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12 de Novembro de 2018

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Edição nº 884 / 2016

16/08/2016 - 10:47:55

E agora Renan?

Jorge Morais

Foi com muita surpresa que o Governo de Alagoas recebeu a informação de que, para renegociar a dívida pública com a União, os Estados precisam congelar o reajuste salarial dos servidores por dois anos. E não foi só isso. O crescimento administrativo para com os gastos públicos previsto para dez anos foi, também, reduzido para dois anos, pegando, assim, de surpresa a alta cúpula da fazenda estadual, em relação a um acordo entre o presidente Michel Temer, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, ministros do governo e líderes partidários.

Não gostaria de utilizar neste artigo uma palavra muito usual no processo de admissibilidade ao impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff: golpe. Quem chega perto de mim e fala a palavra golpe, fico com vontade de responder com outro tipo de golpe. Mas, isso sim, é um verdadeiro golpe na cabeça dos governadores, especialmente Renan Filho, que vislumbrava, quando da conversa e no acordo inicial entre seus colegas e os setores econômicos, de planejamento, e o presidente da República, que estaria tudo dentro das possibilidades e do alívio, temporário, que seriam dados nas administrações públicas estaduais.

Foi com essa promessa que o governador Renan Filho garantiu ao servidor público estadual que, pelo menos até dezembro, não haveria problemas para o pagamento do salário, deixando para 2017 um quadro não muito animador, mesmo que o governo tenha mantido seus compromissos em dia com esses mesmos servidores, fornecedores e anunciado algumas pequenas e grandes obras em todo o estado.

Diferente de outros estados brasileiros, Alagoas, aparentemente, não tem problemas. Pelo menos parece ser assim. Enquanto o Rio Grande do Sul volta a viver o drama do parcelamento de salário (paga de acordo com o que vai arrecadando) e não honra compromissos com os prestadores de serviços e fornecedores, com a educação, a saúde e a segurança vivendo uma situação quase insustentável, o nosso estado vai muito bem obrigado.

Ao mesmo tempo, no Rio de Janeiro, não se fala mais em salários atrasados e no péssimo serviço oferecido na saúde, na educação e na segurança, porque, com a realização dos jogos olímpicos, tudo isso é mascarado e escondido para o mundo. Com certeza, logo depois desse momento de muita festa, alegria e medalhas, o Rio de Janeiro volta a ser como antes, lamentavelmente.  

Para não ir muito longe, o vizinho estado de Sergipe, citado como um exemplo em administração e crescimento, também está às voltas com problemas financeiros, a ponto de ameaçar atrasar salários dos seus servidores. Isso foi dito em entrevista pelo próprio governador Renan, deixando bem claro que essa situação de Alagoas é um privilégio, mas não está sobrando dinheiro nos nossos cofres.

Segundo ele, foram feitos pequenos ajustes com o aperto na engrenagem da máquina pública, como: redução de cargos comissionados; congelamento de alguns salários; diminuição no ritmo de compras; redução da frota de veículos; e uma cobrança maior de trabalho sobre os gestores em seu dia a dia. Mas, daqui para frente com essas novas medidas, como vão ficar os governos?

E agora Renan? Acho que essa medida de suspensão do reajuste salarial ao servidor público, mesmo que muita gente coloque a situação como ruim ou até dramática para os governos em relação às próximas eleições, não consigo enxergar assim. Acho que uma coisa não tem nada a ver com a outra. O que vejo mesmo é o governo do Estado próximo de enfrentar uma boa crise junto ao seu funcionário, com mobilizações e tudo mais, mesmo entendendo que é melhor o pouco certo do que o muito a perder de vista.

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