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21 de Setembro de 2018

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Edição nº 883 / 2016

04/08/2016 - 21:23:20

Fernanda Cavalcante faz às vezes do pai na disputa em São Luís do Quitunde

Cícero Cavalcante foi condenado por roubar merenda escolar

João Mousinho [email protected]
Fernanda foi escolhida pelo pai, Cícero Cavalcante, para manter São Luís sob seu controle

Algo inusitado aconteceu no município de São Luís do Quitunde durante as convenções partidárias. Lideranças do PSDB e PT subiram no mesmo palanque em torno da candidatura de Junior Pedro (PSDB) na disputa pela prefeitura com o objetivo de enfrentar Fernanda Cavalcante (PMDB), filha do ex-prefeito Cícero Cavalcante (PMDB), personagem controverso da recente política local. 

No domingo o secretário do governador Renan Filho (PMDB), Joaquim Brito (PT), ratificou seu apoio à candidatura de Junior Pedro do PSDB e disse que não há problema com a Executiva Nacional em relação a esse tipo de aliança para defender e apoiar o que eles entendem como correto. O secretário do Trabalho ainda colocou que o PT não medirá esforços para eleger seu candidato majoritário e o maior número de vereadores possíveis do seu partido. 

No mesmo palanque que Brito, o secretário-executivo do PSDB em Alagoas, Claudionor Araújo, expôs que os tucanos estão felizes em disputar o comando de várias prefeituras em 2016 e que subir no palanque junto com PT em algumas oportunidades é algo natural no processo democrático. “Temos nossas diferenças nacionalmente, mas quando temos que apoiar algum candidato que representa a força do bem o fazemos em conjunto sem qualquer dificuldade”, esclareceu Claudionor. 

Outro representante do PSDB que marcou presença na convenção em São Luís foi o deputado federal Pedro Vilela. O parlamentar disse que para prática da política séria e honesta só há um caminho e se nesse caminho forem aglutinadas várias forças não há porque rejeitar todo e qualquer apoio. “O PSDB faz uma política madura; as eleições municipais irão demonstrar a força tucana em Alagoas”, foi taxativo. 

União contra 

o gabiru 

Ainda em março desse ano, reportagem do jornal EXTRA, em sua edição 862,  destacou que Cícero Cavalcante iria lançar a filha Fernanda Cavalcante, irmã da superintendente do Procon, Flávia Cavalcante, como candidata a prefeita em São Luís. O fato foi confirmado no último domingo, 31, à base de muita música e um farto banquete para o povo. Vale lembrar que foi desse modo que Cícero chegou a ser prefeito de Matriz e São Luís e por onde passou deixou marcas de corrupção, segundo a Polícia Federal e o Ministério Público Estadual e o Federal. 

Ainda na reportagem do EXTRA assinada pelo jornalista Odilon Rios, é explicitado o modus operandi de Cícero Cavalcante: “O deputado tampão conseguiu eleger, desta forma, Doda Cavalcante, sua esposa, em Matriz de Camaragibe. Doda não era a prefeita. Apenas assinava os papéis, a mando de Ciço”. 

11 anos de impunidade

O dia 17 de maio de 2005 foi marcado pela Operação Gabiru desencadeada pela Polícia Federal, que revelou um esquema milionário de desvio de recursos públicos do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação e outras verbas do Ministério da Educação destinadas à aquisição de merenda escolar. Segundo a PF, a fraude teria causado um prejuízo de R$ 150 milhões aos cofres da União. 

A quadrilha era articulada e tinha como um dos líderes Cícero Cavalcante, na época prefeito de Matriz. A quadrilha tinha espingardas calibre 12, pistolas semiautomáticas e revólveres; esmeraldas (para facilitar o chamado branqueamento de capitais) e 142.319 dólares em dinheiro, mais 20.352 euros, R$ 286.703,85 e dois milhões de reais em cheques. A organização criminosa chegava a abocanhar 7% dos contratos da merenda.

O relatório do Ministério Público Federal salienta a falta de alimento para as crianças no seu dia a dia e o enriquecimento ilícito dos prefeitos que lesaram os cofres públicos. O mesmo Cícero Cavalcante acusado de todos esses desmandos agora quer fazer a filha prefeita, mesmo não tendo nenhum laço político ou serviço prestado para a comunidade. São Luís sofre mais uma vez com os caprichos do prefeito gabiru.  

Vale lembrar que parte dos envolvidos na Operação Gabiru foi condenada a mais de 10 anos de prisão, mas seguem recorrendo às instâncias superiores na Justiça. A certeza da impunidade e a não devolução do montante lesado fizeram com que a prática delituosa voltasse a se repetir durante anos em Alagoas.

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