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21 de Novembro de 2018

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Edição nº 884 / 2016

11/08/2016 - 18:08:29

Murici terá candidato de oposição séria pela 1ª vez em 30 anos

Caubi Freitas aposta na mudança e utiliza pesquisa para nortear seu programa de governo

Maria Salésia [email protected]
Caubi Freitas afirma estar preparado para comandar Murici

Após quase três décadas no comando do município, a família Calheiros dessa vez irá enfrentar oposição prá valer em Murici.  Mesmo há oito anos afastado da vida pública, o ex-vereador Caubi Freitas volta ao cenário como pré-candidato a prefeito, pela primeira avez. Filiado ao PSB (40), já exerceu dois mandatos no Legislativo local e aposta na mudança como forma de resgatar a dignidade do povo muriciense.

A ousadia de Caubi ao aceitar o desafio em um momento em que o cenário político é favorável aos Calheiros o credencia, pois prova que vai para a disputa sem barganhar cargo ou qualquer benefício próprio. Destemido, ele garante que o fato de Renan (pai) ser presidente do Senado, Renan (filho) ser governador de Alagoas, Olavo (deputado) com fortes poderes na Assembleia Legislativa e Remi prefeito de Murici não o intimida. Pelo contrário, o fortalece “diante do caos em que o município se encontra nas últimas décadas sob o comando da família Calheiros”, diz. 

Político respeitado na região, Caubi lembra que há muito tempo o povo de Murici cobra uma oposição confiável. E em consenso, o grupo político decidiu por seu nome devido à credibilidade e aceitação por parte da população. No entanto, aceitou o desafio por acreditar que a mudança, com uma oposição de verdade, é possível e que o povo de Murici não merece essa situação. “O declínio da economia é gritante. “Não existe qualificação de mão de obra, falta oportunidade de trabalho, comércio limitado, evasão escolar fortíssima, saúde um caos e não dá para continuar desse jeito”, criticou o pré-candidato.

Mas, antes de aceitar o convite, o grupo contou com o resultado de um estudo realizado  pelo Núcleo de Planejamento e Desenvolvimento em Políticas Públicas da Ufal (PLANDESPP) para enxergar as necessidades do município. A partir daí, poder redirecionar seu programa de governo, implementando políticas públicas voltadas para as áreas mais críticas. 

Para se ter uma ideia do caos instalado por falta de políticas públicas no município nas últimas décadas, em termo de desenvolvimento humano, Murici ocupa hoje uma das piores posições no ranking brasileiro. Segundo o Indicador de Desenvolvimento Humano Municipal (IDH-M), de um total de 5.565 recenseados pelo IBGE em 2010, Murici está entre os 100 piores, na 5.416ª colocação. 

Segundo o pré-candidato, essa classificação baixa apresenta resultados preocupantes no que diz respeito principalmente à educação e longevidade. De acordo com dados da pesquisa, a esperança de vida por lá é de 66,1 anos, bem abaixo para o Brasil como um todo que é de 73,9 anos, segundo relatório do IBGE de 2010.

A média de anos de estudo no município também é baixa, com taxa de analfabetismo de quase 40% nos adultos com mais de 25 anos de idade. A falta de mão-de obra qualificada é outro entrave no crescimento da economia local. Não é à toa que 92,42% dos moradores da cidade recebem até dois salários mínimos de rendimento médio, é o que aponta o estudo. “Baixa escolaridade da população gera uma baixa renda municipal, que por sua vez mostra um quadro de vulnerabilidade social preocupante”, mostra o estudo. Ainda segundo o PNUD, 42,57%  dos muricienses são considerados pobres, além do que “o grau de concentração de renda no município continua praticamente o mesmo de 1999, com 0,48.”

A pesquisa aponta ainda que 23% dos domicílios não possuem água encanada, 7% sem energia elétrica e 9,81% dos domicílios urbanos sem coleta de lixo regular. 31,79% das pessoas de 15 a 24 anos não estudam, não trabalham e são consideradas vulneráveis. Apenas 64,83% da população em domicílios possuem banheiro e água encanada em suas casas. E o que dizer da saúde onde o Centro de diagnóstico não funciona, mamografia quase não é realizada e unidade de saúde com capacidade para 100 leitos tem apenas dois médicos no comando. Além do que a  agricultura também vive desamparada.

Caubi disse que a pesquisa é importante, uma vez que para que haja o fortalecimento da população local é fundamental ter como ponto de partida a identificação dos principais problemas no seu cotidiano. Além do que são necessárias ações urgentes estratégicas para reverter este quadro. “Nossa proposta é trazer investimento para o município e assim criar oportunidade de emprego e renda”, afirmou ao acrescentar que sua gestão será voltada para o povo para que tenha melhor qualidade de vida.

O pré-candidato critica que apesar do rodízio de gestores, não representa nada de novo. Basta ver a Lei de Diretrizes Orçamentária que praticamente é a mesma. “Não houve nada de novo. O povo está com este sentimento de mudança. Não somos pré-candidato pelo poder. Sabemos da necessidade do município e vamos criar um corpo com qualificação técnica para gerir o bem público.”

O domínio político dos Calheiros começou a ser construído na década de 1980 quando o presidente do Senado, Renan Calheiros, foi eleito deputado pela primeira vez. Anos depois, elege o pai, Olavo Novais Calheiros, prefeito de Murici e depois, irmãos e filho também colocaram seu nome na placa do gabinete de prefeito. “ São 26 anos dos Calheiros no poder e continua com a mesma proposta política administrativa”, criticou Caubi diante dos números negativos que acompanham o município.

A família Freitas também fez história na política local. Na década de 30 o avô de Caubi, José Gomes de Freitas, foi prefeito do município e nos anos 60 foi a vez de seu pai, Caubi de Freitas, comandar Murici, ambos com trabalhos relevantes realizados em suas gestões. “Pretendo corresponder à expectativa do povo em ser a mudança que nosso município tanto precisa”, disse.

 PRÉ- CANDIDATO

Caubi Freitas, 54 anos, é casado, pai de três filhos, advogado, servidor público estadual há 33 anos, especialista em direito administrativo, proprietário rural e foi coordenador da Procuradoria Jurídica da antiga Fusal. 

Para compor a chapa, Caubi não se aliou a nenhum poderoso. Prova disso é que sua vice é Rose, pessoa do povo que tem história de luta. Servidora pública, foi perseguida por contrariar os interesses da administração do município.

ESCLARECIMENTO

Mesmo de férias, em 2 de julho, como manda a lei, Caubi protocolou pedido de afastamento junto a Seagri, órgão estadual no qual é lotado. Logo “não procede qualquer notícia de que estou impedido de participar das próximas eleições”.

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