaria de Comunicação do Estado apresentar uma proposta de monitoramento e clipagem de notícias através da Monitori Comunicação, uma empresa sediada em Recife (PE) e através da qual ela também ministrava palestras e realizava consultorias. Em março deste ano, ela foi um dos destaque de um evento promovido pela Universidade Federal de Alagoas, dentro do Projeto Trainee, quando falou sobre “Empreendedorismo Social – o poder da ação coletiva”.

AS TRAGÉDIAS

Formada em Jornalismo pela Ufal e com pós-graduação em instituições do Rio de |Janeiro e Brasília, além de graduações na Dinamarca, Márcia Rodrigues era especialista nas áreas motivacional, de vendas, marketing pessoal e voluntariado. Era adepta de esportes e espiritualizada, o que teria lhe ajudado a superar as tragédias pessoais, a primeira a perda precoce do único irmão, ainda adolescente e mais velho do que ela, em um violento acidente de carro em Cuiabá (MS), onde a família residia.

Anos depois, nova tragédia, a morte do namorado, José Maria Tenório Gomes Filho, que, na versão oficial da polícia e sustentada pela família da jornalista teria se matado. O jovem, de pouco mais de 18 anos, teria ido à casa da namorada e tentado matá-la porque não aceitava o rompimento. Mais de 20 anos depois, contudo, a família dele ainda se recusa a aceitar a tese do suicídio e mantém as suspeitas de que ele tenha sido morto num ato em defesa da jovem.

Sócia do pai em uma empresa de consultoria em Recife, Márcia também teve problemas de relacionamento com Milton Omena Farias após ele e a mãe dela se separarem. O rompimento teria sido causado pela infidelidade dele com uma jovem de 20 anos que trabalhava na empresa. O fato também teria levado à dissolução da sociedade entre pai e filha.

Em maio do ano passado, Márcia chegou a confidenciar a uma amiga que o pai estava “louco de hospício”, em alusão a seu comportamento: teria agredido fisicamente a mãe dela, além de tentado prejudicá-la na divisão dos bens por conta da separação.

Dentre as dezenas de pessoas já ouvidas pela polícia, há quem afirme que o delegado aposentado da PF é uma pessoa explosiva e temperamental, mas há também quem o considere uma pessoa tranquila.

As dúvidas

Márcia Rodrigues foi alvejada por ao menos dois tiros, um deles no pescoço e outro na altura do tórax, em sentido ascendente. Os tiros saíram da pistola 7.65, pertencente ao pai dela. Na versão dele, a filha se matou enquanto ele a aguardava no carro. Era final da manhã do domingo e ambos iriam almoçar na casa do avô da jornalista, pai dele.

Milton afirmou não ter ouvido qualquer tiro, mas ao menos um disparo foi ouvido por uma pessoa moradora do condomínio. Ele disse ter estranhado a demora dela e foi ver o que ocorria, quando teria se deparado com a filha caída. Ligou para um amigo que foi ao local. Este pediu que ele não mexesse em nada e o levou para sua casa depois de terem acionado a polícia.

Se a cena foi ou não alterada, somente a perícia poderá dizer. Além do exame cadavérico, foram realizados também exames residuográficos nela e no pai, a fim de confirmar quem atirou. 

Informações extraoficiais obtidas pelo EXTRA dão conta de que o cenário encontrado na residência não era característico de um suicídio, mas a polícia se nega a confirmar a informação sob o argumento de que somente o trabalho da perícia irá determinar se houve ou não um crime.

Quem é Milton Omena Farias 

O delegado aposentado da Polícia Federal Milton Omena Farias é um viajante. Integrante de grupos de motoqueiros, ele já percorreu todas as regiões do Brasil e vários países em uma possante motocicleta, o que lhe rendeu uma matéria no site do G1 em 2014. Entrevistado à época pelo portal, durante uma parada na cidade de São Carlos (SP), contou ter rodado pela Alemanha, Áustria, Suíça, Lichtenstein, França, Portugal, Espanha, Grécia, África do Sul e Nova Zelândia. “Em 2012, a meta foi o projeto Brasil/Américas, que o fez percorrer todas as capitais brasileiras, além dos países das Américas do Sul, Central e do Norte. Em dez meses, rodou 91.802 km até retornar a Maceió”, diz trecho da reportagem.

O típico motoqueiro de estrada, definido por algumas pessoas como de “estilo playboy”, despertou a atenção da mídia alagoana no caso da morte da filha em função da postagem, ainda no dia 14, em que comunicava que ela havia se matado. Mas o post, em sua página do Facebook, teria sido alterado dois dias depois em função de comentários feitos por amigos dela durante o enterro colocando em dúvida a tese de suicídio.

Na postagem que permanece na rede social e que foi editada, ele afirma que Márcia teria se rendido à depressão causada por dificuldades financeiras motivadas pela crise econômica fruto dos desmandos do governo. 

Os amigos dela, contudo, questionam esta possibilidade.

O EXTRA tentou falar com o delegado aposentado e esteve no Condomínio Porto di Mari, onde recebeu a informação de que ele não se encontrava. Márcio Omena Farias, que não foi à missa de sétimo dia da filha, ao que indicam as postagens mais recentes em sua página do Face, já está de volta às estradas.

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