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15 de Novembro de 2018

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Edição nº 883 / 2016

08/08/2016 - 08:32:45

As olimpíadas da exploração

Jorge Morais

Se não bastasse o custo da competição, os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro vão deixar um legado anunciado como negativo. Por mais que os governos federal e municipal informem que foi a iniciativa privada quem assumiu o custo com as obras da Vila Olímpica, foram esses mesmos governos que assumiram as diversas Arenas e os locais de competições disputadas a céu aberto; obras de infraestrutura na região das competições; e melhorias no meio de transporte, como uma nova linha de metrô.

Nesses casos, o Brasil também está envolvido até o último centavo e será culpado pelos resultados financeiros possíveis pelo sucesso ou a derrocada do evento, se por ventura ocorrer em seu balanço final. Em um estado onde o funcionário público estadual não recebe salário em dia,  o governo é criticado pelos desmandos administrativos nas áreas da saúde, da educação e da segurança, alguém ou todos podem pagar essa conta no final, nesse momento de crise nacional.

Do ponto de vista da competitividade, não se tem nenhum questionamento a fazer quanto ao sucesso dos Jogos Olímpicos. Teremos, sem sombra de dúvidas, Arenas e ginásios lotados, mesmo que ainda esteja sobrando quase um milhão de ingressos, que serão vendidos nas bilheterias nos dias das competições, provavelmente não sobrando nada, mesmo que esta sobra seja para disputas menores, de menor atrativo para os torcedores.

A partir da festa de abertura, marcada para a tarde desta sexta-feira (5), no Estádio do Maracanã, todo mundo vai esquecer quem gastou muito ou pouco para que o evento aconteça, quem pode ser responsabilizado pelos prejuízos; todo mundo só vai falar em vitórias, em quebra de recordes, em conquistas das medalhas inéditas e na comemoração dos títulos.  

E onde pode estar esse legado negativo os Jogos Olímpicos? Na carestia, na exploração, no assalto a mão armada ao turista e ao residente do Rio de Janeiro (o nativo carioca) com os preços tabelados, e oficialmente autorizados, que estão sendo cobrados nos locais credenciados pelo Comitê Olímpico Internacional (COI) e seus órgãos representantes no Brasil.

Senão vejamos: um refrigerante custando 10 reais; uma água mineral a 5 reais; uma cerveja em lata, 15 reais; um sanduíche a 25 reais; um salgadinho industrializado a 5 reais, e por aí vai. Se nos espaços autorizados pelos organizadores os valores cobrados serão esses, o que dizer, então, dos valores cobrados nas proximidades dos locais de provas pelos chamados ambulantes de última hora? Se é que eles vão ter essa chance.

É ou não é um assalto o que eles estão cometendo nessas olimpíadas? O que acho mais interessante nisso tudo é que ninguém reclama de nada. Não tem Procon; não tem reclamação de ninguém; as autoridades acham tudo isso muito normal; o governo municipal carioca concordou com esse roubo, e ainda vai colocar o seu batalhão de fiscais para que nenhum atravessador atrapalhe a comercialização e a tabela definida pelos organizadores do evento.

Que o Rio de Janeiro está mais bonito e seguro não temos dúvida disso. Que o mundo vai ficar impressionado com a qualidade das equipes e atletas, individualmente, não é preciso discutir nada disso. Só espero que a cidade linda e maravilhosa não seja abandonada e não se transforme em problemas depois.

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