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13 de Novembro de 2018

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Edição nº 885 / 2016

23/08/2016 - 10:30:17

A arrogância na política

CLÁUDIO VIEIRA

Confúcio, o maior mestre da milenar sabedoria chinesa, ensinou, em um dos seus analectos, que “um cavalheiro mostra autoridade, não arrogância; um homem comum mostra arrogância, mas não autoridade”. Pensando sobre este ensinamento de mais de dois mil e quinhentos anos, tenho por certo que na política brasileira, via de regra, há apenas homens comuns, no sentido do confucionismo. A denominada Operação Lava Jato e a crise moral-político-econômica que nos aflige, têm tornado sobremaneira evidente essa má qualidade da política no Brasil.

Objeto do impeachment, Dilma Rousseff, e seus acólitos, apregoam que, eleita com mais de cinquenta milhões de votos, não pode ser apeada do Poder, mesmo por ações de desrespeito à lei. Assim, segundo seu esdrúxulo entendimento, a lei deve ser obedecida por todos, menos pela administração pública, mais especialmente pelo petismo. Em suma, eleita com os tantos milhões de votos que apregoa, o Poder é sua posse, não podendo dele ser expropriada, mesmo que a maioria daqueles mais de meia centena de milhões de votos queiram a sua deposição. 

Lula, por sua vez, não fica atrás. Melhor, sempre está à frente de todos. Por ter feito tantos benefícios ao Brasil – o que é verdade, mas não tanto! – a ele deve ser permitida a execução de qualquer ato, mesmo criminoso. Para usar expressão comum, está ele acima da lei. A perseguição que sofre da polícia, do Ministério Público e da Justiça, é absurdez que, como tal, não pode ser admitida. 

A diferença entre Lula e sua cria está em que esta pensa ser proprietária do Poder estatal, enquanto ele, o criador, tem a certeza de ser o próprio Estado. Ol’étatc’est moi, de Luiz XIV, foi então usurpado pelo ex-presidente, esquecido que, se o Estado é permanente, o Rei Sol acabou morrendo vítima de gangrena, enquanto a França resiste em grandeza até nossos dias.

Não apenas o deus do Olimpo brasileiro se considera imune aos braços da lei e do Estado. A arrogância parece ter infectado, por osmose, a família do rei sol do Brasil. Convocados a comparecer diante da Polícia Federal, sua esposa Marisa e o filho Lulinha simplesmente recusaram-se, pois, segundo dizem, nada têm a dizer ao Estado brasileiro sobre o sítio de Atibaia e o triplex de Guarujá. 

Imaginemos, então, se qualquer um de nós, homens da planície, pensamos igual a esses próceres, assim como a muitos outros mais? Estado, lei, instituições... Para que tudo isso, afinal?

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