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20 de Setembro de 2018

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Edição nº 884 / 2016

16/08/2016 - 10:48:24

A saga da primeira secretaria

Alari Romariz Torres

Nos últimos 40 anos, acompanhei os trabalhos das diversas Mesas Diretoras que passaram pelo Legislativo Alagoano.

Digo sempre: “Éramos felizes e não sabíamos”. Levávamos a vida normal: o calendário de pagamento era distribuído em janeiro, focando o dia do mês em que receberíamos o salário até dezembro. Nossas pastas funcionais eram atualizadas e todas as informações devidamente documentadas e arquivadas.

 Os deputados respeitavam os servidores e alguns até nos ajudavam quando se fazia necessário.

Cito sempre o nome do deputado José Bernardes, 1º secretário por duas vezes. Um homem rústico, mas de bom coração. Ajudou a categoria a fundar a Copamedh, nosso plano de saúde e quando havia um problema mais sério, recorríamos a ele e obtínhamos um resultado positivo.

Para maiores esclarecimentos: as responsabilidades da Mesa Diretora da Assembleia Legislativa de Alagoas são divididas entre seus membros. 

O 1º secretário é a pessoa que responde pela área de pessoal, ou seja, pela vida funcional de centenas de pessoas. Aí reside o perigo: os parlamentares, despreparados para exercer determinadas funções, se perdem pelo caminho e cometem atrocidades.

Não me canso de repetir: o Legislativo alagoano já chegou a nomear cerca de 5.000 servidores. Com o tempo e algumas medidas oficiais, como o Plano de Demissão Voluntário, o quadro de pessoal foi diminuindo e, hoje, existem cerca de 500 ativos, 400 inativos e 800 comissionados, aproximadamente, estes com salários dobrados!

Com o advento do duodécimo, ou seja, o valor recebido pela ALE a cada mês, instituído pela Constituição de 1989, a Mesa Diretora começou a administrar os recursos enviados pelo Executivo para o Legislativo, sob a batuta do 1º secretário. E aí teve início o sofrimento dos servidores.

O dinheiro público passou a ser administrado como se fosse privado e nosso sossego teve fim.

De lá para cá tudo foi feito de acordo com o pensamento dos parlamentares, sempre controlado pela primeira-secretaria. E cada um que invente manobras dignas de uma mente privilegiada para o mal.

Enxertos na folha de pagamento, promoções ilegais, rebaixamento de quem ousasse reclamar ou criticar algum ato, cortes salariais, descontos previdenciários errados e maldosos, processos encalhados e tudo que existir de ilegal e sujo vem sendo praticado pelos diversos secretários da Mesa.

No governo do Toledo ainda tivemos um segundo-secretário maquiavélico que controlava os outros colegas e nos deixava assustados com tanta maldade.

Atualmente, o parlamentar responsável pela vida funcional dos servidores, indiciado como “taturana”, age como dono absoluto do Poder Legislativo. O próprio Presidente, se procurado, afirma: “Isso é com o Isnaldinho”.

Jogou os aposentados no Alagoas Previdência abruptamente, sem lastro nenhum, sem segurança nenhuma, completamente desesperançados.

Acumulou em seu gabinete, num período de um ano e sete meses, mais de 100 processos, em sua maioria, relativos aos inativos. E ri, dizendo em resposta a alguém: “Vou ver”. Omissão, descaso, desrespeito. Em qualquer repartição do país seria afastado de suas funções. Como disse há quinze anos um outro parlamentar numa reunião com sindicalistas: “Aqui deputado pode tudo”.

Porém se um amigo, eleitor ou correligionário o procura, ele resolve aquele caso que pode lhe render votos ou a seus familiares.

Fico impressionada com o vírus que atinge o deputado escolhido pelos pares para ser o 1º secretário. É incurável! Sua caneta é capaz de detonar a vida de centenas de pessoas. Está matando aos poucos os velhinhos que dele dependem para resolver problemas funcionais.

É bajulado pelos companheiros, desaparece quando sabe que vai ser procurado, encanta o governador, maravilha o secretário da Fazenda, persegue ativos e inativos.

O poder é grande, a caneta assusta e a saga confirma tamanha importância concedida a uma só criatura!

Só Deus na causa!

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