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23 de Setembro de 2018

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Edição nº 881 / 2016

26/07/2016 - 10:53:30

Pedro Oliveira

Tiro ao alvo no MP

Pedro Oliveira

Confesso que fiquei chocado com a nota publicada pelo Ministério Público em seu site oficial esta semana. Vejam o texto abaixo.

“Para capacitar os novos promotores de Justiça na prática de tiro prático, a Associação do Ministério Público do Estado de Alagoas (Ampal), com o apoio da Escola Superior do Ministério Público (ESMP), promoveu um treinamento com revólveres e pistolas, na sexta-feira passada, em Maceió. A entidade representativa também realizará no dia 22 de julho um momento de aprimoramento dos membros mais experientes no manuseio de armas de fogo.

Sob a supervisão dos oficiais da Assessoria Militar da Procuradoria Geral de Justiça, os promotores recém-empossados encontraram no curso conhecimentos fundamentais, teóricos e práticos, necessários à efetivação do tiro prático e defensivo. A partir da capacitação, os membros presentes aprenderam o funcionamento e manuseio de pistolas e revólveres na execução do disparo. Os inscritos no curso foram distribuídos em dois horários: das 8h às 12h e das 13h30 às 18h. Eles serão os mesmos do curso de aprimoramento na semana seguinte.Segundo a presidente em exercício da Ampal, promotora de Justiça Adilza Inácio de Freitas, o treinamento permitiu aos participantes uma melhor condição de defesa pessoal. ‘O curso vai ajudar os promotores a utilizar de forma correta e eficaz o armamento próprio, abordando nas aulas princípios de segurança, manuseio, posições de tiro, como também, tiro prático’, disse”.

É lamentável e preocupante que a iniciativa esdrúxula tenha partido do Ministério Público, uma instituição ainda acreditada e respeitada. A sociedade DESARMADA certamente também não concorda com a iniciativa do MP. 

Será que não seria de maior proveito que  aos novos promotores fossem oferecidas capacitações para o seu dia a dia com os procedimentos institucionais, o papel de cada um como servidor público e sua relação com a sociedade e tantos outros temas que serão usados na vida de cada um no cumprimento de suas obrigações como agentes da administração? Quando o próprio procurador-geral diz que “não há dinheiro para capacitações dos integrantes da instituição”, soa estranho que haja verba para fins nada convencionais.

É uma pena que fatos dessa natureza aconteçam e justamente de onde não deveria acontecer. O respeitável e bem avaliado Ministério Público.

Esforço concentrado

Os presidentes da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, e do Senado Federal, Renan Calheiros, se reuniram com o presidente interino da República, Michel Temer, na quarta-feira no Palácio do Jaburu.

Na oportunidade foi discutida uma pauta mínima, para o retorno do recesso parlamentar, que incluiu a proposta de Emenda à Constituição (PEC), em tramitação no Senado, sobre tópicos da reforma política. De autoria dos senadores Aécio Neves (PSDB-MG) e Ricardo Ferraço (PSDB-ES), a PEC trata de temas como o fim das coligações nas eleições proporcionais.

O problema está apenas na garantia de quórum em período eleitoral. Não será fácil colocar deputados e senadores em plenário, coisa já difícil em épocas normais.

E nós é que pagamos

No Brasil é sempre assim: onde o governo põe a mão só atrapalha. Agora com as novas regras os passageiros precisam chegar com duas horas de antecedência nos aeroportos brasileiros para embarcar nos voos nacionais, de acordo com nova recomendação divulgada na segunda-feira (18) pela Anac (Agência Nacional de Aviação Civil). A medida ainda causa grandes transtornos e filas enormes nos diversos aeroportos.

Não bastasse o desconforto de todos os aeroportos do país, com instalações precárias, equipamentos avariados e banheiros sujos o governo ainda impõe regras  absurdas e tratamento desrespeitoso aos milhares de passageiros  todos os dias. É muita incompetência na gestão pública. 

Corrupção em alta

Em pesquisa de opinião feita simultaneamente à sondagem eleitoral, o Datafolha verificou que 32% dos brasileiros citam espontaneamente a corrupção como o principal problema do país, à frente da saúde (17%), do desemprego (16%, índice mais alto desde março de 2009), da segurança (6%) e da educação (6%). Em dezembro de 2014, nas pegadas da reeleição de Dilma, apenas 9% mencionavam a roubalheira de dinheiro público como a encrenca mais preocupante.

Além de engordar o bloco do voto de protesto (branco ou nulo), o saco cheio do eleitorado com a podridão conspira a favor do surgimento de um nome novo, capaz de empolgar. Por ora, o eleitor exala desalento. Melhor abrir bem os olhos. Nas últimas vezes em que teve esperança, o brasileiro trombou com o caso Collor, o mensalão e o petrolão. (Com informações da Folha de São Paulo).

Um governo breve e “TEMERoso”

Mesmo que a presidente Dilma sofra a decretação do impeachment do seu mandato “quando setembro vier” o governo Michel Temer não deixará de ser breve. Governará o país, se não fizer besteira ou não for alcançado por nenhuma delação premiada, até dezembro de 2018, o que significa um “mandato tampão”. Pelo que mostra nestes dias de interinidade fará um governo medíocre, sem grandes transformações e certamente não entrará para a história como um presidente de verdade. Seu ministério é fraco com uma banda (larga) sob suspeita de corrupção e improbidade administrativa. Terá no Congresso (Câmara e Senado) uma maioria “negociada” e frágil, podendo perder batalhas importantes. Não tem diplomacia litúrgica como seus dois antecessores (Lula e Dilma) para o cargo que ocupa. É apenas um “poeta” frustrado e um politico que se deu bem na vida, como tantos, por saber jogar o xadrez maquiavélico, e se colocar na primeira fila dos oportunistas. Azar do Brasil!

Seis por meia dúzia

A pauta do governo Temer é insípida, inodora e incolor. Falta criatividade e sobra vaidade à maioria de seus ministros. Formou uma equipe recheada de políticos carregados de suspeição e em quase nenhum se vislumbra o perfil empreendedor, ou o espírito público capaz de atrair a confiança de uma sociedade cansada e calejada de malandros travestidos de homens públicos, apenas propensos à enganação.

“Nunca acreditei que Michel Temer pudesse ser um bom presidente, mas também não imaginei que fosse tão ruim”. Dizia-me um velho e sábio político já aposentado. Há momentos em que imagino: o que ganhamos trocando Dilma por Temer, se a incompetência se assemelha a suspeição muito parecida e os métodos idênticos? O resultado da comparação deu empate. Trocamos seis por meia dúzia. Não demora e o povo estará nas ruas gritando: fora Temer, as panelas retornando com seu barulho de protesto e o país mergulhado no abismo da instabilidade institucional. Vamos aguardar.

Já há rumores de mudanças de opinião no Senado por conta do descontentamento com o governo interino, mas isto pouco importa. Se Dilma voltar ou se o “breve” continuar ao que se vislumbra estamos no mesmo barco.


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