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23 de Setembro de 2018

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Edição nº 883 / 2016

08/08/2016 - 08:35:04

Estatística populacional alagoana comemora 200 anos

PRIMEIRO CENSO FOI REALIZADO EM 1816 DURANTE O GOVERNO DO OUVIDOR ANTÔNIO JOSÉ FERREIRA BATALHA

Edberto Ticianeli Jornalista
Recenseadores do censo de 1960 em Maceió

Responsável pela Comarca entre 1810 e 1819, o ouvidor Antônio José Ferreira Batalha desempenhou um papel administrativo acima das suas atribuições. O seu empenho com as causas públicas é atribuído ao seu interesse em transformar Alagoas em capitania e ser nomeado seu primeiro governador.

Graças à sua preocupação em governar e ganhar apoio político é que tivemos o nosso primeiro recenseamento populacional em 1816, que registrou a existência de uma população de 89.589 pessoas. 

No governo de Veloso de Oliveira, em 1819, o segundo recenseamento anotou 111.973 habitantes. Tinha o objetivo de fornecer dados para a divisão dos bispados do Brasil. O resultado foi questionado e deu origem a um inquérito.

No início, a inexistência de funcionários especializados nesta área era um problema a ser superado. Assim, no dia 11 de março de 1836, foi a aprovada a Lei nº 20 que autorizava o presidente da província a requisitar um ou dois engenheiros para levantar o Mapa Estatístico e Topográfico de Província.

No período inicial da República, a estatística em Alagoas regride e passa por longo processo de esquecimento, somente interrompido em 1895 pelo decreto que autorizou a organização da estatística e do cadastro de terras do Estado, e, em 1921, por outro decreto que criou o Gabinete de Identificação e Estatística Criminal. Esse decreto somente foi regulamentado em 1925.

Nos últimos dias da 1ª República, em 1930, o governador Álvaro Paes sancionou a Lei nº 1.194, de 20 de junho, autorizando novamente a reorganização dos serviços de estatística do Estado. Em 1931 é criada em Alagoas a Diretoria Geral de Estatística – DGE, dirigida por Craveiro Costa. 

Em agosto de 1933, a DGE foi substituída pela Diretoria de Produção e Trabalho, e a Estatística é rebaixada a uma simples seção do novo órgão. Com a morte de Craveiro Costa, nova mudança ocorre em setembro de 1934, levando a Estatística a ser seção da Diretoria da Fazenda. Em 1935, uma nova reforma, definida pelo Decreto nº 2.127, de 10 de setembro, restabelece a Diretoria de Estatística, agora subordinada à Secretaria da Fazenda e da Produção. 

Nesse período, com a criação do IBGE, teve início um novo surto de progresso do setor. O recém criado órgão tinha a incumbência de “promover e fazer executar, ou orientar tecnicamente, em regime racionalizado, o sistemático de todas as estatísticas nacionais”.

Em 11 de agosto de 1936, acontece no Rio de Janeiro a Convenção Nacional de Estatística, considerada um marco na uniformização das normas para os órgãos regionais. Alagoas esteve presente com o secretário da Fazenda e da Produção, José de Castro Azevedo.

A Diretoria Geral de Estatística de Alagoas foi reorganizada em 16 de junho de 1937, pela Lei nº 1.307, com a regulamentação definida em setembro pelo Decreto nº 2.276. Para organizar o setor, o governador Osman Loureiro solicita ao IBGE a cessão do técnico Ruben Gueiros.

Gueiros foi o responsável pela integração dos serviços estatísticos de Alagoas ao sistema nacional. Seu trabalho se estendeu à antiga Diretoria de Estatística da Prefeitura de Maceió e a implantação da Inspetoria Regional de Estatística Municipal, que criou agências em todos os municípios de Alagoas.

Por recomendação do Conselho Nacional de Estatística, no dia 2 de outubro de 1939 é editado o Decreto nº 2.543 que mudou o nome da Diretoria Geral de Estatística para Departamento Estadual de Estatística – DEE. A Diretoria Geral tinha sido criada, também por decreto, em 2 de dezembro de 1938.

Na Prefeitura de Maceió, em 1937, quando o prefeito era o engenheiro agrônomo Eustáquio Gomes de Melo, foi criado o Departamento de Estatística e Publicidade, que depois foi denominado Departamento Municipal de Estatística, embrião da Inspetoria Regional de Estatística Municipal, filiada ao IBGE e instalada em 1944. Seu primeiro diretor foi Rui Palmeira, que depois se elegeu senador. No seu lugar assumiu Aurélio Buarque de Holanda.

Em 1940, no dia 1º de setembro, acontece o primeiro recenseamento nacional. Um marco na estatística do país e responsável por ajudar a estruturar nacionalmente uma rede de agentes. Houve uma mobilização nacional para convencer a população a responder aos recenseadores. Em Alagoas, o arcebispo de Maceió, D. Ranulpho, fez publicar um cartaz em que solicita aos alagoanos apoio aos entrevistadores.

Após a reorganização do Departamento Estadual de Estatística em 16 de outubro de 1942, o próximo grande passo para estatística em Alagoas foi a criação pelo IBGE das Inspetorias Regionais de Estatística nos vários estados. Em Alagoas foi instalada em janeiro de 1945 e seu primeiro titular foi José Calmon Reis.

Em 1951, durante o governo de Arnon de Mello, o Departamento Estadual de Estatística, dirigido por Marcelo Aroucha, sofre nova reorganização com a criação de várias seções. Dez anos depois, o DEE passou a ser subordinado à Secretaria da Agricultura, Indústria e Comércio. Antes, em 1958, ele já estava atrelado à Secretaria de Governo.

O DEE funcionou na Rua Cincinato Pinto, ocupando salas do prédio que fica atrás do Palácio dos Martírios, de onde saiu em 1956 para o prédio do Beco de São José, esquina com a Rua Boa Vista, que veio a ser a sede do IBGE. O edifício foi comprado ao dr. Afrânio Lages Filho. O IBGE está instalado atualmente na Av. Gustavo Paiva, 2789, 7º andar, Sala 706, em Mangabeiras.

Fontes: História da Estatística Alagoana, de José Franklin Casado de Lima e fotos do acervo de Auriberto Ticianeli e ABC das Alagoas.

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