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16 de Dezembro de 2018

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Edição nº 886 / 2016

28/08/2016 - 09:32:08

Salvem as nossas crianças!

Três bebês são atingidos por tiros em uma semana em Alagoas

José Fernando Martins [email protected]

Em cinco dias, três crianças foram atingidas por disparos de arma de fogo em Alagoas, todos bebês de colo com dois anos de idade. Um morreu. Os casos aconteceram em Maceió, Arapiraca e Rio Largo. A situação expõe que a violência é democrática e pode alcançar os cidadãos de qualquer idade. Porém, quando atinge crianças, a sociedade cobra respostas mais enfáticas do Poder Público. 

Respostas que serão cobradas pela Ordem dos Advogados de Alagoas (OAB-AL). Ciente dos casos, o presidente da Comissão de Defesa da Criança e do Adolescente da Ordem dos Advogados de Alagoas (OAB-AL), Alan Pierre, solicitará ao delegado geral da Polícia Civil, Paulo Cerqueira, e ao secretário de Segurança Pública de Alagoas, coronel Lima Júnior, mais detalhes das investigações. 

“O estado vive uma guerra urbana que tem ocasionado fatos anormais. E podemos incluir acontecimentos como esses. São fatalidades que não queremos colocar em estatísticas. Não é normal um bebê ser morto por tiros. Quando um bebê morre por causa da violência, na verdade, ele foi vítima duas vezes: da bala e da falta de investimentos do poder estatal no passado”, destacou. 

A primeira ocorrência aconteceu no dia 14 de agosto, um domingo, em Rio Largo. Uma tentativa de assassinato acabou na morte de uma criança. Dois homens armados entraram num bar com o objetivo de matar dois desafetos, no entanto, acabaram atingindo um tiro no abdômen de José Andrian Ramos da Silva, que estava com a mãe, Raylane Nascimento, 25. 

Ele foi encaminhado ao Hospital Ib Gatto Falcão, mas veio a falecer. No dia 23, dois homens foram presos durante a “Operação Ressaca Olímpica”, em Rio Largo, sob suspeita de matar José Andrian. Roberto Alves da Rocha, de 30 anos, e seu irmão, Pedro Henrique Alves da Rocha, de 29, foram apresentados pela cúpula da Segurança Pública.

Na noite de quarta-feira , 17,  um homem conhecido como “Pezão” sofreu uma emboscada no bairro de Brasília, em Arapiraca. Quando Pezão adentrou em sua casa, um carro se aproximou e disparou tiros contra a porta da residência, atingindo o filho da vítima. A bala atingiu a cabeça da criança, que foi levada às pressas para o Hospital de Emergência Daniel Houly. Policiais chegaram a prender o suspeito do disparo, que contou que o motivo da tentativa de assassinato foi porque teve uma briga com o pai da criança. 

E na quinta-feira, 18, uma menina foi atingida nas costas por uma bala perdida, no Farol, em Maceió. O tiro que atingiu a criança tinha como alvo o pai Pedro Geovane Matos Moreira, 25, executado com 16 tiros. O fato aconteceu na Rua Bela Vista, atrás do Centro de Estudos e Pesquisas Aplicadas (Cepa). Até o momento, ninguém foi preso.  De acordo com a assessoria do Hospital Geral do Estado (HGE), o tiro pegou de raspão nas costas da menina, que recebeu alta. 

São atentados que mostram os riscos sofridos por menores que vivem em áreas de risco. “As três crianças atingidas foram vítimas do acaso. As balas não eram para elas. Mas, vendo onde os crimes aconteceram, são locais mapeados como de grande índice de violência. A pasta tem trabalhado com a questão da prevenção onde as crianças se tornam o foco nesses territórios”, destacou o superintendente da Criança e do Adolescente da Secretaria de Estado de Prevenção à Violência (Seprev), Ronaldo Targino. 

“Existe um comitê de prevenção à violência com proposta de trabalho unificado de secretarias nesses territórios para que essas famílias possam ter um suporte maior das ações de governo. Sabemos que o acesso à saúde e à educação previne a violência. A ideia de prevenção é levar o máximo esses serviços estaduais para esses territórios considerados perigosos”, complementou à reportagem do EXTRA Alagoas

Estado aparece em relatório da ONU sobre balas perdidas

O Brasil é o país com maior número de mortes por balas perdidas entre os países da América Latina e Caribe durante os anos de 2014 e 2015, segundo relatório do Centro Regional das Nações Unidas para a Paz, Desarmamento e Desenvolvimento na América Latina e Caribe (Unlirec, sigla em inglês), órgão da Organização das Nações Unidas (ONU). O ranking internacional mostrou que, das 741 ocorrências envolvendo balas perdidas na América Latina e Caribe, 197 foram no Brasil, resultando em 98 mortos e 115 feridos. Entre os casos analisados, três aconteceram em Alagoas.

Os dados publicados em agosto foram contabilizados a partir de casos divulgados pelos meios de comunicação em 27 países. Entre eles está a morte de Laercia Maria dos Santos, 59, que foi baleada em frente de casa em Santana do Ipanema. O crime aconteceu no dia 29 de novembro de 2015. Ainda no mesmo mês, no dia 1º, dois homens foram mortos dentro de um carro e uma adolescente foi atingida por uma bala perdida, no conjunto Village Campestre, no Tabuleiro do Martins, parte alta de Maceió. A jovem de 13 anos estava na porta de casa, na rua onde aconteceu o crime, e foi atingida no abdômen por uma bala perdida, mas sobreviveu.

Outro caso levado em consideração no levantamento é o de Eduarda Santos da Silva, 24. Ela foi atingida por uma bala perdida no dia 15 de maio em Teotônio Vilela. Segundo a polícia, o fato ocorreu durante uma tentativa de homicídio contra dois homens. Ela estava em casa quando uma das balas atravessou a porta da residência e a atingiu. Os três foram socorridos a tempo.

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