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18 de Setembro de 2018

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Edição nº 886 / 2016

28/08/2016 - 09:33:41

O sabor amargo do fracasso

Alari Romariz Torres

Era uma vez uma criança pobre, de cabelos loiros, filha de um alfaiate e de uma dona de casa. Nunca foi bonita, mas sua vivacidade e a genialidade de seu pai foram ensinando-lhe a administrar os momentos bons e ruins da vida. 

Na cabeça da menina germinou a ideia de que há sempre um amanhã melhor e de que dentro dos maus momentos há uma lição a ser aprendida.

E a moça aos 16 anos se apaixonou por um rapaz de classe média. Casou e teve 4 filhos, criados dentro do mesmo espírito de cultivar o bem e lutar por dias melhores.

O tempo foi passando e nada foi fácil para o jovem casal. Por conta da profissão do moço, morou em vários estados, fato que serviu para a educação dos filhos, sofridos com adaptação em diferentes cidades e enriquecidos pelo conhecimento com pessoas do Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste.

Algumas decepções fortaleceram a vida do casal, que aprendeu a se virar sozinho, pois sempre morou longe da família. O lado bom da distância foi conhecer amigos que viraram parentes: tios, tias e os primos dos 4 filhos.

Vivia emprestada a órgãos federais ou estaduais. Mas o casal volta para Maceió e a moça, agora mais amadurecida, regressa ao seu trabalho de origem, na Assembleia Legislativa.

Após a Constituição de 1989, foi criado o Sindicato da Casa de Tavares Bastos e a mulher, já bem adulta, começou a defender os direitos da categoria. Ainda conseguiu conviver com políticos que respeitavam as leis e os direitos dos trabalhadores. Mas, para castigo dos servidores, começou um verdadeiro inferno astral: o duodécimo do Legislativo passou a ser administrado pelos deputados e para eles, o dinheiro público lhes pertencia e não ao povo.

Graças a Deus e à mesma Constituição, os servidores da ALE/AL obtiveram o direito de recorrer à Justiça. Apesar de não ser advogada, a sindicalista contou com a ajuda de juristas competentes e amigos, ganhando algumas causas, fato que irritou profundamente as Mesas Diretoras da época.

E a perseguição começou: rebaixamento de cargo, cortes salariais, descontos indevidos. Paralelamente, a vítima recorria à Justiça. Ganhava ou perdia, mas não se assustava. Com ela vários servidores foram entrando nos processos e aprendendo a lutar.

Entretanto o ódio, a irreverência, a mania de perseguir continuava na cabeça dos dirigentes. A insanidade foi tanta que o MP conseguiu afastar a Mesa do Fernando Toledo e ver de perto tudo o que de ilegal era praticado. Já houve algumas punições, mas muito poucas em relação aos crimes ocorridos.

Assumiram novas Mesas e tudo piorou. Eles, os deputados, chegam ao cúmulo de pagar salários dobrados a mais de 800 assessores. Só com tal atitude gastam R$ 5 milhões do orçamento, por mês. E ninguém faz nada!!!...

Não acredito que no Brasil inteiro existam dirigentes mais irreverentes, audaciosos e desrespeitosos com a causa pública do que os componentes da Mesa Diretora da ALE/AL. Os outros deputados são coniventes porque ouvem as denúncias e não se posicionam. Por onde passei, não vi nada igual.

Hoje, fica a triste servidora pensando com seus botões: onde estão as autoridades deste pobre estado das Alagoas? Provoca com notícias, envia documentos e ninguém se pronuncia. O mínimo a ser feito era chamar os deputados da Mesa, os denunciantes e outras autoridades para ouvir toda a verdade. Todavia, os orçamentos dos demais Poderes passam pela mão dos parlamentares e isso é uma poderosa arma de posse deles.

A loirinha pequenina chegou aos 75 anos e continua sofrendo perseguições, mesmo estando aposentada. 

Mas quem sobrevive com 65% do salário cortado durante 8 anos? Quem consegue não reagir tendo sua previdência descontada a maior durante 3 anos e ver o dinheiro subtraído ficar nas mãos dos deputados? Quem não se assusta com descontos duplos no salário porque a ALE/AL não repassou aos bancos as consignações dos servidores?

A “velhinha das Alagoas” está ficando cansada de denunciar tanta corrupção e não obter resposta das autoridades alagoanas! Está querendo desistir quando vê deputados zombando dos aposentados, desrespeitando a Justiça, pagando salários dobrados a mais de 800 comissionados!

Ela espera não morrer de decepção. Não achar que nadou, nadou...e morreu na praia...

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