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26 de Setembro de 2018

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Edição nº 884 / 2016

16/08/2016 - 10:48:56

NBA, a aberração olímpica

Reinaldo Cabral

Desde 776 a.C, quando foram oficialmente criados os Jogos Olímpicos,o mundo não tinha assistido uma ostentação como a exibida pela NBA, a seleção de basquete dos EUA, nos jogos do Rio de Janeiro.

A aberração exibida pelos jogadores mais caros do mundo não só humilhou a comissão organizadora dos jogos como todos os atletas e quem comprou ingresso para assistir os jogos.

A seleção da NBA veio ao Rio a bordo de um transatlântico particular, ficou hospedada nele no porto do Rio bem distante da Vila Olímpica onde ficaram todos os atletas participantes, e se comportou como deuses. Evitou contato com os humanos e, para bloquear qualquer contaminação hídrica e alimentar, a seleção trouxe água e alimentação.

Desde sua criação, as características básicas dos Jogos Olímpicos são a solidariedade, a igualdade e a fraternidade, virtudes depois assimiladas e adotadas pela Revolução Francesa de 1789. Essas características ao longo dos séculos foram fortalecidas.

 Ao longo dos séculos os eventos olímpicos foram marcados pela distribuição de flores. E até com a declamação de poemas aos vitoriosos, mas isso posteriormente se converteu em estátuas e outras homenagens especiais para elevar a grandiosidade dos atletas. Para se chegar a medalhas de ouro, prata e bronze passaram-se mais de 10 séculos, evolução essa que se seguiu à introdução de dezenas de novas modalidades esportivas, umas mais criativas do que as outras - embora aquelas modalidades medievais, como a esgrima, tenham permanecido no cenário.

As olimpíadas do Rio produziram dois fenômenos paradoxais: viciada, desde a antiga URSS, em agressões aos “direitos humanos”, a Rússia aproveitou a rejeição aos seus atletas olímpicos viciados na utilização de produtos químicos para o fortalecimento dos músculos para devolver históricas acusações à comissão organizadora, composta em sua maioria por norte-americanos.

Por pressões políticas, nem todos os atletas foram vetados. Salvaram-se alguns anéis e dedos, e a Rússia não ficou muito abaixo no quadro de medalhas.

O segundo e mais importante paradoxo das Olimpíadas é a presença da seleção de basquete dos EUA, o chamado time de estrelas. Cada um deles recebe por mês salário de 18 milhões de dólares e são tratados como deuses. Vieram ao Rio a bordo de um transatlântico italiano mais luxuoso do planeta, ficam hospedados nele e só saem para jogar. Além de 250 guardas municipais, o navio é protegido por mísseis capazes de derrubar aviões a longa distância. Nele acumulam-se a água e a alimentação que estão sendo usados durante as olimpíadas.

Como deuses, os atletas norte-americanos não podem ter contato com outras pessoas de fora da sua delegação.

Essa ostentação agride todas as motivações históricas das olimpíadas e representa a excrescência do imperialismo dos EUA incorporado ao evento.

No passado a humildade era saudada como um dom típico de sábios. Hoje, arrogância substitui o lugar da sapiência.

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