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17 de Novembro de 2018

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Edição nº 881 / 2016

26/07/2016 - 10:47:10

A morte mora no Açude do Goiti

Geovan Benjoino

O Açude do Goiti de Palmeira dos Índios (AL) - que pertence à Marinha e construído há várias décadas - tem a morte como inquilina ao longo do tempo. Desde a sua construção até o momento, o Açude do Goití já tomou a vida de aproximadamente 50 pessoas, incluindo adolescentes, jovens e adultos, principalmente alcoolizados. A maioria procurou o açude para cometer suicídio, levada pela embriaguez ou depressão. 

Será que o Açude do Goiti - que paradoxalmente é tido como um dos cartões postais da cidade - tem uma missão fúnebre? Que força atrai suicidas para as águas do Goiti? Será que o Açude do Goití precisa de adubo humano para nutrir suas águas tenebrosas, que certamente guardam inúmeros segredos desconhecidos pela razão humana? Que enigma guarda o Açude do Goiti, que apesar de velho, expressa vitalidade macabra visível aos olhos dos transeuntes? Perguntas sem respostas? Será que o silêncio exótico de suas águas escuras respondem através das acanhadas ondas ocasionais provocadas por algum pescador quando joga a rede para apanhar peixes? Ou quando alguém joga algo em suas águas? Será que algumas pessoas nasceram para morrer nas águas do Açude do Goití, ou a morte é mesmo sua eterna companheira? 

Essa reflexão é filosófica? Jornalística? Espiritualística? O Açude do Goiti, a exemplo dos humanos, tem uma missão reencarnacionista como enfatizam os kardecistas?  A sua função é resgatar vidas humanas num processo espiritual de acertos de contas ou é pura coincidência?

O Açude do Goiti recebe águas pluviais do inverno e ocasionais, além dos esgotos e fossas procedentes de casas e lojas comerciais. Mas sua densidade mesmo provém de minação, responsável pela sua majestade fúnebre.

Tempos atrás o açude foi alvo de polêmica reportagem por mim redigida, na  qual alguns palmereirenses sugeriram o aterro do Goiti e em seu lugar a construção de uma área de lazer, feira livre, estacionamento, mercado público ou algo semelhante. A ideia foi rejeitada pelas autoridades municipais que disseram que era impossível a execução de tal projeto em virtude do alto volume de recursos financeiros. “É inviável aterrar o Açude do Goiti”, reagiram as autoridades da época, que alegaram não poder extinguir um cartão postal da cidade.

Palmeira dos Índios precisa de um cartão postal letal como o Açude do Goiti? Qual a contribuição que o açude proporciona à economia palmeirense? 

Será que está na hora de repensar o aterro do Açude do Goiti e no seu lugar construir algo que proporcione literalmente dividendos financeiros, sociais e desenvolvimentistas?

Palmeira dos Índios não precisa de atrativo mortífero. A Terra Xukuru-Kariri precisa de algo que produza vida personificada na viabilização de políticas públicas efetivas, principalmente na saúde, trabalho, educação, moradia, segurança, cultura e esporte.

O palmeirense necessita resgatar sua auto-estima para poder, então, ter de fato e de direito alegria, paz, conforto espiritual e bem estar geral.

Para que um cartão postal que ceifa vidas e provoca dores irreparáveis na alma e no espírito, como o Açude do Goiti? Engolir os excluídos? Para extinguir a ralé que incomoda as “autoridades” omissas de Palmeira dos Índios?

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