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Edição nº 883 / 2016

08/08/2016 - 08:23:29

Jorge Oliveira

Vocação para o crime

Jorge Oliveira

Brasília - O Lula lutou para que o antigo PFL desaparecesse do mapa político. O partido se reinventou e transformou-se no DEM. Hoje preside a Câmara com Rodrigo Maia e tem uma bancada de 27 deputados. Maia é o presidente da República de plantão na ausência de Temer, o titular. O ex-presidente amaldiçoou os antigos pefelistas enfurecido com a oposição que eles faziam ao seu governo. Enquanto o DEM ascende ao poder, Lula assiste o PT definhar. Dos 69 deputados eleitos, restam 59 que evitam os lugares públicos para não serem hostilizados.

Nessas eleições, os petistas, envergonhados, tentam alianças para formar chapas de prefeitos nas cidades, mas encontram dificuldades porque os partidos rejeitam coligação com os candidatos do Lula. A vitrine do PT, Fernando Haddad, em São Paulo, não consegue alcançar os dois dígitos nas pesquisas que viabilizem a sua reeleição. É o pior avaliado entre todos os prefeitos do país. Deve sentir inveja de ACM Neto em Salvador que vai encarar a reeleição com mais de 80% de aprovação. Pois é, o ACM é do então PFL, o partido que o Lula queria destruir por decreto como faziam os ditadores de plantão no regime militar.

O DEM sobreviveu, deu a volta por cima e, no momento, assiste de camarote o seu carrasco pedir ajuda da ONU para não cair nas garras do juiz Sérgio Moro. Anunciar o fim de um partido de oposição em um regime democrático é uma aberração, uma atitude arrogante de quem achava que podia tudo do alto do poder. Achava-se tão soberano que cometeu o maior erro da história política do país ao escolher a Dilma para sucedê-lo.

Lula escondeu dos brasileiros por muito tempo os seus dotes antidemocráticos, só revelados quando chegou à presidência. Ao tomar conhecimento do artigo “Ato de bebericar do líder brasileiro se torna preocupação nacional”, do correspondente do New York Time Larry Rohter, logo mostrou-se um déspota. Pediu que o Ministério da Justiça providenciasse a expulsão do jornalista que ofendia a sua honra de chefe de Estado. O tempo mostrou que o repórter estava certo ao escrever que ele se mantinha sob o efeito do álcool mesmo nos dias de trabalho. A matéria não inibiu que Lula continuasse saboreando uma cachacinha no seu dia a dia.

Outro atributo petista, que o Lula conseguiu disfarçar ao longo do tempo, foi a vocação para o crime. Lá atrás, com a morte de Celso Daniel, o Ministério Público investigou o envolvimento de militantes do PT na trama para assassinar o prefeito de Santo André. Mas Lula logo chegou ao poder e o caso foi abafado nos tribunais. Nem bem tomou posse, viu seu governo envolver-se no primeiro escândalo: o assessor do Zé Dirceu aparece em um vídeo sendo subornado pelo Cachoeira, o contraventor goiano que virou um próspero empresário graças ao seu relacionamento com a cúpula petista. Os primeiros experimentos com a gatunagem já apontavam para uma formação de quadrilha no futuro.

De lá pra cá, o Lula nunca mais deixou de se envolver em escândalos, negando-os todos quando era questionado, até virar réu. O mais grave até então foi o do mensalão que levou à cadeia os seus parceiros mais próximos, inclusive o Zé Dirceu, artífice da sua vitória eleitoral. Nem bem os petistas tinham cumprido parte da pena surgiu a Lava Jato que acabou por descobrir os tentáculos da organização criminosa que se instalou no país sob a coordenação da dupla Dilma e Lula.

É o fim?

O PT, que hoje está se desmilinguindo, é aquele mesmo partido que começou a fazer política denunciando os “picaretas da Câmara” e defendendo intransigentemente a ética como princípio partidário. Dez anos depois, o povo brasileiro assiste a Polícia Federal rasgar o manto da honestidade que cobria muitos dos seus delinquentes hoje na cadeia. Os abutres petistas devoraram as empresas públicas e transformaram o Brasil em um país desacreditado, com a economia sucateada, só comparado aos mais corruptos e devassos do mundo. 

Ética

O povo agora torce para que o PT chafurde e desapareça na lama e da história do Brasil. A futura geração deveria ser poupada de conhecer um grupo político tão nocivo à ética e aos bons costumes. 

A carta

A Dilma está se preparando para redigir uma carta dirigida aos brasileiros para tentar convencê-los de que não cometeu nenhum crime que justifique o seu afastamento do poder. Certamente vai pedir ao Lula para fazer o texto final, já que nos últimos dias de governo ela parecia meio descoordenada e mentalmente afetada nos seus pronunciamentos à nação. Pelo rascunho que mostrou aos companheiros de partido, já se sabe que a presidente vai desmentir veemente as acusações de que teria usado caixa dois na sua campanha presidencial, como disse na delação premiada a dupla Santana/Mônica ao juiz Sérgio Moro.

Tratado

A presidente afastada quer negar o óbvio: de que na sua campanha não rolou dinheiro roubado da Petrobras e de outras estatais, quando é acusada pelos próprios receptadores. A carta da Dilma pode ser um tiro no pé porque seus argumentos são frágeis, não convencem nem uma criança de escola infantil. Quer negar também as pedaladas, quando todas as investigações apontam que ela cometeu crime de responsabilidade. Portanto, Dilma teria que fazer um tratado – e não uma simples carta – para replicar todas as acusações que pesam sobre ela.

Caixa dois

O casal de marqueteiros soltos por Sérgio Moro não teve dúvidas em acusar a campanha de Dilma de trabalhar com caixa dois. Mônica, por exemplo, foi afirmativa nas suas declarações quando disse que trabalhou com dinheiro surrupiado da Petrobras, mas que não sabia. A delação premiada dos dois permitiu que o juiz soltasse a dupla, porque considerou os depoimentos convincentes em relação às irregularidades da campanha.

 Estratégia

A Dilma aprendeu com Lula a negar tudo. É uma estratégia que ela ainda tem enquanto está solta. Na cadeia, certamente vai procurar o caminho da delação premiada para não terminar seus dias dentro de um presídio. Quando fez delação premiada, Cerveró acusou a presidente de conhecer toda negociata da compra da refinaria de Pasadena, no Texas. Disse textualmente que ela “sabia de tudo, que tudo passou pela sua mesa”.

A culpa

Com a acusação de Mônica, a presidente tentou escapulir do caixa dois e jogou a culpa nos dirigentes do PT. Disse que “se houve caixa dois na sua campanha, o PT deve se responsabilizar”. O Rui Falcão, diante da acusação, não deu um pio. Antes tão afoito, afeito aos enfrentamentos, agora o presidente do PT preferiu o silêncio a polemizar com a Dilma. Sabe que a sua batata está esquentando depois que Santana e Mônica abriram o verbo com o juiz Moro que, pacientemente, soube esperar pelo momento certo para obter as informações que precisava e daí, provavelmente, indiciar a Dilma pelos crimes cometidos. É só uma questão de tempo.

Esquecimento

A presidente está no limbo, esquecida, atormentada. Isolada no Palácio do Planalto, não recebe visitas que não sejam as de seus advogados. Como está afastada do poder, os áulicos desapareceram. Uma vez ou outra o senador Cristovam Buarque, PPS, tenta melhorar o astral dela, dando-lhe esperança de que nem tudo está perdido. E que ele pode virar a casaca e reverter o voto que deu a favor do impeachment como se isso fosse mudar alguma coisa. Buarque, pasme, passou a acreditar nas lorotas da Dilma depois que o seu partido compôs com o Temer, numa aliança necessária para a estabilização política. O senador é, hoje, o principal confidente dela, como dissidente do PPS.

Não volta

Até o mais idiota dos idiotas sabe que a presidente não volta ao Palácio do Planalto. Que o seu mandato foi trincado pelo impeachment, que o país respira confiança e que a economia começa a dar sinais de recuperação. Mas o senador Buarque, que nos últimos anos vem pulando de partido como macaco pula de galho, virou o sacristão que leva conforto a Dilma, certamente temendo pela repetição da história política do Brasil no fatídico 24 de agosto de 1954. 

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