Acompanhe nas redes sociais:

19 de Novembro de 2018

Outras Edições

Edição nº 882 / 2016

01/08/2016 - 08:49:58

Jorge Oliveira

A Casa de Noca

Jorge Oliveira

Brasília - Os burocratas do Contran decidiram que a partir do próximo ano os 45 milhões de carros que circulam pelo Brasil vão trocar de placas. Isso mesmo, uma resolução isolada do Conselho Nacional de Trânsito determina que até 2020 todos os carros estarão identificados com placas do Mercosul. Se você não gostou, vá reclamar com o bispo, porque o órgão do governo mais centralizador do país faz o que quer e quando quer. Considera-se o dono das leis e submete os proprietários de carros a prejuízos financeiros quando decide de cima para baixo mudar as placas dos veículos como se o dinheiro do contribuinte fosse lixo e as pessoas não tivessem o que fazer na vida. 

E nesse país da indolência e da passividade tudo acontece sem que a população tenha sequer o direito de questionar essas coisas nebulosas. O Contran bem que poderia esclarecer alguns questionamentos. Por exemplo: por que a placa do Mercosul? Qual interesse do órgão nessas mudanças? Por que o próprio governo não paga as placas? Por que o contribuinte tem que perder tempo e dinheiro para mudar a placa do seu carro? Qual o significado disso e o que vai alterar na identidade dos carros? Qual a diferença entre a placa existente e a do Mercosul? Quanto vai custar ao proprietário de caro essa resolução do Contran? Quem vai ganhar com isso? Quais os empresários envolvidos nessa negociata? Quanto vai custar cada placa? Por que ninguém reclama de um absurdo como esse? E finalmente, por que as mudanças não precedem de um debate com os donos de carros que vão arcar com as despesas dessa medida arbitrária e autoritária?

É assim mesmo, é tudo feito à revelia. Enquanto o brasileiro não chiar, não espernear e gritar, o governo vai continuar assaltando o seu bolso. Inventa coisas diariamente para insultar a paciência dos que já vivem no tormento da alta do custo de vida, dos juros exorbitantes dos cheques especiais e dos cartões de crédito, das passagens caras e do desemprego. A insensibilidade do governo a essa situação é que torna a vida do brasileiro mais difícil e insuportável. Muitos têm procurado a porta de saída em definitivo alegando falta de segurança para viver com a família e indignados com a anarquia generalizada, a corrupção e o desmando dos últimos dez anos.

E razões para deixar o país não faltam. Não é fácil assistir diariamente o governo aumentar os preços das tarifas públicas, ameaçar a população com novos impostos, gastar mais do que arrecada e oferecer pão e circo à população com a realização do PanAmericano, Copa do Mundo e Jogos Olímpicos com o dinheiro que faz falta na saúde e na educação, como se o país fosse rico. Quatro anos depois qual foi o legado deixado por esses megas eventos como o do futebol, por exemplo? Com exceção do vexame dos 7 a 1, o que existe hoje é um monte de estádios, elefantes brancos, espalhados por aí que engoliram bilhões e bilhões de reais que bem poderiam ter sido aplicados infraestrutura e programas sociais para tirar o país da lista dos piores do mundo em desigualdade social.

Passivos

Como se pode ficar passivo diante da mordomia dos delatores da Lava Jato que cumprem pena em suas suas casas de veraneio depois da confissão de roubos milionários nas empresas públicas, provando por a mais b que no Brasil o crime compensa? Ladrões que se antecipam às prisões, entregam-se à Justiça, abrem o bico seletivamente, e depois voltam para suas mansões, onde vão esperar a maré baixar para desfrutar do produto do roubo que não revelou na delação.

Burocratas

Como a falta de ética, a anarquia e o despudor não bastassem no país da Lava Jato, a população ainda tem que conviver com burocratas em confortáveis salas refrigeradas dentro de Brasília tramando assaltar o bolso do contribuinte com decisões aparentemente legais, como as da troca das placas, mas perversa no orçamento de quem vive com o dinheiro contado em um país com mais de 10 milhões de desempregados.  

Farol aceso

O excesso de zelo do governo para salvar nossas vidas é, no mínimo, duvidoso ou exagerado. Nos últimos anos, contam-se nos dedos as trapalhadas dos burocratas do Denatran. Primeiro foi o kit farmácia. Se descobriu que a gaze permitiria o enforcamento do próprio motorista refém dos ladrões.  Depois, inventaram a troca do extintor de incêndio que de tão moderno não funcionava quando acionado. Decidiram também que as escolas de motoristas teriam que se adaptar a um simulador em vez da prática nas ruas. Inventaram que as cadeiras dos bebês nos carros eram ineficientes e obrigaram a troca. Tudo isso é feito no achômetro, nada aparentemente adotado depois de pesquisas e estudos científicos que provem a eficácia dessas mudanças. 

Desconfiança

Todas essas operações, evidentemente, oneram o contribuinte. E certamente engorda os bolsos dos criadores dessas ideias que dizem querer zelar pela nossa segurança, porque no Brasil, como se sabe, existe sempre um espertinho por trás de uma “boa” ação. Como o brasileiro é um povo passivo, acomodado e até meio abestado, aceita tudo que um burocrata determina de cima pra baixo, sem consultar ninguém. E por isso paga um preço caro, como acontece nesse momento com os faróis dos carros acesos durante o dia.

No Congresso

Dessa vez, a lei passou pelo Congresso Nacional. Tomou o número 13.290/2006 e virou infração média para quem andar nas ruas (Brasília) e nas estradas com os faróis apagados. Hoje, o infrator paga R$ 85,13 e é punido com 4 pontos na careira. A partir de novembro, as multas vão subir para R$ 130,16. Os “gênios” do trânsito conseguiram convencer os parlamentares de que os faróis acesos evitam acidentes nas rodovias. Deram como exemplo as estradas na Europa e nos Estados Unidos e sacaram desses países números aleatórios de redução de acidentes que justificariam a medida pelo Congresso Nacional.

Doida

Esse é o tipo da lei doida, desvairada e desnecessária que o brasileiro deveria não acatar e fazer, em massa, uma desobediência civil. Em um país ensolarado como o nosso, o farol aceso é mais uma luz para encandecer a vista dos motoristas tanto na estrada como na cidade, porque o sol incide sobre o reflexo dos faróis de dia.  Essa medida de luz acesa nos carros de dia é necessária nas cidades europeias e em muitas outras nos Estados Unidos que vivem sob neblina na maior parte do ano, o que não é o nosso caso.

Autoritária

Impor o mesmo método no Brasil é no mínimo uma decisão autoritária e, por que não dizer, prepotente. A ideia surgiu de um ex-inspetor federal de rodovia que virou deputado. E prosperou diante da imbecilidade de alguns congressistas que aprovam leis que só servem para onerar o bolso dos brasileiros, como essa do farol aceso. Depois que aprovam é que se tocam que a medida é esdrúxula. Não só penaliza com infração o motorista como enriquece alguns empresários que vão vender mais baterias, mais luzes para os faróis e adaptar os carros antigos com dispositivos para que fiquem com a luz acesa quando acionar a ignição. A melhor das soluções seria uma campanha educativa em rodovias com nevoeiro intenso, não punitiva.

Acidentes

Ora, ora, os acidentes no Brasil não serão evitados porque os carros circularão de faróis acesos de dia. Eles acontecem porque as rodovias são péssimas, cheias de buracos, sem acostamentos, sem sinalização e sem fiscalização adequada. Não existe vigilância permanente para impedir a alta velocidade nas estradas e os postos de fiscalização normalmente estão vazios à noite. Criar leis para remediar a situação é simplesmente ignorar que a infraestrutura do Brasil está paralisada há mais de dez anos. 

Contribuinte

Enquanto em outros países, as regras são adotadas para não mexer no bolso do contribuinte, aqui tudo é feito para penalizar a população como se ela fosse responsável pelos desvios públicos, a corrupção e os desmandos do governo e que, portanto, deve ser punida. Nunca, em nenhum momento, o brasileiro teve a satisfação de ouvir que um governo derrubou um tributo para melhorar a sua vida. Por isso, acho que o brasileiro deveria se rebelar contra mais essa lei equivocada do farol aceso, cuja eficácia é duvidosa. Vamos protestar todas as vezes que um governo impor mais uma infração ou um imposto novo à população. 

Comentários

Curta no Facebook

Siga no Twitter

Jornal Extra nas redes sociais:
2i9multiagencia