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14 de Novembro de 2018

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Edição nº 882 / 2016

01/08/2016 - 09:24:27

Por um voto democrático

CLÁUDIO VIEIRA

O ano é de efervescência democrática. O Juiz Sérgio Moro, o Ministério Público Federal e a Polícia Federal tiveram e têm influência destacada, senão única, nesse reviver republicano que experimentamos. A seriedade com que tais personagens e instituições assumiram o combate à dilapidação do patrimônio público, conseguiu, em relativamente pouco tempo, reerguer a Nação, ou parte majoritária dela, na reprovação a políticos corruptos e a seus corruptores. 

Ouvíamos até então, com um certo desleixo, sobre a existência longeva da corrupção entre os políticos brasileiros. Era coisa, dizia-se, vicejante entre nós desde o desembarque de Cabral nesta Ilha de Vera Cruz, ou logo depois, com os governantes reinóis que aqui aportaram nos anos imediatamente seguintes ao descobrimento. Talvez resultado de tais comentários jocosos, o voto brasileiro não tenha tido maior valor democrático, falto de republicanismo que tem sido. Temos votado por amizade, por interesse, por simpatia, até por fastio, desencanto, desinteresse. Esse estado de espírito tem-se refletido até no ato de comparecer ás urnas, outrora acontecimento solene, quando o eleitor vestia o seu terno, mesmo único e surrado, orgulhoso que estava de participar da festa democrática. Não temos percebido muitos rostos de felicidade após o exercício do dever constitucional. Sai-se das urnas eleitorais mais com alívio do que com satisfação pelo cumprimento de um dever cívico. Sequer se pensa que aquele voto representa o futuro do município, do estado, do país. É apenas um ato qualquer que se pratica apenas por ser obrigatório. Não se vota nas ideias dos candidatos; ou nas suas propostas; ou na sinceridade de quem as propõe. Passado o momento do escrutínio, que deveria ser mágico, nenhum interesse maior remanesce no acompanhamento do político e da implementação de suas propostas, cobrando-lhe o cumprimento do seu dever. Esse desinteresse não tem sido bom para o país, servindo apenas aos políticos aproveitadores, meramente retóricos, falsários, enganadores, useiros e vezeiros do fingimento, aqueles que fingem tão completamente (perdoe-me Fernando Pessoa pelo canhestro mau uso de sua verve poética), que chegam a fingir que é amor ao povo o que é apenas amor a si próprio, revelação meramente de narcisismo malsão. 

Deveríamos ter sempre presente que pelo voto poderemos modificar o país, e que esse mesmo dever exercido sem comprometimento com a nação, é absolutamente irrelevante. Deveríamos pensar, como Lincoln, que o voto, por ser uma manifestação da democracia, é infinitamente mais poderoso que o mais potente dos fuzis. Não é tarde, todavia. Repensemos o nosso poder de eleitores, já nas próximas eleições municipais, iniciando, assim, o resgate dos anos perdidos.      

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