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15 de Novembro de 2018

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Edição nº 884 / 2016

16/08/2016 - 10:27:33

Projeto Aroeira muda vida de trabalhadores em Piaçabuçu

Pimenta Rosa é utilizada como tempero e até em creme para o corpo

Maria Salésia [email protected]
José Roberto Fonseca

Cerca de 100 profissionais da pesca, trabalhadores rurais ou beneficiários de Programas Sociais do governo federal do município de Piaçabuçu, a 140 km de Maceió, viram suas vidas mudarem - para melhor- após implantação do Projeto Aroeira, do Instituto Ecoengenho, ONG comandada pelo engenheiro de pesca José Roberto Fonseca. Os agora extrativistas trabalham com o fruto da aroeira, também conhecida como pimenta rosa. O produto que era vendido a atravessadores por R$ 1,50 o quilo, após tratamento, passou a valer R$160,  a preço de produtor. Para o consumidor pode chegar até R$ 1.500. 

Com potencial para até 20 toneladas por safra, a cooperativa chega a colher duas toneladas e a tendência é aumentar. Após a colheita da especiaria, que é feita na mata do município sem nenhum custo para os trabalhadores, a pimenta é levada a um galpão onde acontece a lavagem e seleção do fruto, que é feita manualmente para garantir uma excelência na qualidade do produto. Já para a secagem são utilizados equipamentos movidos a energia solar. Vale ressaltar que a safra acontece entre os meses de maio e setembro e o produto além de tempero pode ser utilizado para outras finalidades como creme para o corpo.

Árvore nativa da Mata Atlântica brasileira, seus frutos são perfumados e saborosos. A Aroeira, aroeirinha da praia, fruto do sabiá ou Schinus terebinthifolius ainda não é tão apreciada pelas bandas de cá, mas pelo Brasil afora e até em outros países a especiaria é carro chefe nos mais renomados restaurantes, confeitarias e indústrias de alimentos. Não é a toa que foram os colonizadores europeus que perceberam que as frutinhas podiam ser usadas como tempero. 

E foi pensando neste nicho que José Roberto Fonseca aportou em Terras do Velho Chico. Especialista em transformar a vida  das pessoas,  ele levou um ano de discussão para que o projeto em Piaçabuçu acontecesse. Porém, garante que não há como escrever a metodologia, pois não existe receita de bolo.

O projeto Aroeira, que tem como meta a inclusão sócio produtiva de famílias que vivem abaixo da linha de pobreza na região da Foz do São Francisco,  incorpora o conceito de sustentabilidade, desde a colheita até a comercialização. Inclusive, em seu processo produtivo utiliza energias renováveis. Devido ao seu valor agregado, a pimenta rosa será destinada a nichos especiais de mercado, na vertente do comércio justo e solidário. Assim, os parceiros comerciais podem citar o produto como de responsabilidade social.

 O produto está acondicionado em elegantes embalagens de 30g. Uma verdadeira obra de arte. Segundo o presidente do Instituto Ecoengenho, José Roberto Fonseca, o projeto que agrega valor, tanto financeiro como o socioambiental pretende verticalizar a cadeia produtiva da pimenta rosa e de outros produtos agroflorestais de alto valor agregado. 

DESDE 2010                                                                                                                                  

A Associação Aroeira foi criada para ajudar os coletores de pimenta a organizar e beneficiar a produção, gerando mais renda. Aprovado no edital de 2010 do programa Petrobras Desenvolvimento & Cidadania, desenvolve um modelo sustentável para a cadeia extrativista da pimenta rosa no Baixo São Francisco, criando incremento de renda para as populações ribeirinhas da região. Mas o Instituto Ecoengenho, criado em 2001,  é  referência mundial sobre o uso de energias limpas, eficiência energética e gestão sustentável de negócios sociais produtivos, voltados para a erradicação da pobreza, inclusive com projetos na África e Haiti. 

Um dos casos de sucesso mais conhecidos do instituto é o projeto H2Sol, responsável pela produção da Pimenta da Tapera, que, através de sistemas hidropônicos com energia solar fotovoltaicos, mudou a realidade de vida de várias famílias da comunidade carente de Sítio Baixas, localizado em São José da Tapera, Sertão de Alagoas. De acordo com Fonseca, o projeto anda com suas próprias pernas e continua mudando a vida daquela comunidade.

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