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25 de Setembro de 2018

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Edição nº 882 / 2016

01/08/2016 - 09:23:18

O gato e o rato

Alari Romariz Torres

Recentemente, ouvi uma entrevista da mulher e sócia do marqueteiro João Santana e ela dizia: “Recebi quatro milhões e meio no exterior, durante a campanha da Presidente Dilma, mas não sabia que se tratava de dinheiro ilegal”. Menina inocente!

São casos desse tipo que se tornaram constantes na política brasileira. Por exemplo: um Vereador do interior de Alagoas recebe muito dinheiro de um político de Brasília, mas não procura saber a origem de tanta verba. Ou ele é muito tolo, ou desonesto mesmo.

Para se eleger um Deputado Estadual ou Federal são necessários milhões para abastecer seus cabos eleitorais. Pelo que me consta os parlamentares são assalariados. De onde vem tanto dinheiro para alimentar os redutos do interior?

Foi realizada uma auditoria na Assembleia Legislativa de Alagoas e a Mesa Diretora vem ameaçando os servidores porque foram promovidos por projetos de lei. Intrigada, pergunto: Se os dirigentes anteriores enxertavam pessoas na folha de pagamento, promoviam e rebaixavam os servidores pelo mesmo sistema, de quem é a culpa? Das Mesas que usaram a instituição durante muitos anos para empregar e promover familiares, amigos e cabos eleitorais ou das pessoas que aceitaram tal situação?

O Juiz Moro, em Curitiba, tem feito um trabalho maravilhoso contra a corrupção, mas ainda acho que poucos políticos foram presos. Vários líderes usaram e abusaram do uso da propina e estão soltos. Os empresários e os intermediários são processados, presos e alguns aguardam o julgamento em casa. Muita gente está sem dormir temendo acordar coma Polícia Federal batendo à sua porta.

Em Alagoas, há políticos que vêm sendo eleitos há vinte, trinta anos, usando a propina e achando que se trata de verba para campanha eleitoral. Outros usam igrejas, as repartições públicas e seus redutos são alimentados com dinheiro ilegal.

O Partido dos Trabalhadores, que elegeu o Lula e a Dilma para salvarem o Brasil, proporcionou aos cofres públicos um rombo enorme. Mas as pessoas que entraram no esquema do PT estão sendo presas. Falta muito, no entanto, para que todos os beneficiados com os presentes de Lula e Dilma paguem por seus crimes.

O Procurador Geral de Justiça de Alagoasconcedeu uma entrevista à mídia alagoana afirmando que, nas próximas eleições o MP evitaria que fichas sujas fossem candidatos. Queremos crer que os “taturanas” serão condenados por improbidade administrativa e desvio de dinheiro público antes do pleito de outubro.O castigo será sublime: não poderão ser candidatos.

     A minha preocupação é que só aqueles políticos encarregados de distribuir propinas sejam presos. Os que recebem também são culpados.

     Tenho visto uma dança de Prefeitos bem interessante: a Justiça os afasta e alguém faz com que eles voltem aos cargos. Ninguém sabe quem está certo: quem afastou ou quem os fez retornar.

     Ouço comentários de que o candidato a Prefeito do interior só poderá gastar cem mil reais nas próximas eleições. Estou pagando para ver!

Os Deputados Estaduais já estão indo para o interior cuidar de seus candidatos. Não ouvi falar em dinheiro entre os parlamentares, mas um cabo eleitoral já me disse: ‘Não vou trabalhar para Fulano; ele não solta dinheiro. Sicrano, no entanto, fez reservas para as próximas eleições”.

Outro grande problema é usar a máquina do Executivo e do Legislativono pleito de outubro. Os comissionados da Assembleia que recebem salários dobrados são, em sua grande maioria, cabos eleitorais de seus patrões no interior ou na capital.

Está provado, estatisticamente, que um político com mandato tem mais 40% de chance de se reeleger, pois tem a oportunidade  de usar a máquina pública. 

O gato alimenta o rato, que leva a comida para os seus ratinhos. Estes, por sua vez, não querem saber de onde vêm seus queijinhos...

 Quem é o culpado? O gato, o rato ou os ratinhos?

Com a palavra o Tribunal Regional Eleitoral.

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