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14 de Novembro de 2018

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Edição nº 885 / 2016

23/08/2016 - 10:03:39

Paciente recorre ao Google para decifrar receituário

Ouvidora diz que consultar internet não é o melhor caminho e aconselha acionar Conselho Regional de Medicina

Maria Salésia com assessoria [email protected]

A letra ilegível nos receituários médicos é uma reclamação antiga dos pacientes. Além de provocar confusão nos balcões de farmácias, é um direito do paciente exigir a clareza na receita. É obrigação do médico emitir receitas que possam ser lidas facilmente, mas nem todo mundo está ciente de seus direitos e recorre a outros meios para conseguir adquirir a medicação. Foi o caso da dona de casa M.B. que no dia 4 de julho desse ano foi a uma consulta ginecológica, mas não conseguiu comprar o remédio porque ninguém entendeu a caligrafia do médico.

Ela recorreu a algumas farmácias em Maceió e passou por mais dois médicos sem obter sucesso. Ninguém conseguia decifrar. Cansada da peregrinação, um dos médicos após saber que era medicação para reposição hormonal na menopausa, aconselhou que ela recorresse ao Google e pesquisasse o nome do princípio ativo da medicação. Deu sorte e assim comprou o remédio.

Mas a solução encontrada pela paciente não é recomendada e a ouvidora do Conselho Regional de Medicina de Alagoas (Cremal), médica Edilma Albuquerque, aconselha que o paciente deve procurar o Cremal e fazer sua reclamação. “Recomendamos que a pessoa procure a ouvidoria no conselho que irá orientá-la”, disse ao acrescentar que o Google não deve ser consulado para tirar esse tipo de dúvida.

Indignado, o esposo da paciente que também não quis se identificar disse que isso é um descaso. “O médico realizou o atendimento normalmente, sem complicações. Mas na hora de comprar o remédio deu toda essa confusão. Fico revoltado em ver o descaso e a ausência de preocupação com o problema de saúde de um ser humano”, desabafou.

Para evitar essa situação, muitos profissionais seguem a recomendação dos Conselhos de Medicina e utilizam computadores, com a impressão de receitas e pedidos de exames, o que contribui para o registro adequado e a melhoria da comunicação do médico com seus pacientes. Mesmo sabendo que o mau entendimento da receita dá margem a erros e pode colocar o paciente em riscos é comum médicos receitarem com letras inelegíveis..

O QUE DIZ A LEI

Uma boa comunicação entre as partes é fundamental para resguardar a segurança do paciente e o médico precisa sempre estar atento a isto. Os “garranchos” incompreensíveis de muitos deles não apenas provocaram estragos na saúde de enfermos, como renderam aos profissionais a fama de não saberem escrever com traços legíveis. Suas prescrições devem ser claras e precisas, tanto para leigos quanto para profissionais.

O artigo 35 da Lei Federal nº 5.991, de 17 de dezembro de 1973, tornou obrigatória a escrita de forma legível das receitas médicas. Foi determinado que se o paciente tiver que recorrer a um farmacêutico para decifrar o que está escrito na receita, poderá formalizar uma denúncia no Conselho Regional da cidade contra o profissional.

Além disto, tanto os farmacêuticos quanto os atendentes podem ser punidos se venderem medicamentos errados em função da má interpretação da receita. O farmacêutico Daniel Silva, recém formado, disse que é comum pacientes chegarem à farmácia em que ele trabalha com receituários ilegíveis. “ Pedimos que volte ao médico para refazer o nome da medicação, mas algumas pessoas resistem”, afirmou, ao acrescentar que, no caso dele, só vende a medicação se estiver legível. “Não vou colocar em risco a vida do cliente e nem minha reputação”, finalizou.

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