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Edição nº 884 / 2016

11/08/2016 - 17:58:57

Empresa espanhola dá lance para comprar usinas de João Lyra

Abertura de envelopes acontece em setembro; este mês haverá leilão de bens inservíveis

José Fernando Martins [email protected]
Veículos que integravam partrimônio das empresas de João Lyra e que irão a leilão no próximo dia 25

O mês de setembro será decisivo para Massa Falida da Laginha, a holding que reúne as empresas do extinto Grupo João Lyra. Está marcada para o dia 16 a abertura dos envelopes com propostas para a compra das usinas Triálcool e Vale do Paranaíba, localizadas, respectivamente, nas cidades de Canápolis e Capinópolis, no estado de Minas Gerais. Os empreendimentos, que chegaram a gerar cerca de 100 mil empregos diretos e indiretos na região, estão avaliados em cerca de R$ 430 milhões. De acordo com os autos do processo, a audiência será presidida pelo juiz Kleber Borba, às 9h, na 1ª Vara da Comarca de Coruripe.

Além da proposta de compra das usinas, um leilão de bens inservíveis da Laginha está marcado já para este mês de agosto. 

Segundo o administrador judicial da Massa Falida da Laginha, João Daniel Marques Fernandes, duas empresas estão no páreo para a compra das usinas de Minas. Uma delas é o grupo da Usina Cambuí, situada no município de Santa Helena de Goiás (GO). Do outro lado está a Contromation S.A., empresa espanhola que se mostrou interessada não só pelas usinas mineiras mas também pela Guaxuma e Laginha, localizadas em Alagoas. A proposta estrangeira configuraria numa transação do valor aproximado de R$ 850 milhões.

De acordo com o proposto pela Contromation: “juntamente com a aquisição, que permitirá a completa reativação das usinas, implantaremos nossa estrutura assistencial, que visa proporcionar melhoria de qualidade de vida dos funcionários e familiares, bem como dos demais moradores das cidades nas quais estão instaladas as usinas”.

No entanto, Fernandes explica que somente as usinas do Sudeste estão liberadas para a venda. Já Guaxuma e Laginha seriam destinadas para arrendamento assim como ocorreu com a Usina Uruba, de Atalaia. “As propostas são, na realidade, cartas de intenções que só terão validade após determinação do juiz. O fato de haver propostas não quer dizer que são firmes. Temos a obrigação de tomar cautelas legais para que o patrimônio seja realizado com segurança”, explicou. 

Se vendidas, os valores serão para pagar os credores. “O despacho do juiz é bem claro: o dinheiro da venda será destinado a uma conta judicial com finalidade específica para pagamento de credores”. Quanto às usinas de Alagoas, o administrador disse ao EXTRA Alagoas que Guaxuma está prestes a ser arrendada. “Estamos em fase de consolidação. Já estamos analisando propostas e vendo contratos. Creio que nos próximos dez dias teremos novidades sobre o arrendamento”. Após encaminhado o processo de Guaxuma, a administração focará na reativação da Laginha. 

LEILÃO

Acontece no dia 25 deste mês o leilão de bens inservíveis e de difícil recuperação do Grupo JL. No leilão estarão disponíveis, por exemplo, tratores sem motor, chapas de aço, bombas, carregadeiras e utensílios agrícolas. Pelo próprio rito do leilão os bens não poderão ser arrematados pelo preço inferior a 30% do valor. A estimativa é o arrecadamento de aproximadamente R$ 600 mil. O leilão será realizado no Fórum da Capital, no Barro Duro. 

ESPERANÇA

A data de abertura dos envelopes com propostas para a compra das usinas de Triálcool e Vale do Paranaíba coincide com o aniversário da cidade de Ituiutaba (MG). O município recebeu bem a notícia e embora tenha um parque industrial considerado superior aos de Capinópolis e Canápolis, Ituiutaba sentiu o impacto financeiro do encerramento das atividades das duas usinas do Grupo JL. A notícia também foi comemorada em Capinópolis porque o município passa pela pior crise financeira de sua história e a venda da usina pode aquecer a economia e gerar vários postos de emprego.

Conforme Fernandes, a lista de processos trabalhistas referentes às usinas de Minas Gerais é superior aos processos cíveis. A venda das usinas mineiras também colaboraria com a diminuição de despesas da Massa Falida, uma vez que além de viagens in loco, a administração precisa ainda gastar com a segurança do patrimônio. 

Vale ressaltar que durante visita a Maceió no mês de julho, o presidente do Sindicato dos Produtores Rurais de Canápolis, Roberto Martins de Menezes, contou que a categoria pleiteia por direitos. “Tem mais de três anos que não tem pagamento para o produtor rural, muitos deixaram de pagar a faculdade dos filhos que estavam estudando quando as terras estavam arrendadas”, contou. 

“Além disso, os movimentos rurais, junto com os trabalhadores da Triálcool, estão se agrupando em uma área esperando a negociação e se isso não acontecer eles pretendem invadir as terras e falam até em queimar a usina. Estamos vivendo um momento muito difícil no nosso município, porque se isso vier a acontecer jamais vai ter arrendamento ou venda da Triálcool que vai ser sucateada”, disse em encontro realizado pelo Tribunal de Justiça de Alagoas.

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