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25 de Setembro de 2018

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Edição nº 884 / 2016

16/08/2016 - 10:51:24

Rua do Comércio

PRINCIPAL RUA DE MACEIÓ SURGIU COMO ESTRADA DE TROPEIROS, CAMINHO ENTRE O LARGO DOS MARTÍRIOS E O PORTO DE JARAGUÁ

Edberto Ticianeli Jornalista
Rua do Comércio na década de 1930 durante as obras de alargamento da Av. Moreira Lima

No início do século XIX, Maceió era apenas um pequeno povoado que fazia parte da freguesia de Santa Luzia do Norte e tinha o privilégio de ter um dos melhores portos da região. Mais quatro outros pequenos povoados completavam a freguesia: Trapiche, Jaraguá, Poço, Mutange e Bebedouro.

Entre os caminhos utilizados por tropeiros e seus animais de carga para este porto, naturalmente foram surgindo as vias de acesso ao litoral. A estrada de Bebedouro, Largo dos Martírios, Rua do Comércio, Praça D. Pedro II e Boca de Maceió (hoje Praça dos Palmares), ao que tudo indica, compunham o trajeto mais utilizado na antiga Maceió

A ligação entre o Largo dos Martírios e a Boca de Maceió foi reforçada, no início do século XIX, por ruas paralelas à Rua do Comércio, como a Rua Boa Vista, Rua do Sol e Rua da Alegria.

Em meados do século XIX, quando Maceió já era a capital da capitania de Alagoas, suas principais vias eram a Rua do Comércio, Rua Boa Vista e Rua do Sol. Em direção ao sul, dois arruados também já estavam bem habitados: a hoje Rua do Livramento e a Rua Nova (Barão de Penedo), que ligavam respectivamente a Rua do Comércio e a Boca de Maceió ao Largo da Cotinguiba (hoje Praça Deodoro).

Ao historiar sobre a Rua do Comércio, Félix Lima Júnior, em Memórias e Minha Rua, informa que ela começava no Largo dos Martírios, então conhecido como Atalaia, por ser o local onde os comerciantes esperavam os almocreves com as mercadorias daquele município, confirmando a sua função de entreposto comercial.

Talvez por ser a via mais utilizada do povoado, na Rua do Comércio foram se instalando as principais lojas comerciais e escritórios de serviços da vila. Em 1831, quando o presidente da província de Alagoas, o paraibano Manoel Lobo de Miranda Henriques, instalou a primeira tipografia em Maceió, A Patriótica, o fez na Rua do Comércio, nº 6, após ter ficado um breve período na Rua do Livramento, nº 3.

O primeiro grande investimento feito na Rua do Comércio foi a sua pavimentação em 1854, no governo de Antônio Coelho de Sá e Albuquerque, obra realizada “sob a direção científica” do engenheiro Pedro José de Azevedo Schamback. O sistema adotado foi o de pavimentação Macadam – camadas de brita com cobertura de cascalho fino sob compactação.

Sá e Albuquerque informa ainda que foram calçados 120 palmos e construídos 421 palmos de valetas laterais, mas, por falta de “instrumentos convenientes” (provavelmente o rolo compactador), “o calçamento ficou muito defeituoso”, o que levou o governante a suspender a obra alegando que era muito dispendiosa.

Em 1857, o mesmo Sá e Albuquerque manifesta interesse em melhorar a pavimentação da Rua do Comércio, “a mais frequentada desta capital”, e nomeia uma comissão para contratar operários, instrumentos e materiais para a obra.

A iluminação pública de Maceió foi melhorada a partir de 1858 com a utilização de “gás líquido hidrogênio” nos 100 lampiões, cada um deles equivalente a cinco velas de cera. A empresa contratada teria que estender a iluminação até Jaraguá. Mesmo com ampliação, o presidente da província, Angelo Thomaz Amaral, considerava que esse serviço ainda era insuficiente para uma população de 10.568 habitantes, dos quais 2.110 eram escravos.

A Rua do Commercio, como registrava a grafia da época, não demorou a ser vítima das políticas de homenagens a personalidades públicas do Conselho da Intendência Municipal. Assim, no dia 3 de fevereiro de 1883, “prestando homenagem ao mérito de alguns varões ilustres filhos a maior parte dessa província”, foram alteradas as nomenclaturas de algumas ruas de Maceió.

O jornal O Orbe, no dia seguinte à aprovação da lei, informava as alterações. A Rua do Comércio passou a ser a Conselheiro Sinimbu; Rua Boa Vista, Conselheiro Lourenço; Rua Nova de Maceió, Barão de Penedo; Rua do Palácio, Barão de Anadia; Rua do Alecrim, Barão de Maceió; Rua das Verduras, Barão de Atalaia; Rua Augusta, Ladislau Neto; Rua da Alegria, Pedro Paulino; Rua do Macena, Cincinato Pinto; Rua Nova de Jaraguá, Royal; Rua da Cambona, General Hermes;  e,  Rua do Jogo, Voluntários da Pátria.

Dessa data em diante, os jornais tratam a Rua do Comércio como “a atual Conselheiro Sinimbu”, ou ao contrário, como “Rua Conselheiro Sinimbu, antiga Rua do Commercio”. Alguns deles simplesmente desconhecem as mudanças e continuam a se referir às ruas da cidade como antes da alteração aprovada pela Câmara.

A homenagem ao Conselheiro Sinimbu não demorou a cair pela força do costume e também porque, em sessão do Conselho da Intendência Municipal, no dia 4 de fevereiro de 1890, o conselheiro Filigonio A. Jucundiano de Araújo aprova uma indicação restituindo o nome original da via, que volta a ser Rua do Commercio.

Ao longo de sua história, a Rua do Comércio recebeu equipamentos importantes da cidade, a exemplo do Relógio Oficial, inaugurado no dia 21 de março de 1922, no entroncamento entre a Rua do Comércio e a Rua do Livramento 

Em frente ao Relógio Oficial ficava a Chapelaria Lisboa, que depois viria a ser o Café Ponto Central de Manoel Cupertino, inaugurado no dia 25 de abril de 1931. Foi o ponto de encontro dos intelectuais e empresários durante décadas. 

Outro equipamento urbano que marcou época na Rua do Comércio foi o Cinearte, que começou a funcionar ainda nos anos da década de 1920 com o nome de Cine Floriano e depois Cine Capitólio. No dia 9 de julho de 1957, o Cinearte fechou para reforma, só reabrindo no dia 27 de fevereiro de 1959, já com o nome de Cine São Luiz. 

Como principal artéria da cidade, a Rua do Comércio, naturalmente também passou a ser o espaço preferido para o carnaval de rua da capital. A partir dos anos 30, os blocos arrastavam multidões para lá, dividindo o espaço com o corso e com as Maratonas Carnavalescas.

No final dos anos 70, na administração do prefeito Dilton Simões, a Rua do Comércio recebe sua última grande intervenção com a implantação do primeiro trecho do Calçadão, que tirou o trânsito de automóveis da via, afastando as agências bancárias.

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